Autor: ematosinho
Chão de estrelas
Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de doirado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Nosso barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a alegria desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
Orestes Barbosa (Rio de Janeiro, 7 de maio de 1893 – 15 de agosto de 1966) / Silvio Caldas (Rio de Janeiro, 23 de maio de 1908 — Atibaia, 3 de fevereiro de 1998). Música interpretada por Nelson Gonçalves (Sant’Ana do Livramento, Rio Grande do Sul, 21 de junho de 1919 – Rio de Janeiro, 18 de abril de 1998) e Raphael Rabello (Petrópolis, 31 de outubro de 1962 — Rio de Janeiro, 27 de abril de 1995)
Mistério
A Ribeirinha (ou Cantiga de Guarvaya)
No mundo non me sei parelha,
mentre me for’ como me vay,
ca já moiro por vos – e ay!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraya
quando vus eu vi en saya!
Mao dia me levantei,
que vus enton non vi fea!
E, mia senhor, des aquel di’ay!
me foi a mi muyn mal,
e vos, filha de don Paay
Moniz, e ben vus semelha
d’aver eu por vos guarvaya,
pois eu, mia senhor, d’alfaya
nunca de vos ouve nen ei
valia d’a correa.
Paio Soares de Taveirós (Reino da Galiza, província portuguesa do Minho, Portugal, 1200 – Morte, Desconhecida) – Foi um trovador da primeira metade do século XII, descendente da pequena nobreza galega. Foi o autor da célebre Cantiga da Garvaia, durante muito tempo considerada a primeira obra poética em língua galaico-portuguesa
Valdir Ricardo: Deusa da justiça, Encantador de peixes e O ribeirinho
Quadros: todos em acrílico sobre tela
Deusa da justiça
Dimensão: 60 x 40 cm
Encantador de peixes
Dimensão: 60 x 40 cm
O ribeirinho
Dimensão: 35,5 x 56 cm
Valdir Ricardo Francisco, é natural de São José dos quatro Marcos (MT). Morava com sua mãe e seu padrasto na zona rural. Aos 8 anos de idade foi deixado em um orfanato na cidade de Cáceres-MT, no ano de 1989 foi transferido para outro orfanato na mesma cidade, onde teve acesso a várias denominações artísticas, mediante seus conhecimentos pela arte se apaixonou por artes plásticas, e acredita que a arte é transformadora, pois aquele pequeno jovem desacreditado e julgado pela sociedade como um perdido, ou mais um sem futuro, se apoiou aos ensinamentos da arte, vencendo o pré-conceito, a tristeza e até mesmo a ausência de seus pais, tornando um cidadão com olhar visionário, para a transformação da arte e cultura de uma sociedade com perspectiva de vida. hoje é artista plástico, arte-educador. Licenciatura em artes visuais, pela Unar Araras (SP) e geografia pela UNEMAT Cáceres (MT), especialização em educação para jovens e adultos (EJA). Atualmente é professor da educação básica na disciplina de arte, Seduc, na escola São Luiz em Cáceres-MT.
Contatos:
www.instagram.com/artemat.mt
www.instagram.com/vr.artes
vr.artes1@gmail.com
WhatsApp: (65) 9 9813-0721
Fundo do mar (Recém emoldurado)
Canção
Há coisas esplêndidas acontecendo
No mundo,
Coelhinho.
Há uma donzela,
Mais doce que o som do salgueiro,
Mais suave que água rasa
Correndo sobre seixos.
No domingo,
Ela veste um casaco longo,
Com doze botões.
Conta isso à tua mãe.
Wallace Stevens (Reading, Pensilvânia, Estados Unidos, 2 de outubro de 1879 — Hartford, Connecticut, Estados Unidos, 2 de agosto de 1955). In “Others: A Magazine of the New Verse”, revista de poesia de vanguarda que circulou em Nova York, 1916. Tradução de Paulo Henriques Britto (Rio de Janeiro, 1951)
Flor, flor, flor
Declaração de amor
Minha flor, minha flor, minha flor, minha flor.
Minha prímula, meu pelargônio, meu gladíolo, meu botão-de-ouro.
Minha peônia, minha cinerária, minha calêndula, minha boca-de-leão.
Minha gérbera.
Minha clívia.
Meu cimbídio.
Flor, flor, flor.
Floramarílis, floranêmona, florazálea.
Clematite minha.
Catléia, delfínio, estrelítzia.
Minha hortensegerânea.
Ah, meu nenúfar, rododendro e crisântemo e junquilho meus.
Meu ciclâmen, macieira-minha-do-japão.
Calceolária minha.
Daliabegônia minha, forsitiaíris, tuliparrosa minhas.
Violeta… Amor-mais-que-perfeito.
Minha urze.
Meu cravo-pessoal-de-defunto.
Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte.
Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987)