Sou de neve e sou de prata
Baptizei-me em Nazaré;
Fui bordão dum carpinteiro
Que se chamava José.
São José levou-me um dia
Do canteiro onde nasci;
Corri toda a Galileia,
Terras-Santas percorri.
A prata das minhas folhas
Veio toda, por meu bem,
Das suas barbas nevadas
E dos seus olhos também.
Vai o povo com seu jeito,
Que é de lenda e que é de fé,
Ampara as crenças velhinhas
Ao bordão de S. José.
S. José deu-me a virtude,
S. José deu-me o condão
De amparar quem é velhinho
Às folhas do meu bordão.
Adolfo Rodrigues da Costa Portela (Além da Ponte, freguesia de Recardães, Águeda, Portugal, 16 de agosto de 1866 – Fundão, Portugal, 17 de novembro de 1923). In “O livro de leitura da 3.ª classe”