Segunda-feira

O que é mais triste que um trem?
Que parte quando deve partir,
Que tem somente uma voz,
Que tem somente um caminho.
Nada é mais triste que um trem.

Ou talvez um burro de carga.
Está preso entre duas barras
E não pode olhar para o lado.
Sua vida é só caminhar.

E um homem? Não é triste um homem?
Se vive há muito em solidão,
Se acha que o tempo terminou,
Um homem também é coisa triste.

17 de janeiro de 1946

Lunedì

Che cosa è più triste di un treno?
Che parte quando deve,
Che non ha che una voce,
Che non ha che una strada.
Niente è più triste di un treno
.

O forse un cavallo da tiro.
È chiuso fra due stanghe,
Non può neppure guardarsi a lato.
La sua vita è camminare
.

E un uomo? Non è triste un uomo?
Se vive a lungo in solitudine
Se crede che il tempo è concluso
Anche un uomo è una cosa triste
.

17 gennaio 1946

Primo Levi (Turim, Itália, 31 de julho de 1919 — Turim, Itália, 11 de abril de 1987)

Dez frases de Albert Camus

Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado“. In “O mito de Sísifo”.

Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade“. In “O mito de Sísifo”

Amar uma pessoa significa querer envelhecer com ela“. In “Calígula”

Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias“. In “A queda”

Não quero ser um gênio… Já tenho problemas suficientes ao tentar ser um homem“.

Toda a infelicidade dos homens provém da esperança“.

Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela“.

O homem tem duas faces: não pode amar ninguém, se não se amar a si próprio“.

Não há que ter vergonha de preferir a felicidade“.

Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro“.

Albert Camus (Mondovi, Argélia, 7 de novembro de 1913 – Villeblevin, França, 4 de janeiro de 1960)

Estandarte autoral de Jerônimo Miranda

Vou te mandar uma foto batida por um cliente na casa cor BH e um texto meu que  fiz para o colecionador que adquiriu meu estandarte homenagem para Oxalá.

Pedro , imagine toda essa pedraria uma a uma passando por minhas mãos, ponto a ponto e repetidamente até três vezes por unidade. Cozer um estandarte,  tapetes, bandeira, de opiniões que divergem os expectadores da Arte ,  é algo extraordinário para mim , às vezes fico a imaginar que tantos fragmentos se formaram saindo de minhas mãos,  é poder comparar as grandes dunas que se formam com minúsculos  grãos de areia. O prazer, o extinto é tão intenso que posso constar uma força sobrenatural que povoa o meu ser! Ser uma artista que já nasceu artista, filho de uma artista, gerado no ventre de uma super mãe que alimentou através de um cordão umbilical carregado de símbolos que se diz Arte. A labuta é prazerosa mais cansativa, é forca mais também fracasso, cair e levantar e saber que a criação precisa ser feita,  insistir e concluir. Nem tudo sai do jeito que se projeta , o tecido parece mortal, mas tem vida, reage e precisa ser domado , quantas agulhas se romperam , novelos e novelos de linha se entrelaçam para contar uma história narrada mais vivida na espiritualidade do meu ser. O alicate é essencial para romper as fibras de dureza , é preciso perfurar para não rasgar, é preciso equilíbrio, paciência,  suportar, muitas vezes ser furado, como se algo tivesse a necessidade de um exame de DNA. Continuo a dizer é mais fácil fazer que explicar a construção. Meus estandartes são autorais, não faço por encomenda , dinheiro é necessário,  mas jamais dinheiro paga um filho que nasceu do amor, do prazer de ser artista, convicto de meus valores,  como sempre digo, o marketing faz o preço o valor somente quem faz pode viver tamanho prazer. Enfim é minha homenagem ao maior de todos os orixás,  Jesus é necessário para acalmar a humanidade. Epà bàbá! Sou mistura de raças, sou brasileiro, nordestino, alagoano.

Jerônimo Miranda / Artista nato

Luiz Jerônimo Camelo Cabral, mais conhecido com Jerônimo Miranda, o popular “Dr.”, nasceu no dia 26 de janeiro de 1961 na cidade de Atalaia, Alagoas. Filho de Jerônimo Lopes de Miranda Cabral e Fernanda Camelo Cabral. Estudou o primário e ginásio em sua terra natal. Em Satuba fez o curso técnico de agropecuária. Em Maceió, no CESMAC, o Curso de Educação Artística (1986 – incompleto). Iniciou-se na produção artística realizando arranjos florais, com pintura à mão.

Artista plástico, autodidata, pesquisador, colecionador e marchand. Reside na cidade de Maceió desde 1989, onde veio a experimentar diversas técnicas do fazer artístico, tendo se concentrado nos últimos anos na pintura e na tapeçaria. Executa tapeçaria cuidadosa, prescindindo nos mais diversos materiais, com a consciência daquilo que expressa, mas sem perder o vigor na espontaneidade com que se mistura elementos cotidianos como um espelho, miçangas, cacos de vidro e uma calça jeans bordados lado a lado. Formado em agropecuária onde aprendeu a amar e respeitar a natureza, fonte de suas inspirações. Viveu e conviveu com o povo, desenvolvendo o gosto apurado pela arte de raiz.

Pinta e borda… Seus estandartes estão expostos no Museu Afrobrasil em São Paulo sob a curadoria de Emanuel Araújo e na coleção do Instituto Carlos Augusto Lira em Recife – PE sob a curadoria da antropóloga do Museu do Homem do Nordeste Ciema Silva de Melo.

Contatos:
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www.instagram.com/jeronimomiranda.miranda
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WhatsApp: (82) 9 8160-9469

É preciso também não ter filosofia nenhuma

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal, 13 de junho de 1888 — Lisboa, Portugal, 30 de novembro de 1935)