Esmeralda é a pele da ilha…
Verde desde o basalto
este é o petróleo vegetal
que segura o vento
e se aquece nas raízes.
Por aqui passaram os vulcões
no seu tempo calmo de ter tempo.
Verdes são as mãos da ilha:
tapete de pão
esta terra boa para os dentes
para os dentes se encontrarem
enquanto o pão é a enxada de anzol curvo.
O vento canta na erva
E o trigo faz caminhar os moinhos
e decepa trezentas nespereiras bravas
numa noite sem barcos no porto
e um céu de faróis apagados.
Espelho verde
O chão faz de esmeralda aérea
Poisados nos olhos!…
Karlos Faria, pseudônimo de Carlos Patrício Barata Faria (Golegã, Portugal, 2 de maio de 1929 — Cascais, Portugal, 16 de janeiro de 2010). In “Jorge (Ciclo da Esmeralda)”, Deleg. da Coop. Semente em Lisboa, 1979

