Recordação de uma noite de verão

Do alto do céu um anjo enraivecido
tocou o alarme para a terra triste.
Endoidaram cem jovens pelo menos,
caíram pelo menos cem estrelas,
pelo menos cem virgens se perderam:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Nossa velha colméia pegou fogo,
nosso potro melhor quebrou a pata,
os mortos, no meu sonho, estavam vivos
e Burkus, nosso cão fiel, sumiu,
nossa criada Mári, que era muda,
esganiçou de pronto uma canção:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Os ninguéns exultavam de ousadia,
os justos encolhiam-se e o ladrão,
mesmo o mais tímido, roubou então:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Sabíamos da imperfeição dos homens,
de suas grandes dívidas de amor:
mas era singular, ainda assim,
o fim de um mundo que chegava ao fim.
Jamais tão zombeteira esteve a lua
e nunca foi menor o ser humano
do que foi nessa tal noite em questão:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Perversamente em júbilo, a agonia
sobre todas as almas se abatia,
os homens imbuíram-se do fado
recôndito de cada antepassado
e, rumo a bodas de um horror sangrento,
seguia embriagado o pensamento,
o altivo servidor do ser humano,
este, por sua vez, mero aleijão:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Pensava então, pensava eu, todavia,
que um deus negligenciado voltaria
à vida para me levar à morte,
mas eis que vivo e ainda sou o mesmo
no qual me converteu aquela noite
e, à espera desse deus, recordo agora
uma só noite mais que aterradora
que fez um mundo inteiro soçobrar:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.

Endre Ady (Érmindszent, Áustria-Hungria, atual Ady Endre, Romênia, 22 de novembro de 1877 – Budapeste, Hungria, 27 de janeiro de 1919) foi um poeta, contista e jornalista húngaro da viragem do século XIX. Considerado por muitos como o maior poeta húngaro do século XX, inaugurou a era do lirismo moderno na Hungria. Ele foi o grande revolucionário da poesia húngara moderna, conhecido por introduzir temas de simbolismo, modernidade, patriotismo crítico e erotismo. Tradução de Nelson Ascher, publicada originalmente na revista Dicta & Contradicta

Desenho e grafites da prima Celize Mattosinho Davanso

Celize Luchezi Mattosinho Davanso, nascida em Dois Córregos, SP, residente em Rondonópolis, MT e formada pela FCT UNESP – Presidente Prudente, SP.

Uma amiga dela, Marlene Trouva, comenta sobre o desenho em lápis de cor e grafite “Frade e cachorro”, o primeiro acima: “Esse lindo trabalho, foi um presente de uma querida aluna e amiga Celize Mattosinho Davanso ❤”. Eu também considero todos eles presentes para mim, com carinho…

Indicada pela prima Beatriz Lucchesi Mattosinho (Bia) de Dois Córregos, SP, e residente atualmente em São Paulo, que diz: “Tenho uma irmã que se chama Celize, ela desenha lindamente no grafite. Vou te passar o contato dela, fale com ela também. Tenho certeza que você vai adorar o trabalho dela. Já falei com ela, converse com ela que vocês vão se entender!☺️. Ela faz desenhos lindíssimos”.

Contatos:
www.facebook.com/celize.mattosinhodavanso
www.instagram.com/celizedavanso
WhatsApp: (66) 9 8137-0202

Dupé Ferreira da Silva: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP) 2

Dupé Ferreira da Silva

👨‍🎨 Artista plástico da APBP
👨‍🎓 1° Concurso Internacional APBP Brasil
👥 Serviço social
🗣 Palestrante
👨🏾‍🏫 Ministrante de oficinas

Domingos Ferreira da Silva, conhecido como Dupé, é um artista plástico brasileiro que pinta suas obras com os pés. Nascido em 17 de novembro de 1971, em Aragarças, GO, com as mãos e os braços atrofiados. Desde pequeno desenvolveu todas as suas atividades diárias com os pés, começando a pintar com apenas 7 anos de idade. Além da pintura, Dupé também toca teclado e já se formou em Serviço Social e Pedagogia, além de atuar como palestrante. Utiliza técnica acrílica sobre tela com forte presença de paisagens da região Centro-Oeste. É integrante da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP).

Estilo de pintura: Com o pé
Técnica: Acrílica
Título da obra: “Amor de margarida”

APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés.

Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
(11) 5053-5100
apbp@apbp.com.br
https://apbp.com.br/home
www.instagram.com/dupeferreira

Pulando o muro

Tô na porta da casa dela
Quem nunca fez loucura de amor
Que atire a primeira pedra

Toquei a campanha ela não me atendeu
Mandei mensagem ela me bloqueou
Olhei pro lado e pensei comigo
Será que eu faço, será que eu vou

Lá vai o louco pulando o muro
Com buquê de flor na mão
Cachorro latindo
A polícia chegando
A vizinha gritando
Pega ladrão
Lá vai o louco pulando o muro
Com buquê de flor na mão
Cachorro latindo
A polícia chegando
A vizinha gritando
Pega ladrão

Oh seu polícia quem roubou foi ela
Se tem uma criminosa aqui ela
Sem faca, sem roupa ela me roubou
Meu coração tá lá na cama dela
Oh seu polícia quem roubou foi ela
Se tem uma criminosa aqui ela
Sem faca, sem roupa ela me roubou
Meu coração tá lá na cama dela

Breno, Caio Cesar, Thawan Alves, Lucas Macenna. Canção de enorme sucesso interpretada pela dupla sertaneja Zé Neto & Cristiano

Setiembre

De sus visceras muertas
ha parido la noche
el secular furor de los esclavos:
cólera desolada
y escarlata.

Profunda
entre la oscuridad y la neblina.

Antes que el alba llegue:
de los valles oscuros,
de los montes,
de las selvas lejanas,
de los delgados campos,
de los valles fangosos,
periferia,
ciudad,
cortijos,
de los refugios y de las barracas,
de fábricas, estaciones y depósitos,
de graneros
factorías
molinos
bodegas
canteras
oficinas:
sobre calles y cuestas
en alto
sobre derrumbes, precipicios, peñas,
por desmontes
y terraplenes,
a través de los bosques amarillos de otoño,
a través de pedregales,
a través de sórdidas guaridas de culebras,
agua,
turbios arroyos,
jardines,
prados,
viñas,
pastizales,
zarzas,
matorrales de espinas,
ciénagas y pantanos.
Rotos,
embarrados,
hambrientos,
afligidos,
quemados por el hielo y por la fiebre,
escarnecidos por el sufrimiento,
lisiados
y deformes,
hirsutos,
negros,
lacerados,
descalzos,
ignorantes,
salvajes,
furibundos,
revueltos,
        sin cánticos ni rosas
        sin tambor ni fanfarria
        sin clarinete o tímpano
        sin organillos
        ni pífanos, ni trompas, ni trompetas:
con sacos rotos en bandolera,
no con espadas centelleantes en el puño
sino con plebeyos garrotes
en las manos,
campesinos con palos,
con pértigas,
picanas,
azadones,
horquetas,
con huascas
y con hachas
y con guadañas
y con girasoles:
        jóvenes y viejos,
de todas partes,
bajan desenfrenados
como un piño animal que se desborda,
como el tumulto innumerable
de los toros heridos,
con gritos,
con aullidos,

– y sobre ellos la cúpula de la noche de piedra:
en desorden se lanzan
avanzando:
        frenéticos
        terribles
        y solemnes:
       Es el pueblo!

(Advertencia para la persona que lea: el recitador subirá el tono de la voz desde “jóvenes y viejos” hasta «es el pueblo». la última línea debe ser dicha con voz estentórea)

Aquí termina el poema de Geo Milev.

Perdonen ustedes mi inasistencia.

Desde Isla Negra saludo a Bulgaria antigua y nueva, patria de todas las rosas, madre de héroes y poetas. Y la saludo también porque se parece a Chile, como se parecen dos copas de vino, dos gotas de lluvia, dos ríos, dos montañas, como dos manos que se estrechan en el mismo camino.

Saludo a Bulgaria, a su corazón indomable.

Neruda

Isla Negra Set. 1970

Geo Milev (Radnevo, Bulgária, 15 de janeiro de 1895 – Sófia, Bulgária, 15 de maio de 1925) foi um importante poeta modernista e expressionista, ensaísta, tradutor e jornalista búlgaro. Misturando forte engajamento social, fúria revolucionária e estética modernista, ficou imortalizado pelo poema épico, que ora apresento, Septemvri (Setembro), sobre a Revolta de Setembro na Bulgária durante os levantes de 1923, pelo qual é mais conhecido e que retrata essa revolta e clama pela revolução com versos fortes e ritmo acelerado. Seus temas foram a opressão social, revoltas populares, os horrores da guerra e a transformação da humanidade. Tradução e comentário de Pablo Neruda