A República foi proclamada em 1889 pelo marechal Deodoro da Fonseca. Na verdade, além de pequenos incidentes, não houve reação à Proclamação da República. Também não houve grandes manifestações populares de apoio, pois o povo ficou distante, alheio ao que se passava. O movimento republicano resultou principalmente da ação de grandes proprietários, que tinham interesse em ocupar o poder através deste movimento. O exército foi utilizado como força capaz de derrubar a Monarquia, especialmente levando-se em conta sua insatisfação diante do governo.
No período inicial da República ocorreu uma substituição dos grupos dominantes. A antiga oligarquia açucareira foi substituída pela nova oligarquia do café. O novo grupo dominante consolidou-se no poder através do fortalecimento das oligarquias estaduais (coronelismo), que controlava todos os eleitores garantindo sempre a maioria dos votos. Dai, passou-se à política dos governadores, que transformou-se rapidamente em política do café com leite , segundo a qual revezavam-se na Presidência da República políticos de São Paulo e Minas Gerais. Esse período foi marcado por intensas lutas políticas com rebeliões militares e revoluções populares, que foram sempre energicamente reprimidas pelo governo.
O movimento operário brasileiro começou a se desenvolver durante as primeiras décadas do regime republicano, no começo deste século. Graças à influência dos imigrantes europeus, que vieram trabalhar como assalariados rurais e urbanos, foram divulgadas as ideias de organização operária, com destaque para os anarquistas. O movimento operário foi mais intenso em São Paulo, Rio de Janeiro e nos estados do sul do país, onde foi maior a imigração e mais avançado o processo de industrialização. A luta operária dirigiu-se, de modo especial, contra as condições de trabalho existentes, combatendo os baixos salários, excessivo número de horas de trabalho e as péssimas condições de trabalho das mulheres e dos menores. Os movimentos de maior destaque foram: a marcha dos grevistas em São Paulo nas décadas de 1910 e 1920, e a greve geral de 1917, onde participaram praticamente todas as categorias profissionais. Para cerca de 500.000 operários existentes no Brasil, em 1920, havia aproximadamente mil sindicatos, demonstrando o espírito de luta e de organização dos trabalhadores.
Terminada a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), os Estados Unidos assumem a liderança mundial. No Oriente, a revolução de 1917 na União Soviética estava construindo a primeira sociedade socialista. A partir daí, e principalmente depois da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), o mundo foi dividido em duas áreas de influência. A situação mundial passou a depender muito, em cada momento, das relações entre Estados Unidos e União Soviética.
No Brasil, parcelas da população, que até então eram simplesmente excluídas da participação política e econômica, começam a pressionar para ter maior influência nos destinos do país. Intensificaram-se, também, os movimentos operários, geralmente reprimidos à força. Por sua vez, a burguesia urbana, nascida com a industrialização anterior, e setores jovens das Forças Armadas passaram a combater as regras políticas vigentes, configuradas no coronelismo e na política do café com leite. Começam a pregar a necessidade de uma revolução. Juntando-se as esses fatores a crise econômica sem precedentes, que se intensificou na segunda metade da década de 1920, tem-se o cenário propício para as várias revoltas ocorridas na época, que culminaram na derrubada do presidente Washington Luís e na ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930.
A repressão ao movimento comunista de 1935 alimentou o autoritarismo de Vargas. Com o apoio de amplos setores do Exército e das classes dominantes, e inspirado no exemplo do fascismo italiano e do nazismo alemão, Vargas passou a conspirar para perpetuar-se no poder. Esse período ficou conhecido como Estado Novo e durou de 1937 a 1945.
A partir de 1945, tem início o processo de redemocratização. Os militares, que ajudaram a derrubar Getúlio Vargas em 1945, não ficaram satisfeitos com os governos que vieram depois e muito menos com o caminho que estava tomando o processo de redemocratização. No governo de João Goulart, esse processo tomou a feição de reformas de base, com a nacionalização das refinarias de petróleo e uma tímida reforma agrária. Contra essa tendência insurgiram-se os militares, com o apoio da classe dominante (proprietários rurais e industriais), setores das classes médias e o capitalismo internacional. No período que vai de 1945 a 1964, houve uma indefinição de rumos, além de tentativas diversas de dar contorno reais à democracia expressa na Constituição de 1946.
Dos tempos do Colégio Palmares, onde estudei de 1980 a 1982, e cujas matérias de história eram ministradas pela educadora Zilda Zerbini Toscano, fundadora dessa escola, e pelo grande mestre César Barreto, que me deu aulas de história aí e no cursinho CPV, preparatório para o vestibular da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1983.