Mês: novembro 2024
Poeminha do contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!
Mário Quintana (Alegrete, Rio Grande do Sul, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 5 de maio de 1994)
Teje preso
Decifrando o escrito: “Pela paz do mundo, pare-se”.
Rua do oiro
Rua do oiro, rua dos metais!
Mazantini de luz, o sol, ao alto…
Bailes russos deslizam no asfalto…
Cantam em coro os vidros e os cristais!
Os teus passeios, como eu sei cantá-los,
São largos tabuleiros de xadrez,
Onde os pés das mulheres, muita vez
São reis, rainhas, torres e cavalos…
Nas montras dos livreiros, os poetas,
Com seus lábios, nos livros, entreabertos,
Dizem sonetos graves, muito certos,
Na sua voz sinistra de profetas…
Horrendas, pela tarde, como espumas…
Os chapéus, nas vitrines, são cabeças,
Degoladas… Ó frívolas condessas,
Vós não tendes miolos, tendes plumas…
Parques nas sedas!… Há jardins nas chitas…
Enforcam-se nas hastes de metal
As éticas gravatas… Em caudal,
O sangue corre aos metros, pelas fitas…
À entrada daquela luvaria
Há certa mão que me parece morta…
Ó mão morta a bater àquela porta,
Em poentes de chuva e ventania…
Nesta perna de vidro tão humana,
Há tanta carne em suas meias ternas,
Que eu grito ao ver passar certa mundana:
São taças de cristal as tuas pernas!…
Sorriem pó de arroz os perfumistas…
Numa loja, acolá, vejo em tropel,
Rolos de telas, blocos de papel:
Roupa branca da alma dos artistas…
Nos ignóbeis balcões dos camiseiros
Há bacanais de meias e espartilhos…
As bonecas de cera, nos barbeiros,
Dão à luz cabeleiras, como filhos…
Nos alfaiates jazem manequins,
Ossadas, afinal, dos nossos fatos…
Pelas confeitarias, os pudins,
Desfalecem, anêmicos, nos pratos…
Nas tabuletas brancas – cemitérios
As letras negras, altas, muito esguias,
São cipreste, são sombras, são mistérios,
Almas dum outro mundo em noites frias…
Órgãos de Barbaria desarmônicos,
Estes carros eléctricos tão belos…
Ruidosos, barulhentos, filarmônicos,
Passam na tarde em risos amarelos…
Rua do Oiro – palco da cidade,
Há bastidores em todas as esquinas…
Bebês, balões, senhoras e varinas,
Militares, cocotes, alvalade…
Os meus olhos – as hastes da tesoura
Recortando as imagens d’Epinal,
Pelos passeios desta rua fora…
Rua do Oiro – humano carnaval…
António Ferro (Santa Justa, Lisboa, Portugal, 17 de agosto de 1895 — Socorro, Lisboa, Portugal, 11 de novembro de 1956) – Foi um escritor, jornalista, político e diplomata português. Casado com a poetisa Fernanda de Castro. In “Diário de Lisboa”, 7 de abril de 1921
Rostito
Decifrando o escrito: “A pária”.
O mar
Semelhante a algum monstro, quando dorme
— O Mar… Era sombrio, vasto, enorme…
— Arfando demorado,
— Imenso sob os céus!
— Tal imenso e sombrio, o mar seria
— E assim, em vagas tristes arfaria
No tempo em que o espírito de Deus
— Sobre ele era levado!
Ângelo de Lima (Porto, Portugal, 30 de julho de 1872 – Lisboa, Portugal, 14 de agosto de 1921). In “Antologia Poética”. Foi um pintor e poeta português da Revista Orpheu
Ronaldo Pio dos Santos: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP)
Ronaldo Pio dos Santos
Ronaldo Pio dos Santos, nasceu em 06/06/1960 e vive em Belo Horizonte – MG. Vítima da talidomida, Ronaldo nasceu sem os membros superiores. O artista começou a pintar com os pés desde os 7 anos de idade e, atualmente, participa de muitas exposições. Para Ronaldo, a pintura significa tudo. Ele se considera uma pessoa muito feliz por poder se expressar através da arte.
👨🎨 Artista plástico da APBP
Estilo de pintura: Com o pé
Técnica: Óleo
Título da obra: “Papoulas”
APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés.
Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
(11) 5053-5100
apbp@apbp.com.br
https://apbp.com.br/home
Signos em fundo verde
Quem sou?
Ao meu fidalgo amigo Fernando Pessoa
Nasci de um beijo ardente e criminoso:
Havia em quem o deu a ansiedade
Que têm os velhos, a mocidade
Fugia-lhe e com ela, a vida e gozo.
Em quem o recebeu, o voluptuoso
Enleio de donzela, e a ingenuidade
Do mistério sagrado nessa idade
Em que tudo sorri, tudo é formoso.
Um dia… a flor caiu e o zangão voou
E, do seu cálice eu nasci sozinho,
E assim fiquei, na terra, aonde estou
Abandonado e só sem ter um ninho
Sem ter ninguém, sem ter amor, quem sou?
Só o sêmen caído no caminho.
Raul Leal (Lisboa, Portugal, 1 de setembro de 1886 – 18 de agosto de 1964). Foi um dos introdutores do futurismo em Portugal, publicando no segundo número da revista Orpheu
Almira Reuter: Palestina meu amor
“O meu terceiro livro é um romance, sim 😍 estou falando sério, é um romance lindo, de uma mulher com seus 78 anos que vive e experimenta deixar só o amor fluir em sua vida. Leiam, tenho certeza que você vai gostar, e vai ver que não existe idade para o amor. Está em várias plataformas em primeiro lugar, quero salientar que fiz pela Editora Mepe, e que para mim está sendo uma nova experiência, e tenho ficado feliz.”
Almira Reuter
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Sobre Almira Reuter
“A arte é a luz que ilumina a
minha caminhada neste mundo”
Ayreuter, é a assinatura artística de Almira Reuter de Miranda, 77 anos, pintora expressionista, mais conhecida por Almira Reuter, uma apaixonada contadora de histórias. Quando é despertada por um tema, mergulha nas pesquisas e deixa a cargo de suas mãos, tintas, pincéis, linhas, agulhas as narrativas carregadas de emoções e cores. Assim nasceram as séries Carandiru, Juscelino Kubistchek, História da Odontologia, entre outras.
Destaca-se como uma das pintoras mais premiadas do Estado do Mato Grosso. Nasceu em 16 de março de 1946, na cidade mineira de Nanuque, foi criada entre a Bahia e Minas Gerais. Em 1967 mudou-se para Cáceres (MT), onde desbravou corajosamente sertões para se dedicar à agropecuária.
Autodidata, nunca frequentou academia, tampouco estudou técnicas de pintura. Em 1982 se estabeleceu em Cuiabá, capital de Mato Grosso. Aos 40 anos (1986) ingressou no mundo das artes e passou a ser reconhecida por apreciadores e críticos de renome, como Aline Figueredo, João Spineli e José Serafim Bertoloto. No ano 2000, fez uma exposição individual intitulada “Reminiscências de Cuyabá”, destaque que ganhou uma tiragem de 15 mil cartões telefônicos com as telas da exposição. Foi citada como referência na obra “Incomum”, de Jacob Klintowitz. Realizou exposições e participou de coletivas no Brasil e no exterior: em Londres, na Canning Hourse Gallery, Inglaterra, na Art Expo New York, na Ava Galleria, Nova York, Estados Unidos, na Casa da Cultura, “A Via Sacra”, Cairo, no Egito e em Roma, na Galeria Tibaldi Arte Contemporânea, “Memórias do Brasil – Imigração Italiana no Brasil”, Itália.
Destacou-se em salões e ganhou vários prêmios entre eles o intitulado “Obras Primas”, da Funarte, pela exposição em Brasília, tratando do episódio Carandiru. A artista ousa experimentar diversas técnicas e materiais como estopa, seda, chitão, filó, barbante, aço, papel, metal, barro, tecido. Fez esculturas, instalações, criou bonecos de pano dentre outros elementos que ganham vida e forma em suas mãos criativas. Almira busca se reinventar a cada dia sem perder a magistral caligrafia.
Trabalhou temáticas como drogas, política e corrupção, mostrando que a arte é seu peculiar instrumento de manifestação. Atualmente, mora no Balneário Camboriú, Santa Catarina, onde se reinventa a cada dia e começa uma nova fase na arte têxtil, que a artista denomina “tramas”.
Contatos:
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