Mês: maio 2025
Espiral 1
No oculto do ventre,
o feto se explica como o Homem:
em si mesmo enrolado
para caber no que ainda vai ser.
Corpo ansiando ser barco,
água sonhando dormir,
colo em si mesmo encontrado.
Na espiral do feto,
o novelo do afeto
ensaia o seu primeiro infinito.
Mia Couto (Beira, Moçambique, 5 de julho de 1955). In “Tradutor de chuvas”
Cristo
A açucena
Sou de neve e sou de prata
Baptizei-me em Nazaré;
Fui bordão dum carpinteiro
Que se chamava José.
São José levou-me um dia
Do canteiro onde nasci;
Corri toda a Galileia,
Terras-Santas percorri.
A prata das minhas folhas
Veio toda, por meu bem,
Das suas barbas nevadas
E dos seus olhos também.
Vai o povo com seu jeito,
Que é de lenda e que é de fé,
Ampara as crenças velhinhas
Ao bordão de S. José.
S. José deu-me a virtude,
S. José deu-me o condão
De amparar quem é velhinho
Às folhas do meu bordão.
Adolfo Rodrigues da Costa Portela (Além da Ponte, freguesia de Recardães, Águeda, Portugal, 16 de agosto de 1866 – Fundão, Portugal, 17 de novembro de 1923). In “O livro de leitura da 3.ª classe”
Dumonte
Cancro
Caracol
Garra
Labirinto
Serpente
Ursa
Flores são flores
Frente / flores
ampla / são
pensada / flores
pelo PCURSS / de
russo / plástico
Seu Cartola
Sentido
Sentido
Preciso
Preciso
Sentido
Preciso
de
sentido!
Dormir
preciso