Caca caramba

Comentada no Instagram pelo curador e crítico de arte Oscar D’Ambrosio à partir de sua sugestão abaixo respondida por mim:

“Se você quiser participar [com diversas frases que buscam definir o que é arte], mande para mim uma imagem, com a fichinha técnica e com o nome do pensador citado, que converse com a frase original e com a do Oscar.”

Ficou assim a postagem feita por ele (https://www.instagram.com/p/DdTnm5kJE77/):

Caca caramba, 16 de maio de 1999
Eduardo Matosinho
Tinta acrílica sobre papel
21 x 29 cm

“Naturezas mortas

Verde
O trote sonoro dos artilheiros passa sobre a geometria
Despojo-me
Em breve eu seria apenas de aço
Sem o esquadro da luz
Amarelo
Clarim de modernidade
O classificador americano
É tão seco e
Fresco
Quanto verdes os campos primaveris
Normandia
E a mesa do arquiteto
É assim rigorosamente bonita
Preto
Com um vidro de nanquim
E umas camisas azuis
Azul
Vermelho
Depois há também um litro, um litro de sensualidade
E esta grande novidade
Branco
Folhas de papel branco”

Blaise Cendrars, pseudônimo de Frédéric Louis Sauser (La Chaux-de-Fonds, Suíça, 1 de setembro de 1887 — Paris, França, 21 de janeiro de 1961). A critica e curadora de arte Aracy Amaral (São Paulo, 22 de fevereiro de 1930) chama a atenção para o fato de Blaise Cendrars ser conhecido e estudado pelos modernistas já antes da Semana de Arte Moderna de 22, tendo Influenciado Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Luiz Aranha e, em particular, Oswald de Andrade, além de de ser fundamental na definição da pintura de Tarsila do Amaral (https://ematosinho.com.br/?p=11061)

Pertencente à coleção de Carlos Alberto Mendes da Galeria Buenos Ayres, casa de leilões e comércio de obras de arte, localizada em Alphaville, Barueri – SP
(https://ematosinho.com.br/?p=8178)

Manchas são formas de falar do mundo. Transmitem um dizer que se dá muito menos pela racionalidade do planejamento e muito mais pela expressividade do fazer. O gesto se torna uma maneira de apresentar uma visualidade que traz uma percepção de existir e de interpretar o que isso significa.

Oscar D’Ambrosio (15/09/2026)

Os meus hai-cais

Silêncio

Uma tosse rouca,
Lã mole. O “store” que bole,
A noite opaca e oca.

*

Mocidade

Do beiral da casa
(ó telhas novas, vermelhas!)
vai-se embora uma asa.

*

O poeta

Caçador de estrelas.
Chorou: seu olhar voltou
com tantas! Vem vê-las!

*

Meio-dia

Sombras redondinhas
Soldados de pau fincados
sobre rodelinhas.

*

Outono

Sistema nervoso,
que eu vi, da folha sorvida
pelo chão poroso.

*

Vento de maio

Risco branco e teso
que eu traço a giz, quando passo.
Meu cigarro aceso.

Guilherme de Almeida (Campinas, São Paulo, 24 de julho de 1890 — São Paulo, 11 de julho de 1969). Alguns de seus hai-kais extraídos do livro “Poesia Vária”, São Paulo, 23 de fevereiro de 1937

E.M.

Ontem descobri que o papo é longo e sem ele qualquer coisa eu largo.

Menos (a ponta) de seu pé que equilibra um corpo vivo d’alma que teima em deixar meus olhos chapados, bobinhos (abalados), agasalhados, domados, atados.

Falo agora o que cantaria outrora: O amor, calor isopor, que causa uma (des)ordem com você por aqui sempre a passar.

(27/08/88)

Nosso casamento civil: 20 anos e Bodas de Porcelana

Outono chegando e Luiza e eu estamos comemorando hoje, Dia de S. José e do artesão, mais um ano do nosso “papel passado”, como diz o popular. Novamente agradecemos à Deus, em primeiro lugar, e aos nossos padrinhos, parentes e amigos… Ficam como lembrança algumas fotos que tiramos desse amado tempo rei…