Aparecem nas fotos: João, Marco Aurélio, Isabel, Bel Vergueiro, Luiza, Diogo, Gil Ortuzal, Edson, Zé Ângelo (“Fordinho”) e Vinícius. Todos muito queridos!
Autor: ematosinho
Se equilibrando no skate e revisitação de Júnior
Montado usando um desenho da infância de Ricardo Ribeiro da Silva Júnior, administrador e formado em tecnologia em redes de computadores, que vinha às vezes em minha casa com a sua mãe Dioneide
Sagração dos ossos
A Bruno Tolentino
Considerai estes ossos
— tíbios, inúteis, apócrifos —
que sob a lápide dormem
sem prédica que os conforte.
Considerai: é o que sobra
de quem lhes serviu de invólucro
e agora já não se move
entre as tábuas do sarcófago.
Dormem sem túnica ou toga
e, quando muito, um lençol
lhes cobre as partes mais nobres
(as outras quedam-se à mostra,
não dos que estão aqui fora,
mas dos ácidos que os roem
ou do lodo que lhes molha
até a polpa esponjosa).
De quem foram tais despojos
tão nulos e sem memória,
tão sinistros quanto inglórios
em seu mutismo hiperbólico?
Onde andaram? Em que solo
deitaram sêmen e prole?
Foram químicos, astrólogos,
remendões, físicos, biólogos?
Ou nada foram? Que importa
não haja um só microscópio
lhes cevado a magra forma
ou a mais ínfima nódoa?
Existiram. Esse é o tópico
que aqui, afinal, se aborda.
E eis o faço porque, ao toque
de meus dedos em seus bordos,
tais ossos como que imploram
a mim que os chore e os recorde,
que jamais os deixe à corda
da solidão que os enforca,
nem à sanha do antropólogo
que os vê, não como o espólio
do que foi amor ou ódio,
lascívia, miséria e glória,
mas como a lívida prova
de que o sonho foi-se embora
e dele só resta a escória
numa urna museológica.
E então me pergunto, a sós:
por que desdenhar o outrora
se nele é que ecoa a voz
do que, no futuro, aflora?
Não bastaria uma rótula
para atestar esse cogito,
ergo sum, aqui e agora,
alheio a qualquer prosódia
ou língua em que se desdobre
essa falácia que aposta
no fundo abismo sem orlas
entre o que vive e o que morre?
Baixa uma névoa viscosa
sobre as pálpebras da aurora.
E ali, de pé, sob a estola
de um macabro sacerdote,
sagro estes ossos que, póstumos,
recusam-se à própria sorte,
como a dizer-me nos olhos:
a vida é maior que a morte.
Ivan Junqueira (Rio de Janeiro, 3 de novembro de 1934 — 3 de julho de 2014) foi um poeta, jornalista, tradutor e crítico literário brasileiro. É lembrado principalmente por suas traduções de poetas modernos, como T. S. Eliot, Dylan Thomas e Baudelaire, e por seu lirismo de teor classicizante que abordava regularmente o tema da morte. In “A sagração dos ossos”, Editora Civilização Brasileira, 1994, livro no qual venceu em 1º lugar na categoria Poesia o 37º Prêmio Jabuti realizado em 1995
Paizinho
Hoje já fazem 27 anos da partida de paizinho: Saudades eternas desse exemplar farmacêutico!
Edmundo de Oliveira Matosinho
* Dois Córregos/ SP, 13 de maio de 1921 – + São Paulo/ SP, 6 de agosto de 1999
Homem em preto
Três poemas: Homens, bebericando e Autoretrato
Homens
nas catacumbas; nascendo
nas catacumbas; vivendo
nas catacumbas; amando
nas catacumbas; morrendo
nas catacumbas.
Silhuetas de róseo esmalte
e imbecis governamentais
bebericando
café,
café com açúcar;
café com sangue,
sangue
//
bebericando
como se fossem donos
da vida,
como se fossem donos
do tempo,
como se fossem donos
do sangue.
//
Autoretrato
Certa vez, numa aventura estranha,
fugi
dos estreitos horários em que me estorcia
para uma ampliação sem fim.
Quando voltei
e senti, de novo, ferindo-me, o peso dos grilhões,
então não mais sabia quem eu era.
E nunca mais soube quem eu sou.
Talvez a sombra triste de um sonho poeta.
Talvez a misteriosa alma de uma estrela
a guardar ainda no profundo cerne
a ilógica saudade de um passado astral.
Poemas do livro “Singular plural”, Editora Record, 1998.
Moacyr Félix (Rio de Janeiro, 11 de março de 1926 – 25 de outubro de 2005) foi poeta, jornalista, advogado e editor, e um dos mais participativos poetas de sua geração, sendo responsável pela divulgação de grande nomes da literatura brasileira, através de seções e colunas que assinava para jornais e revistas da época. Como intelectual e ativista, foi um dos fundadores do Comando de Trabalhadores Intelectuais (CTI), que reuniu pensadores de todas as áreas das artes, da literatura, da ciência e das profissões liberais. Entre 1956 e 1958, foi o responsável pela seção de poesia do jornal “Para todos”, publicado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e que era dirigido por Jorge Amado e Oscar Niemeyer, tendo como redator-chefe Moacyr Werneck de Castro. Como poeta, ele escreveu mais de 10 livros, sempre apresentando versos combativos, discursivos, longos e persuasivos. Usava da fenomenologia para aprofundar os temas, principalmente baseados em estudos sobre os filósofos Maurice Merleau-Ponty e Gastón Bachelard. Com seu livro “Escombros” (Editora Bertrand Brasil) ele foi um dos vencedores do 42º Prêmio Jabuti (ano 2000) na categoria Poesia, juntamente com Thiago de Mello (Campo de milagres) e Ferreira Gullar (Muitas vozes), numa edição sem divisão em primeiro, segundo e terceiro lugares no pódio final
José Prado Neto: Série “Orixás”
Oxum, Oxumaré, Obá, Oxaguian, Xangô, Utilizar, Omulú, Oxalá, Oxóssi e Iansã
“Sou José Prado, artista visual, arquiteto e psicanalista.
Paulistano por adoção, natural de Bebedouro/ SP, vivendo em São Paulo desde 1968. Iniciei meus estudos superiores na Escola Politécnica de São Paulo, mas me transferir para a FAU/ USP onde me formei arquiteto urbanista em 1976. Foi na Faculdade de Arquitetura que tive minha formação em artes visuais como os artistas/ professores Flávio Motta, Renina Katz, Flávio Império, entre outros.
Depois como professor de arquitetura ensinei desenho no laboratório de linguagem arquitetônica da FAU/ USJT.
Minha fruição da arte e contato com os grandes mestres iniciou-se no MASP Museu de Arte de São Paulo, onde eu fiz um curso de história da arte. E depois na Pinacoteca de São Paulo, onde dei aula arquitetura, na faculdade da Belas Artes, então ali localizada, por muitos anos.
Posteriormente em viagens internacionais tive oportunidade de ampliar meu repertório de arte, em estudos e observações em importantes museus da Europa, especialmente no Museu do Louvre e no Museu de Orsay, onde encontrei meu grande mestre: Henri Matisse, que fortemente me influenciou com seu desenho livre e suas cores forte e exuberantes.
Foi a pandemia com os seus isolamentos compulsórios e os atendimentos remotos de meus analisandos, que me predispôs a produção artística, primeiro com a utilização de pincéis hidrográficos e posteriormente com a técnica digital.
Meus trabalhos atuais são desenhos digitais desenvolvidos no programa PicCollage, buscando uma expressão gestual, tendo como base visual os grafites urbanos.
Utilizando em sua execução uma paleta de cores fortes, de luminosidade tropical, em linhas e planos sobrepostos.
Que para mim resultam composições expressionistas de grande carga simbólica.”
José Prado Neto – Artista, arquiteto, urbanista, contista e psicanalista
Contatos:
www.instagram.com/josepradoneto
WhatsApp: (11) 9 9846-0868
Na espátula
O despertar da espiritualidade
As palavras dizem muito
até fazem calar
Mas a espiritualidade
diz tudo e me faz chorar
Quando vejo a violência,
a globalização sem limites e
a falta de solidariedade que
oprime o país
Mas quando observo a natureza,
com seus pássaros cantantes
e sua mata em flor,
penso na simplicidade
que desperta minha espiritualidade
donde flui o amor dentro de mim
mostrando que eu
faço parte disso tudo
e que posso melhorar o que aí está
aprendendo com ela
e ensinando a educar
“Simplesmente ame. Sem o amor é impossível ter outras virtudes.”
Luiza Maria da Silva Matosinho (Campo Maior, Piauí, 11 de março de 1974). Pedagoga e escritora. Essa poesia foi feita por ela por ocasião de seu curso de pedagogia na PUC-SP – Campus Monte Alegre, e dentro da matéria “Processos educacionais diferenciados II”, turma NB2, Professor Doutor Ruy Cezar do Espírito Santo, em 08/12/2004
Contatos:
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www.instagram.com/matosinholuiza
luizacoutinho@uol.com.br
WhatsApp: (11) (11) 9 9672-7222
Sugestões bem populares para o Dia dos Pais 2026
No dizer de Edna “A arte popular é a viva expressão da criatividade do nosso povo.” Que tal presentear seu querido pai com uma dessas peças? Fica a dica…
Rosana de Caraí – de Córrego de Santo Antonio, Município de Caraí em MG, Vale do Jequitinhonha, ela que herdou a criatividade do avô Ulisses Pereira Chaves
Aberaldo – esse artista, alagoano de Lagoinha, desenvolve seu trabalho usando madeiras da região do sertão e da Ilha do Ferro, onde mora, como mulungú e imburana
Lupércio – de Nobres, próximo de Cuiabá, MT, teve o incentivo de Ana Maria Braga em um programa da TV e dizia que via seu trabalho como um “divertimento”
Elieni Tenório – direto de Belém do Pará uma técnica mista dessa premiada e criativa artista que, como diz uma de suas individuais, mostra-se “Vestida de obsessão” (MEP, Belém-PA, 2004)
J. Borges – natural de Bezerros, PE, foi um destacado xilogravurista e cordelista e retratou como ninguém o cotidiano do pobre, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, sempre ligados ao povo nordestino
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