Boteco do Arlindo

Gripe cura com limão
Jurubeba é pra azia
Do jeito que a coisa vai
Boteco do Arlindo vira drogaria

O médico tava com medo que o meu figueiredo
Não andasse bem
Então receitou jurubeba
Alcachofra de quebra
Carqueja também
Embora fosse homeopatia a grana que eu tinha era só dois barão
Mas o Arlindo é pai d’égua, foi passando a régua
Fiquei logo bom

Gripe cura com limão
Jurubeba é pra azia
Do jeito que a coisa vai
Boteco do Arlindo vira drogaria

Enviu pra conjuntivite
Licor pra bronquite
Cerveja pros rins
Traçados e rabos de galo pra todos os males e todos os fins
O Juca chegou lá no Arlindo se desmilinguindo, querendo apagar
Tomou batida de jambo, recebeu o rango
E botou pra quebrar

Gripe cura com limão
Jurubeba é pra azia
Do jeito que a coisa vai
Boteco do Arlindo vira drogaria

Batida de erva cidreira
Se der tremedeira ou palpitação
Pra quem tá doente do peito faz um grande efeito
Licor de agrião
E toda velhice se acaba se der catuaba pro velho tomar
Meu tio bebeu lá no Arlindo e saiu tinindo pra ir furunfar

Gripe cura com limão
Jurubeba é pra azia
Do jeito que a coisa vai
Boteco do Arlindo vira drogaria

Composta por Maria do Zeca (Rio de Janeiro) – Nei Lopes (Rio de Janeiro, 9 de maio de 1942) e interpretada por João Nogueira (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1941 — 5 de junho de 2000)

Pessoas e bichos

Comentada no Instagram pelo curador e crítico de arte Oscar D’Ambrosio à partir de sua sugestão abaixo respondida por mim:

“Se você quiser participar [com diversas frases que buscam definir o que é arte], mande para mim uma imagem, com a fichinha técnica e com o nome do pensador citado, que converse com a frase original e com a do Oscar.”

Ficou assim a postagem feita por ele (https://www.instagram.com/p/Daz1RZhJXN5/):

Pessoas e bichos, 1980
Eduardo Matosinho
Lápis grafite em papel de caderno pautado
15 x 20 cm

“…mire, veja: o mais importante e bonito do mundo é isto;
que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram
terminadas, mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.”

João Guimarães Rosa (Cordisburgo, Minas Gerais , 27 de junho de 1908 – Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967). “Grande sertão: Veredas”
In “Pessoas” (https://ematosinho.com.br/?p=5867)

O ser humano é múltiplo em suas possibilidades de existir. Em sua caminhada, se relaciona com os animais ditos irracionais por aproximações e distanciamentos, mas, muitas vezes, esquece que ele mesmo integra a natureza e precisa, de alguma maneira, ajudar a preservá-la.

Oscar D’Ambrosio (15/07/2026)

A feira de Caruaru

A feira de Caruaru
Faz gosto a gente ver
De tudo que há no mundo
Nela tem pra vender
Na feira de Caruaru

Tem massa de mandioca
Castanha assada, tem ovo cru
Banana, laranja, manga
Batata, doce, queijo e caju
Cenoura, jabuticaba
Guiné, galinha, pato e peru
Tem bode, carneiro, porco
Se duvidar inté cururu

Tem cesto, balaio, corda
Tamanco, gréia, tem cuêi-tatu
Tem fumo, tem tabaqueiro
Feito de chifre de boi zebu
Caneco alcoviteiro
Peneira boa e mé de uruçu
Tem carça de arvorada
Que é pra matuto não andar nu

Tem rede, tem balieira
Mode menino caçar nambu
Maxixe, cebola verde
Tomate, cuentro, couve e chuchu
Armoço feito nas torda
Pirão mexido que nem angu
Mobilha de tamburete
Feita do tronco do mulungu

Tem louça, tem ferro velho
Sorvete de raspa que faz jaú
Gelada, cardo de cana
Fruta de palma e mandacaru
Bonecos de Vitalino
Que são conhecidos inté no Sul
De tudo que há no mundo
Tem na Feira de Caruaru

Composta por Onildo Almeida (Caruaru, Pernambuco, 13 de agosto de 1928) e interpretada por Luiz Gonzaga (Exu, Pernambuco, 13 de dezembro de 1912 – Recife, Pernambuco, 2 de agosto de 1989)

Quotes

“De sede fátima devoras a firmeza
e tão fecunda ou dor
tornaste a tua fala
que és teu próprio alimento e teu sustento
na solidão imensa em que
resvalas”

§

“- Dorme sossegada
minha água lisa
face onde me estou.”

Maria Isabel Barreno (Lisboa, Portugal, 10 de julho de 1939 – 3 de setembro de 2016). In “Novas cartas portuguesas”. Nota: “Quotes”, em inglês, pode ser traduzida para o português como citações, citar, orçamentos, cotações ou aspas

Edney Cielici Dias | “Espaços brancos entre substantivos: diversos, verticais, humilíssimos, incandescentes”

Edney é, entre tantos predicativos, um poeta devotado ao ofício da palavra. Economista, mestre e doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo, jornalista, editor e escritor. Tem 2 livros de poesia lançados.

Abaixo, as resenhas e os links pra comprar seus livros:

Cartas da alteridade – 22 outubro 2020

Cartas da alteridade consolida de forma singular quatro décadas de anotações poéticas de Edney Cielici Dias. Não se trata de uma antologia ou algo similar, mas de um exercício de revisão do passado à luz do presente, ou de uma ressignificação do presente sob as lentes do passado. A literatura daí resultante é expressão do vivido, do confronto com o transitório na busca da transcendência; filia-se assim a uma longa tradição existencial da poesia, mas com uma dicção pós-moderna peculiar. É o livro de estreia de um poeta maduro, em um compromisso intransigente com a criação e a depuração da linguagem.

https://bit.ly/4oqZ1bI

Languagem – 24 maio 2024

Eis um poeta. Dos que procuram o som e o senso das palavras. Dos que fazem do poema uma viagem, um desafio, um mergulho, uma graça. Dos que se aplicam à tarefa de compor a massa teimosa de ideias e palavras com a paciência, o orgulho e a humildade do artesão.
[…]
Finda a leitura, fica a percepção de que o poeta realizou neste livro seu objetivo de destilar sua poesia, considerando essa palavra como depuração: determinada, buscada, teimosa, obsessiva.
Ivan Angelo, escritor

Languagem é um presente, um elogio à inteligência, ao talento, à cultura, à erudição, à arte. Sou suspeito, suspeitíssimo para falar deste livro, que conheço desde a sua fecundação. Generoso, Edney volta e meia me manda densas pílulas do seu fazer poético. Aliás, “fazer poético” é, na essência, um pleonasmo, visto que “poesia” vem do latim “poesis”, que, por sua vez, vem do grego “poíesis”, que significa “fazer”, “produzir”. E Edney faz, produz. Como um Cabral, mexe e remexe até que o prazo estoure, o que o obriga a entregar os originais, do contrário ele os alteraria e alteraria e alteraria. Essa inquietação no fazer se vê nas soluções (meta)linguísticas que Edney encontra, por exemplo, no antológico Notas Laterais, em que italiano e português se misturam em versos que metaforizam a metáfora e criam intensos focos de luz poética e linguística. Pois é aí que está o busílis de toda a obra de Edney, que dá à velha questão forma/conteúdo forma e conteúdo ímpares. Languagem é a própria sagração da linguagem criativa, inventiva, subversiva, criativamente subversiva. Como se sabe, a subversão da linguagem não é por si só uma virtude. Subversão sem criatividade é simplesmente um equívoco, um engano, um engodo. Em Languagem , nada sobeja. Destaque-se também o comovente trabalho operário de Edney na elaboração de poemas de clara inspiração concretista, na melhor “tradição” do que fizeram os nossos mestres dessa escola literária. Prepare o fôlego, caro leitor!
Pasquale Cipro Neto, linguista e professor

https://bit.ly/4o3fP8i

@oartistasemgaleria (LS): Suaves camomilas e telinhas em acrílica

LS
Artista
Telas expostas na Amollis Gelato (@amollisgelato) e no Taiyoo Mini Market (@taiyoomarket)
Telas, cards e impressões das pinturas originais à venda

“No ano de 2015 rememoro minha infância e retorno à rabiscar alguns desenhos sem compromisso, por sugestão de um amigo. Logo depois, inicio a minha caminhada artística autodidata através da pintura. Hoje, em 2021, apresento estes trabalhos com o propósito de divulgar ao público o meu processo artístico evolutivo através das principais obras realizadas neste curto período de aprendizados, tendo sempre a natureza como grande fonte inspiradora das diferentes vibrações das cores.
Boa apreciação!
”

Leonardo Santiago

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