Daniela Versiani: Curioso, o olhar perscruta o chão & outros nanquins sobre papel

Daniela Versiani nasceu em São Paulo. Forma-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e Jornalismo pela Cásper Líbero (SP). Em 1992, muda-se para o Rio de Janeiro. Em 2002, conclui o doutorado em Literatura pela PUC-Rio com bolsa sanduíche pela Fulbright na Rice University. Em 2004 passa a ensinar na PUC-Rio. Suas pesquisas no campo acadêmico versam sobre a teoria da leitura de textos e imagens e suportes alternativos para o registro e difusão da poesia.

A partir de 2012, expande sua produção artística para o campo das artes visuais, buscando conectar seus escritos a uma nova forma de expressão: a pintura. Estuda na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com os professores Ronaldo do Rego Macedo, Franz Manata, Suzana Queiroga, Alexandre Sá, João Modé e Martin Ogolter. Hoje, suas pesquisas no campo das artes visuais estão focadas nos seguintes temas: aproximação entre escrita e imagem, livros de artistas, o papel como suporte e meio para a escrita e artes visuais, e a escrita assêmica. Seus trabalhos encontram referências nas iluminuras medievais, em poetas e artistas que combinam escrita e imagem, como Max Ernst, Cy Towmbly, Mira Schendel e León Ferrari, nas colagens de Kurt Schwitters, Robert Motherwell e Robert Rauschenberg, e na “arte da destruição” de Alberto Burri, Antoni Tàpies e Lucio Fontana. Seu trabalho também é fortemente influenciado por Anselm Kiefer e Hilal Sami Hilal. Em 2016, Daniela Versiani deixou de ensinar na universidade e mudou-se para Petrópolis, onde escreve e tem seu ateliê.

Entre suas publicações destacam-se o romance A matemática da formiga (1999, 2008), Três contos ilusionistas (2008), Autoetnografias. Conceitos alternativos em construção (Finalista ao Prêmio Jabuti, 2005), Manual de boas práticas de leitura (Finalista ao Prêmio Jabuti, 2012, em coautoria) e Ler, comparar, pensar. Reflexões sobre literatura e cultura (2014) além de artigos em revistas acadêmicas. É curadora da revista RED de arte e cultura.

São Paulo – Rio de Janeiro – Petrópolis

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Retorno de um poeta disperso

Até aqui, tudo bem
Sobrevivo da vida cotidiana
E me preparo para o que der e vier
Surgem poemas de tempos em tempos

E, nessas horas, colocá-los no papel é quase que uma
Obrigação de poeta que caça as palavras como um cão
Vida vivida, cinema, passeios e demais atividades
Me distraem, mais sempre volto a este velho papel

Às vezes me vejo cansado
E aborrecido com tudo isso
Falta inspiração,
O tema falta

O que pretendo com isso?
Nada que não seja mais do que dizer
O que está entalado nas entranhas
Emoções e desejos vão e vem, dispersos

Até aqui, tudo bem
Voltei
Mais o velho tema se repete
E a poesia se dissolve em letras vazias

Vista do espaço

A Terra vista de Marte parece uma Lua Nova
Como será a mesma Terra vista do Sol?
Será como um pequeno grão de areia?
E os meus olhos fumegantes, com óculos de sol, verão?

A Terra está ficando mais verde, resultado de modificações climáticas
Como observado do espaço pelas lentes do telescópio
O que será que está acontecendo com o azul anterior
Será que está sendo consumido pela fumaça preta do progresso?