Eu antes fugia
de quem queria,
engolia o inverno
seco
frio
Me lavava
sem água
sem escorrer
E me secava,
comia primavera
e mastigava
o que era de mim
descaminhava
a estação
e ava,
ava,
ava
Mas você verá
vocês vão ver
eu Verão.
Juliana Cajives (Goiânia, Goiás, criada em Palmas, Tocantins, 1992). Ontem ela foi a vencedora da 68ª edição do Prêmio Jabuti 2026 na categoria “Escritor Estreante – Poesia” com seu livro “História a que ninguém deu nome”, Editora Mormaço Editorial. A poesia de Juliana Cajives caracteriza-se por versos livres, narrativas descritivas e uma linguagem voltada ao tangível, ao concreto e ao agridoce. Sua obra explora reflexões profundas, franqueza e a observação do cotidiano. Os vencedores da 68ª edição do Prêmio Jabuti, o mais prestigioso prêmio literário do país, foram anunciados nesta terça-feira, 27 de outubro, durante cerimônia realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) na Sala São Paulo, na capital paulista. “Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio”, de Ruy Castro e editado pela Companhia das Letras, foi o grande destaque da noite, conquistou o prêmio de “Livro do Ano” pelo segundo ano consecutivo e também venceu na categoria “Biografia e Reportagem”