Crisantemas

Tão longe do Fúsi-no-Yama,
No nosso outono, as exiladas
Crisantemas da terra em chama,
Florescem em tardes geladas.

Do seu canto natal de flama
Ainda mal desacostumadas,
Florescem em tardes geladas,
Tão longe do Fúsi-no-Yama!

E uma noite negra de lama,
As que viam noites doiradas,
Caem nas charcas, desfolhadas…
Longe de tudo o que se chama,
Tão longe do Fúsi-no-Yama!

Alberto Osório de Castro (Coimbra, Portugal, 1 de março de 1868 – Lisboa, Portugal, 1 de janeiro de 1946). In “Exiladas”, 1895

104 anos de Sr. Edmundo e 80 da abertura da Farmácia Santo Antônio

Os fac-símiles dos documentos e as páginas escaneadas do livro de registros acima mostram um pouco do histórico profissional do prático de farmácia Edmundo de Oliveira Matosinho, meu querido e amado pai, “paizinho”, como eu o chamava. Em 1945 ele abriu a primeira farmácia da Vila Odilon, em Ourinhos-SP, que chamou de Farmácia Santo Antônio, e a estabeleceu na antiga Rua Paranapanema, nº. 616, atual Rua Padre Rui Cândido da Silva.

Ele a administrou até agosto de 1972, ou seja, durante cerca de 27 anos, sendo que depois ela teve outros proprietários que mantiveram o mesmo nome original. Ela ficou aberta até o final de 1999, totalizando quase 55 anos de serviços prestados à população da Vila Odilon e adjacências.

Hoje Edmundo é nome de rua, situada no Jardim Recanto dos Pássaros III em Ourinhos/ SP, próxima ao rio Pardo, homenagem criada pela Lei n° 6.062 de 14 de abril de 2014, de autoria do ex-vereador Lucas Pocay Alves da Silva, que foi por duas vezes prefeito ourinhense, e sancionada em 22 de abril desse mesmo ano pela antiga prefeita Belkis Gonçalves Santos Fernandes.

Edmundo teve sua vida toda ligada ao interior paulista. Se estivesse vivo hoje faria 104 anos. Nasceu em 13 de maio de 1921 na pequena cidade de Dois Córregos-SP, bem próximo à Jaú-SP, e viveu a primeira infância na área rural do município.

Conversando na tarde de hoje (14/05) pelo WhatsApp com o primo Paulo Sérgio Vianna Mattosinho, ele me contou que Seu Edmundo começou a atuar em farmácia com o avô dele e tio do pai de Paulo Sérgio, o Quinzote, em Timburi-SP. Quinzote veio de Botucatu-SP para Timburi em 1923 e comprou essa farmácia que se chamava Santa Cruz, depois a vendeu, em 1944, para um funcionário que trabalhou anos com ele chamado Theodoro e mudou-se para São Paulo. Acrescenta Paulo Sérgio que meu avô Hildebrando de Oliveira Matosinho administrava a fazenda do avô dele. Hildebrando era primo de minha avó Euthymia de Oliveira Matosinho, irmã do avô dele, e Hildebrando primo do avô dele. Todos eram Oliveira Matosinho. Disse que pelo que saiba eles vieram para Timburi em 1937, depois do falecimento de outro irmão do avô de Paulo Sérgio, o João, que também administrava a fazenda. O João faleceu em 1935 e foi sepultado em Timburi. Conclui dizendo que meu pai Edmundo foi para Ourinhos em 1939, junto com o seu irmão Mauro, para trabalharem.

* Dois Córregos-SP, 13 de maio de 1921 – + São Paulo-SP, 6 de agosto de 1999

Eterno farmacêutico!

Sementeira

Na encosta de uma serra havia um carrascal
Onde nascia o tojo, a esteva, um matagal.
Um dia entrou com êle a foice roçadoura;
Meteram a charrua e fez-se a lavoura.
Foi revolvida a terra e feita a sementeira.
Algum tempo depois, já parecia um mar
O vento sobre o trigo ao longe a ardear!
Foi crescendo, crescendo; a espiga bem dourada
Com o calor do estio em pouco foi ceifada.
E produziu bom pão o terreno maninho,
Onde apenas vencia a urze e o rosmaninho!

Agora quando eu olho essa encosta da serra,
Vejo que é uma lição que nos ensina a terra!

A sociedade é o monte. A escola é o arado.
Quando abrindo o sulco, olhai vá bem guiado…
Depois é semear. Será bela a colheita
Se a semente fôr bôa, e a lama fôr bem feita.

Também hão de dar pão essas searas novas
E darão muita luz à humanidade inteira…

Abri a terra, abri, fazei a sementeira…

Alda Guerreiro (Santiago do Cacém, Portugal, 6 de janeiro de 1878 – Santiago do Cacém, Portugal, 1 de fevereiro de 1943)

Epigramas

I

Amigo, estou tão poeta
que em versos consumo o dia.
Tomara achar um remédio
que me curasse a mania.
Se queres gelar o estro,
isso está na tua mão:
Lê as odes de Filinto
e os sonetos do Garção.

II

Brevemente sai à luz
obra de um gênio distinto:
Uma versão portuguesa
da Opera Omnia de Filinto.

III

Amigo, tive esta noite
negro, horrível pesadelo;
ainda ao lembrar-me dele
se me arrepia o cabelo.
Deus te livre, e livre a todos,
de sentir o que inda sinto:
Pois não sonhei que me liam
três páginas do Filinto?

IV

Exclamou certo avarento
a um que se ia enforcar:
“– Feliz homem, que três dias
Pôde comer sem gastar!”.

V

André Pinto andar não pode,
manda médico chamar.
Chega o médico… Receita…

E André Pinto põe-se a andar!

António Feliciano de Castilho (Lisboa, Portugal, 28 de janeiro de 1800 – Lisboa, Portugal, 18 de junho de 1875)