Toda vez

Meu coração, toda vez que te vê
Quer gritar, se arriscar, sair cantando
Me delatando pra todo mundo
pensa que está fora de alcance

E vai me anunciando
Quando leve você passa
Me entregando assim, de graça
Nesse estado inevitável da paixão

Mas fecho os olhos então
E ele fica mudo
Meu escuro é meu escudo
E silencioso é meu coração

Christiaan Oyens (Montevidéu, Uruguai, 27 de agosto de 1964) / Zélia Duncan (Niterói, Rio de Janeiro, 28 de outubro de 1964), do CD “Acesso” (1998)

Segue o teu destino

Segue o teu destino,
rega as tuas plantas.
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós – próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, in “Odes de Ricardo Reis”, heterônimo de Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal, 13 de junho de 1888 — Lisboa, Portugal, 30 de novembro de 1935)

Vamos ter

(…)

            Vamos ter, no próximo dia, uma visita de grande importância. Não é Leão XIII, nem Bismarck, nem Crispi, nem a rainha de Madagascar, nem o imperador da Alemanha, nem Verdi, nem o marquês Ito, nem o marechal Iagamata. Não é terremoto nem peste. Não é golpe de Estado, nem câmbio a 27. Para que mais delongas? É Luiza Maria.

Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 – Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908). In “Crônicas escolhidas”

Em comemoração ao aniversário de minha querida esposa Luiza Maria da Silva Matosinho que amanhã, 11/03, completa 50 primaveras… Parabéns, te amo!