Ah, Clarice…

Ela escreve:

“Mas há os que tocam com delicadeza na beleza e na verdade. Como por exemplo na poesia de Marly de Oliveira. Vou ler um trecho de sua poesia que não tem modismos. Vou ler um trecho de um poema seu:

Como um ramo brilhante de violetas
inquietas e azuladas, sóis de outono
que a paisagem sem mira debruçava
sobre o momento e o vinho dos assombros
e sobre as ervas úmidas que a chuva
jogava nos meus olhos como sonos,
ou como um sonho pressagioso e raro,
curvei-me sobre mim e nos amamos:
eu e a distância sóbria que separa
dentro do mesmo amor, o sol do outono,
e dá cerne à paisagem, e fibra e prata,
quando a memória são silêncios longos,
disfarçando com formas sempre vagas
os rigores de um lúcido abandono”

E finaliza dizendo: “É uma beleza.”

Marly de Oliveira (Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, 11 de março de 1935 – Rio de Janeiro, 1º de junho de 2007). Poema destacado por
Clarice Lispector (Tchetchelnik, Ucrânia, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977). In “Outros escritos/ Clarice Lispector; organização de Teresa Montero e Lícia Manzo. Rio de Janeiro: Rocco, 2005

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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