Mês: abril 2025
Poe(mú)si(c)a
Dançarei pelado na cratera da lua
Mesmo sem saber onde termina
A minha e onde começa a tua
Rebolarei embaixo da marquise
Triste trópico paraíso
Se eu dissesse que eu ia
Você ia e eu não ia
Deixa a tristeza deitar
Rolar na minha cama
Um milhão, trilhão de vezes
Reviro alegria
Salto pro amor
Um vício só pra mim não basta
É uma inflação de amor incontrolável
Waly Salomão (Jequié, Bahia, 3 de setembro de 1943 – Rio de Janeiro, 5 de maio de 2003)/ Roberto Frejat (Rio de Janeiro, 21 de maio de 1962)
Encaixando
Voz do outono
Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
– Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima solidão,
Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel devesa,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da ilusão!
Mais valera a tua alma visionaria,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba varia,
(Sem ver uma só flor das mil, que amaste,)
Com ódio e raiva e dor – que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!
Antero de Quental (Ponta Delgada, Portugal, 18 de abril de 1842 – Ponta Delgada, Portugal, 11 de setembro de 1891)
Para “auau” béns Poke!
Nesse 8 de abril nossa cachorrinha querida, Poke, está aniversariando: 8 anos de pura alegria. Viva ela e longa vida!
É o que desejam João, Luiza e eu, Eduardo…
Acalanto
Meio-dia
Ao meio-dia a vida
é impossível.
A luz destrói os segredos:
a luz é crua contra os olhos
ácida para o espírito.
A luz é demais para os homens.
(Porém como o saberias
quando vieste à luz
de ti mesmo?)
Meio-dia! Meio-dia!
A vida é lúcida e impossível.
Orides Fontela (São João da Boa Vista, São Paulo, 1940 — Campos do Jordão, São Paulo, 1998). Postado recentemente pela amiga Celi Audi em seu perfil do Facebook
Campo belo
Primeiro poema de outono
Mais uma vez é preciso
reaprender o outono –
todos nós regressamos ao teu
inesgotável rosto
Emergem do asfalto aquelas
inacreditáveis crianças
e tudo incorrigivelmente principia
Já na rua se não cruzam
olhos como armas
Recebe-nos de novo o coração
E sabe deus a minha humana mão
Ruy Belo (São João da Ribeira, Rio Maior, Portugal, 27 de fevereiro de 1933 — Queluz, Sintra, Portugal, 8 de agosto de 1978). In “Todos os poemas I”. Cidade. Assírio & Alvim, 2004