Poema da noite

A Narcisa Amália

Teus cantos o esplendor e a formosura
Da noite exalçam… Lânguido arrepio
Percorre as folhas… Que fragrância pura
Respira em torno o laranjal sombrio!

Doce palpita a brisa na espessura
Das sebes vivas… Suspiroso, o rio
A ribanceira em flor beija, e murmura
A espreguiçar-se no seu leito frio…

E um poema de amor que eu ouço; há tantas
Rosas a abrir no campo: e, cento e cento,
Rompem astros no páramo infinito…

Canta! Eu releio o poema que tu cantas.
Nessa página azul que o firmamento
Desdobra, todo em letras de ouro escrito…

Raimundo Correia (São Luís, Maranhão, 13 de maio de 1859 — Paris, França, 13 de setembro de 1911). In “Aleluias”, 1891

Nota: Narcisa Amália (São João da Barra, Rio de Janeiro, 3 de abril de 1852 — Rio de Janeiro, 24 de julho de 1924) foi um ídolo feminino do final do nosso Romantismo após publicar, em 1872, o livro “Nebulosas”, que alcançou grande repercussão. De feição condoreira, com visível influência de Castro Alves. “Poema da Noite” é um registro do encontro entre o futuro grande parnasiano e o nome feminino mais notável do nosso Romantismo

Simone de Beauvoir em sete frases célebres

É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente.”

Em todas as lágrimas há uma esperança.” In “A força da idade”, Nova Fronteira, 2009

Querer ser livre é também querer livres os outros.”

Por vezes a palavra representa um modo mais hábil de se calar do que o silêncio.” In “A força da idade”, Nova Fronteira, 2009

É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.” In “O segundo sexo, vol 2: A experiência vivida”, Difusão Europeia do Livro, 1967

O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.”

Ninguém nasce mulher: torna-se mulher.”

Simone de Beauvoir (Paris, França, 9 de janeiro de 1908 – 14 de abril de 1986) foi uma influente filósofa existencialista e feminista francesa, conhecida por questionar papéis de gênero e defender a liberdade individual

Reforma fiscal proposta em 1992 – principais pontos propostos e polêmica gerada

O Projeto de Reforma Fiscal foi entregue pelo governo ao Congresso Nacional no dia 17 de julho último na forma de um projeto de emenda constitucional, sendo que ele pretende alterar 37 artigos da Constituição com seus 16 artigos propostos. Ele reduz de 22 para 9 o número de impostos previstos na Constituição, muda os critérios de repartição de receita entre a União, os Estados e os Municípios e fixa novos critérios para a aposentadoria. Estas propostas mostraram-se bastante complexas e polêmicas, chegando, inclusive em alguns casos, a ameaçar os direitos adquiridos em contratos. A primeira reação da oposição foi atacar o procedimento do governo, que tenta apressar essa votação, apresentando o projeto sob a forma de “subsídios informais”, aparecendo como uma “revisão casuística” da Constituição, prevista inicialmente para ocorrer em 1993. Alguns tributaristas e dirigentes sindicais acharam que essa proposta de Reforma Fiscal tem muito de tributária, pois aumenta a arrecadação, e quase nada de fiscal. Os principais pontos da proposta e as polêmicas geradas por cada um dos seus pontos são os seguintes:

SINDICATOS: propõe que os direitos de legitimidade para representar judicialmente ou extrajudicialmente seus filiados adquiridos em 1988 com a Constituição sejam submetidos à partir desta emenda à sanção de uma nova lei. Seu objetivo é poder responsabilizar judicialmente as entidades de classe.
POLÊMICA: Fere um direito constitucional anteriormente adquirido.

LIMINARES: querem atribuir a uma nova lei complementar a definição de ações do STF (Supremo Tribunal Federal) nas ações de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e nas de inconstitucionalidade por omissão, com efeito vinculante dessas decisões para instâncias inferiores do Judiciário. Seu objetivo é eliminar a prerrogativa dos juízes de lª instância em darem sentenças contrárias à administração e à Receita Federal e reduzir o grau de independência dos juízes singulares.
POLÊMICA: Fere um direito constitucional anteriormente adquirido.

AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE: essa medida é introduzida no país, podendo ser feita por partidos políticos, governadores de Estado, entre outros.
POLÊMICA: Não foi observada até o momento.

ESTABILIDADE DO SERVIDOR PÚBLICO: pela proposta ela só passará a vigorar após dois anos de efetivo exercício da função.
POLÊMICA: Propõe uma forma de acabar com a estabilidade para o funcionário público, sendo que esta proposta não abrange os servidores que, na data da promulgação da emenda constitucional, tiverem dez anos continuados de exercício no setor público. Além disso, gera polêmica o fato de pretenderem alterar os direitos adquiridos de todos os servidores públicos, acabando com a estabilidade.

APOSENTADORIA: propõe a equiparação do sistema de aposentadoria para todos os trabalhadores civis, do setor público e privado, mas deixa espaço para um tratamento diferenciado para os militares. A proposta é de aposentadoria integral para os trabalhadores a partir dos 65 anos de idade, desde que com 20 anos de contribuição à Previdência, ou após 40 anos de contribuição independentemente da idade; e de aposentadoria proporcional a partir dos 60 anos de idade, ou 30 anos de contribuição.
POLÊMICA: O fato de quererem mudar as bases de concessão de aposentadoria a todos os trabalhadores.

UNIVERSIDADES PÚBLICAS: serão, conforme definir a lei, personalidade jurídica própria e arcarão com as despesas de pessoal e poderão, assim como outros órgãos públicos de pesquisa, contratar estrangeiros nas mesmas condições que os brasileiros.
POLÊMICA O Governo acabou propondo, com isso, o fim progressivo do ensino público gratuito.

DISTRIBUIÇÃO DE FUNÇÕES NA EDUCAÇÃO A União será responsável pelo ensino universitário, sendo que não poderá odiar ou absorver universidades, e os Estados pelo ensino de 1° e 2° graus.
POLÊMICA: Não foi observada até o momento

SERVIÇOS DE CORREIO, POLÍCIA CIVIL, MILITAR E DE CORPO DE BOMBEIROS DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS: A União deixará de ser responsável pela manutenção do serviço postal e Correio Aéreo Nacional, ficando encarregado apenas com a função de organizar esses serviços.
POLÊMICA: Não foi observada até o momento.

TÍTULOS ESTADUAIS: No período de 1° de janeiro de 1993 a 31 de dezembro de 1999, os Estado Municípios não poderão emitir títulos públicos, a não ser para financiar a rolagem da dívida mobiliária. Seu objetivo é ampliar os encargos de Estados e Municípios.
POLÊMICA: Desagradou alguns governadores que chegaram até a manifestar publicamente o descontentamento.

RECEITAS ADICIONAIS DA UNIÃO: Os possíveis aumentos reais de receitas da União a partir do próximo ano não serão gastos com outras despesas que não sejam para o pagamento de dívida da administração direta ou indireta. Seu objetivo é tornar mais rígidos as regras orçamentárias.
POLÊMICA: não foi observada até o momento.

OS NOVE IMPOSTOS PROPOSTOS: Esse talvez seja um dos pontos mais polêmicos deste projeto possivelmente com a sua aplicação haverá um aumento da carga tributária a partir de 1993, mesmo possível existência de um reduzido número de impostos federais. Além disso, essa reforma fiscal n contemplando o princípio da progressividade. Outro ponto polêmico, principalmente junto aos governos refere-se à questão dos orçamentos para 1993, que deverão estar prontos dentro das regras atua vigentes, ou seja, até 30 de setembro próximo. A discussão refere-se a regra da adaptação à futura re fiscal. Seu objetivo é mudar a estrutura tributária do país, reduzindo o número de tributos e acrescentando um ganho de receita da ordem de US$ 51 bilhões aos cofres da união.

IMPOSTO DE RENDA: Nesta fase inicial praticamente não haverá mudanças. No final do ano o Governo deverá propor a redução do limite de isenção do IR, de 1.000 Ufirs (Cr$ 2.104.280,00) para uma outra faixa, cujo limite de isenção estudado está na faixa de 500 (Cr$ 1.052.140,00) ou 750 Ufirs (Cr$ 1.578.210,00). Estudam também a viabilidade de se criar uma 3ª alíquota, provavelmente de 30%, além da 2 já existentes de 15 e 25%, para o desconto na fonte. Para as pessoas jurídicas poderá ser instituída uma alíquota única de 35%, sendo que há a possibilidade de que ela chegue a 50% para as maiores empresas.
POLÊMICA: Poderá atingir mais os contribuintes com renda menor, poupando os de renda elevada. Essas propostas só serão enviadas ao Congresso Nacional no final do ano, após a aprovação das emendas constitucionais e leis complementares da reforma fiscal.

IMPOSTO SELETIVO: Será um tributo especial que recairá sobre os produtos industrializados como a energia elétrica, combustíveis e telecomunicações, além do ouro, pedras preciosas e semipreciosas (quando servir como ativo financeiro), entre outros itens (bebidas alcoólicas, fumo, etc.).
POLÊMICA: Ele contribuirá para aumentar a carga tributária, pois esse novo imposto federal não está na base de cálculo do atual IPI (Imposto sobre os Produtos Industriais).

IMPOSTO SOBRE ATIVOS DAS EMPRESAS: Esta previsto que entre em vigor a partir de janeiro de 1993 e a sua alíquota deverá ser de 2% sobre o ativo bruto das pessoas jurídicas. Esse imposto deverá ser compensado por ocasião da declaração anual. Eles propõe alterar o IR da pessoa jurídica, reduzindo a alíquota média, e eliminar impostos distorcidos sobre o faturamento, contribuindo para a redução da carga tributária sobre a produção. Propõe também alíquotas diferenciadas para alguns setores e um limite superior para a alíquota. Seu objetivo é ser um IR mínimo, atingindo os sonegadores sem sobretaxas às empresas ditas eficientes.

IMPOSTO SOBRE O COMÉRCIO EXTERIOR: Não foi detalhado no projeto por nós consultados.

IVA (Imposto sobre o Valor Agregado): Sua implantação, caso aprovado pelo Congresso, só se dará em 1995 e substituirá o IPI (competência federal), o ICMS (competência estadual) e o ISS (competência municipal). Será de competência dos Estados, assim como o Imposto sobre a Propriedade dos Veículos Automotores (IPVA). Alguns tributaristas acham que este imposto deva ser cobrado nos Estados produtores e consumidores e não apenas naqueles em que os bens e serviços forem consumidos, como acontece atualmente com o ICMS. Seria quase impossível aos Estados produtores aprovarem o recolhimento do IVA em seu destino.

IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE IMOBILIÁRIA: Deverão ser os Impostos sobre a Propriedade imobiliária Urbana e Rural e a sua competência será municipal. Esse imposto será resultado da fusão do Imposto Territorial Rural (federal) com o IPTU (municipal).

CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL OU CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA SALARIAL: Refere-se à contribuição dos empregados e empresas para a Previdência Social, que deverá ser reduzido gradualmente, ao longo de 1993 e 1994, e repassado integralmente ao empregado. Essa contribuição dos empregadores sofrerá uma redução gradual de 2 pontos percentuais por semestre até chegar no 1° semestre de 1995, quando estará reduzida à metade.

CTF (Contribuição sobre Transações Financeiras): Está prevista para entrar em vigor em janeiro de 1993, com uma alíquota de 0,30% e servirá para financiar a Previdência Social. Ele irá substituir as 4 contribuições recolhidas atualmente, como ao Finsocial, ao PIS/Pasep, sobre o lucro líquido das empresas e a contribuição ao INSS recolhida pelas empresas. Essa contribuição conviverá com o Finsocial até dezembro de 1994. O Governo está propondo também a sua cobrança sobre os depósitos e retiradas na caderneta de poupança, o que tem gerado uma enorme polêmica. Alguns afirmam até que este imposto seria regressivo e antieconômico. Seu objetivo é de cobrir a arrecadação dos impostos e contribuições destinados à Seguridade Social, que serão extintos e de reduzir a carga tributária sobre as empresas.

IR SOBRE O SALDO DEVEDOR DOS FINANCIAMENTOS HABITACIONAIS: Este será um Imposto de Renda sobre os ganhos auferidos pelo não pagamento do saldo devedor dos financiamentos do SFH (Sistema Financeiro da Habitação), imputados ao FCVS (Fundo de Compensação de Variação Salariais) e seria um imposto sobre os saldos devedores residuais dos imóveis financiados pelo SFH nos contratos abertos pelo FCVS. Esta previsto a sua cobrança apenas no momento da declaração anual de rendas do mutuário. Seu objetivo é utilizar os recursos gerados por este tributo para sanear o SFH, tentando cobrir o enorme rombo deste fundo estimada hoje em cerca de US$ 20 milhões.

CRITÉRIO DE PARTILHA: Esta previsto que a União entregará aos Estados e Municípios 23,95% da receita total que envolve ainda o IR, sobre o comércio exterior e o imposto que seria criado sobre o saldo devedor dos mutuários do SFH.

QUESTÃO DO FUNDO DE GARANTIA: Não haverá mudanças.

Eduardo Matosinho (20/07/1992)

Artigo feito durante o meu trabalho no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-econômicos (Dieese), onde fiquei de outubro de 1989 a julho de 2003, prestando assessoria a entidades sindicais representativas de trabalhadores. Durante esse período, atuei também no gerenciamento do Banco de Dados Macroeconômicos (econômico-social, de preços e cadastral), com mais de 300 séries sobre economia brasileira, na elaboração de análises macroeconômicas e setoriais, na confecção de boletins de conjuntura, em cálculos estatísticos para negociações trabalhistas, em análise financeira e na elaboração de estudos e análises sobre economia brasileira, abordando os grandes temas relacionados com o mundo do trabalho, com destaque para a reestruturação produtiva, emprego e renda e novas relações de trabalho.

Conversas C/P.

Capítulo 5 – Clarice mãe (Trecho)

– Eu sei uma palavra nova: caricatura.
– Sabe o que quer dizer?
– Sei. É assim: se você põe um chapéu na cabeça de um cachorro, isso é uma caricatura.
Mais tarde:
– Algumas pessoas parecem caricaturas.
– Por quê?
– Porque não parecem de verdade.

/

(Comentário das organizadoras Teresa Montero e Lícia Manzo):

Na década de cinquenta, período em que vive em Washington, Clarice Lispector mantém um caderno intitulado Conversas com P. onde registra diálogos com seus filhos ainda pequenos, Pedro e Paulo.

Passagens escritas em português alternam-se com outras, em inglês, já que mãe e filhos costumavam falar os dois idiomas dentro de casa. Em entrevista para o Jornal do Brasil, em 1977, Clarice afirma: “A maçã no escuro eu escrevi em Washington, sentada no sofá da sala com a máquina no colo, para que os meus filhos não tivessem junto de si uma escritora, e sim uma mãe acessível.” De fato, ao longo da vida, Clarice manteria a mesma postura, produzindo grande parte de sua obra em meio a seu cotidiano doméstico.

(…)

Em Conversas com P. – publicado em sua versão integral na presente edição – Clarice produz anotações que possivelmente a fazem refletir sobre o comentário do escritor Pedro Bloch (reproduzido por ela em uma de suas crônicas): “Para captar tantas coisas maravilhosas ditas pelas crianças é só ter ouvidos de ouvir criança. (…) Aprendo com as crianças tudo o que os sábios ainda não sabem.”

Clarice Lispector (Tchetchelnik, Ucrânia, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977). In “Outros escritos/ Clarice Lispector”; organização de Teresa Montero e Lícia Manzo. Rio de Janeiro: Rocco, 2005

Política mais ou menos

Sai ou não sai?

— Feliz Natal, meu caro Ministro. E boas castanhas.
— Você acha que eu chegarei até lá?
— Não diga absurdo. O senhor está vendendo saúde.
— Saúde eu tenho, mas não sei se serei Ministro até a semana que vem.
— Vai demitir-se? Essa não.
— Você sabe que não tenho ambições, mas não sou homem para demitir-me de um posto de responsabilidade. E verbo que não conjugo. Claro que enquanto merecer a confiança do…
— Isso. Então não há problema.
— Há. O problema começa aí.
— Ele retirou a confiança que tinha no senhor?
— Como é que eu posso saber? Se ele mesmo não sabe.
— Também não sei. Deduzo. Ele me disse que vou continuar até o fim, então concluí que está dificílimo.
— Ele diz o contrário do que pensa?
— Absolutamente. Diz só a metade do que pensa. A outra metade, naturalmente, está imersa em névoa seca.
— Já sei. O futuro a Deus pertence.
— Ê. Mas o presente, que é bom, pertence aos sindicatos, à Frente Parlamentar Nacionalista, à UNE, às assessorias técnicas, às forças ocultas, ao acaso e a outros poderes constituídos e constituintes, até mesmo ao PSD. Ele próprio disse por outras palavras que não é o único a presidir, você não ouviu?
— Mas se o senhor é da confiança dele…
— Quer saber de uma coisa? Não vá botar no jornal, hein.
Se eu sou mesmo, estou frito.
— Não morei, Ministro.
— Ele me chama, bota a mão no meu ombro e diz, olhando para baixo e para o lado: “Tenho absoluta confiança em ti e quero que me faças um sacrifício: passa a cuia a Fulano.”
— A cuia?
— A pasta.
— E quem seria Fulano?
— Minha esperança é que são vários. Você vai me fazer um favor.
— Mande, Ministro.
— Espalhe outros nomes além dos já lembrados. Solte o enxame de moscas azuis. Com tanta gente competindo, ele acaba não podendo escolher ninguém.
— O senhor acha? Dizem que ele próprio tem mandado soprar nomes…
— É uma jogada que pode me servir. Os candidatos vão sendo churrasqueados, enquanto isso os titulares permanecem. O diabo é quando o espeto chega perto da gente.
— E ele tem uma fome danada. Quantos ministérios já papou!
— Ah, não me fale. E eu queria tanto passar um Natal tranquilo, um Ano Novo alegre…
— Ele não lhe fará uma crueldade dessas, Ministro.
— Quer maior crueldade do que festejar o Natal sob ameaça de não digerir sequer as castanhas, ir ao réveillon e ter um pensamento amargo à hora de levantar a taça? É como a gente sentir-se peru de Natal. Engordado para… Não! Minhas festas estão estragadas! Tudo estragado! Tanta reforma por fazer, e começar logo pela reforma do Ministério, que nem forma tinha nem pretendia ter!

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987). In “Cadeira de balanço – Crônicas”, Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1966