Para refletir, segundo pedagogia Waldorf…

No pensar, lucidez
no sentir, afeição
no querer, ponderação;
se eu aspirar estas três,
então poderei esperar
saber orientar-me corretamente,
nas trilhas da vida,
frente a corações humanos,
no âmbito do dever.
Pois lucidez provém da luz da alma,
e afeição mantém o calor do espírito,
ponderação revigora a força vital.
E tudo isto, aspirado na confiança em Deus,
conduz, nos caminhos humanos,
a bons e seguros passos na vida.

Rudolf Steiner (Kraljevec, fronteira austro-húngara, 27 de fevereiro de 1861 — Dornach, Suíça, 30 de março de 1925)

Lua nova

Meu novo quarto
Virado para o nascente:
Meu quarto, de novo a cavaleiro da entrada da barra.

Depois de dez anos de pátio
Volto a tomar conhecimento da aurora.
Volto a banhar meus olhos no mênstruo incruento das madrugadas.

Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir.

Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
— Sem medo,
Sem remorso,
Sem saudade.

Não pensem que estou aguardando a lua cheia
— Esse sol da demência
Vaga e noctâmbula.
O que eu mais quero,
O de que preciso
É de lua nova.

Manuel Bandeira (Recife, Pernambuco, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968). Rio, agosto de 1953

Poe(mú)si(c)a

Dançarei pelado na cratera da lua
Mesmo sem saber onde termina
A minha e onde começa a tua
Rebolarei embaixo da marquise
Triste trópico paraíso
Se eu dissesse que eu ia
Você ia e eu não ia
Deixa a tristeza deitar
Rolar na minha cama
Um milhão, trilhão de vezes
Reviro alegria
Salto pro amor
Um vício só pra mim não basta
É uma inflação de amor incontrolável

Waly Salomão (Jequié, Bahia, 3 de setembro de 1943 – Rio de Janeiro, 5 de maio de 2003)/ Roberto Frejat (Rio de Janeiro, 21 de maio de 1962)

Voz do outono

Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
– Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima solidão,

Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel devesa,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da ilusão!

Mais valera a tua alma visionaria,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba varia,

(Sem ver uma só flor das mil, que amaste,)
Com ódio e raiva e dor – que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!

Antero de Quental (Ponta Delgada, Portugal, 18 de abril de 1842 – 11 de setembro de 1891)