Um bom dia de Páscoa para todos nós! É dia de relembrar que o amor, a paz e a esperança podem renascer e trazer novas alegrias para os nossos corações.
“Convidei minha família para participar de minha festa de auauniversário virtual de 5 anos comemorado hoje, dia 8 de abril. Na foto estamos eu (Poke), minha irmã gêmea Luna e meu pai Duby (in memoriam). “
Poke
Fotos da minha família enviadas pela dona de minha irmã Júlia Patrícia Coutinho (@juliapatricia68)
Tudo o que de mim se perde acrescenta-se ao que sou. Contudo, me desconheço. Pelas minhas cercanias passeio — não me frequento.
Por sobre fonte erma e esquiva flutua-me, íntegra, a face. Mas nunca me vejo: e sigo com face mal disfarçada. Oh que amargo é o não poder rosto a rosto contemplar aquilo que ignoto sou; distinguir até que ponto sou eu mesmo que me levo ou se um nume irrevelável que (para ser) vem morar comigo, dentro de mim, mas me abandona se rolo pelos declives do mundo.
Desfaço-me do que sonho: faço-me sonho de alguém oculto. Talvez um Deus sonhe comigo, cobice o que eu guardo e nunca usei.
Cego assim, não me decifro. E o imaginar-me sonhado não me completa: a ganância de ser-me inteiro prossegue. E pairo — pânico mudo — entre o sonho e o sonhador.
Thiago de Mello (Barreirinha, Amazonas, 30 de março de 1926 – Manaus, Amazonas, 14 de janeiro de 2022). In “Narciso cego; Seguido do Romance do primogênito” (1952)
Poema enviado por WhatsApp pela amiga Maria Isabel Pellegrini Vergueiro que me fala assim: “Vai um poeminha para você… há dias que estou com ele na cabeça.“
“Sempre gostei de desenhar, desde pequeno, fiz curso de quadrinhos, desenhava na sala de aula, vendi algumas artes nestes anos, mas realmente nunca fui muito além. Meu pai também sempre desenhou e pintou diversos quadros também, inclusive hoje desenha diariamente, (…), me inspirou bastante, tanto a começar, quanto a continuar e desenvolver essa habilidade.”
liberto os olhos do livro agora a claridade vulgar a nossa vista embaça
foi-se o tempo de tocar com as mãos como o livro, nos fechamos, imaginamos ardente o gélido pretérito presente
fria esta tarde indiferente muito não mais temos tantos ausentes seremos encolhidos aquietamos
assim vemos o vento quando ele se veste das coisas que varre neste nosso outono
Edney Cielici Dias, in “Cartas da alteridade”, Selo Demônio Negro (https://bit.ly/4oqZ1bI)- Poeta devotado ao ofício da palavra, é doutor em ciência política, economista, jornalista e editor.
“Foi no tempo em que as ruas de nossa cidade ainda tinham nomes de santos. A travessa Cônego Miguel, por exemplo, chamava-se Santo Antônio; a Serzedelo Corrêa era São Mateus; a Cipriano Santos, São João. A Senador Pinheiro não tinha nome de santo, mas chamava-se romanticamente Rua do Sol porque descia exatamente na direção onde, durante um certo tempo do ano, o sol nascia. Quem olhasse, manhãzinha, daqui de cima, tinha a exata impressão que a bola enorme do sol, durante alguns momentos, pousava sobre o leito da rua, lá em baixo. Era um quadro bonito, mas ninguém prestava atenção. Rua era para andar.
Foi no tempo em que essas ruas não tinham ainda a luz elétrica que têm hoje, mas toscos lampiões de querosene que quase nada iluminavam, quase nada clareavam. Tardinha, mal começava a escurecer, os empregados da Intendência percorriam as poucas ruas que tinham este privilégio. Abasteciam e depois acendiam. A criançada que morava por perto acompanhava a tarefa com um sorriso nos lábios, entre pulos e gritos, cada vez que uma luz aparecia. Os lampiões tinham uma luz mortiça e amarelada…”
Em 1999, um ano e sete meses antes de sua morte, Valdir Sarubbi concluiu o seu livro de memórias intitulado “Estórias Paralelas”. Dessa obra de 140 páginas seleciono o trecho acima do conto intitulado “Relato de coisa muito antiga”.
Gravura em metal do artista paraense Valdir Sarubbi e seu livro inédito – acervo família Sarubbi – edição póstuma
Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000)