Amiga, o coração seu

Amiga, muit’ha gran sazón
que se foi d’aquí con el-rei
meu amigo, mais ja cuidei
mil vezes no meu coraçón
      que algur morreu con pesar,
      pois non tornou migo falar.

Porque tarda tan muito lá
e nunca me tornou veer,
amiga, si veja prazer,
máis de mil vezes cuidei ja
      que algur morreu con pesar,
      pois non tornou migo falar.

Amiga, o coraçón seu
era de tornar ced’aquí,
u visse os meus olhos en mí,
e por én mil vezes cuid’eu
      que algur morreu con pesar,   
      pois non tornou migo falar.

Dom Dinis, 6º rei de Portugal (Santarém, Portugal, 9 de outubro de 1261 – Lisboa, Portugal, 7 de janeiro de 1325). In “Antologia poética”

Herê Fonseca: Corpus Christi e seu tapete devocional

Nesta quinta-feira, 19 de junho, as ruas do centro histórico de Diamantina ganharam cor e devoção com a confecção dos tapetes devocionais de Corpus Christi. A ação contou com a participação das paróquias, dos alunos das escolas que integram o programa municipal de educação patrimonial, De Olho no Patrimônio e de Herê Fonseca.

Herê Fonseca vive e trabalha em Diamantina, MG. Nasceu em 1975, em Alfenas, MG, morou em Sorocaba, SP; em Cuiabá, MT; no Rio de Janeiro, RJ; em Vitória, ES e em Piracicaba, SP. Trabalhou no atelier do pai, Tião Fonseca, com esculturas e diversas técnicas em artes plásticas. Tem curso superior em Artes Plásticas, com licenciatura em Educação Artística, Tatuí, SP. Realizou vários cursos de aperfeiçoamento em Artes Visuais entre eles Arte e Cidade na Universitat Politecnica da Catalunya, Barcelona, Espanha, em 2006 e O exercício e a Compreensão das Artes Plásticas Contemporâneas na Pinacoteca Miguel Dutra, Piracicaba, SP, em 2007.
Foi selecionado e catalogado pelo Mapa Cultural Paulista expondo na Sala São Paulo da Estação Julio Prestes com a obra “Defesa”. Selecionado pelo 6º Salão de artes plásticas de Cerquilho, SP, na modalidade pintura.
Entre as exposições individuais estão: Fragmentos, traços e cacos em composição, 2018, Pátio Cianê, Sorocaba, SP; Combinatórias, 2017, Hall da Câmara Municipal de Sorocaba; Combinatórias, 2016, Galeria do Palacete Scarpa, Musicarte no hall do Teatro da UFMT, 2015; Cubo Negro no MACP e Pavilhão das Artes em Cuiabá, 2011, curadoria de Ludmila Brandão; Trilhas dos traços, no MISC, Cuiabá MT, 2010; Esculturas em Movimento na Casa de Cultura da América Latina em Brasília, DF, 2009; Oscilações no Sesc Arsenal em Cuiabá, MT, 2009; Exposição de máscaras no Ateliê Herê Fonseca em Piracicaba, SP, 2008; Aéreas, na Galeria Unimep, Piracicaba, SP, 2005; Espaço aquário em Votorantim, SP, 2003; Garatujas ao vento na Casa do Povoador, Centro Cultural da Rua do Porto em Piracicaba, SP, 2001, Ensaios, na Galeria UNIMEP, 1998.
Realizou várias exposições coletivas entre elas: O que é que a cidade tem? curadoria de José Serafim Bertoloto em 2015; Percurso no MACP curadoria de Aline Figueiredo em 2014; In Dios sincronias no MACP Cuiabá, MT , 2013; Mostra de Arte Contemporânea Pavilhão das Artes Cuiabá, MT, 2012; Panorama das Artes mato-grossenses, PAM, 2012, Circuito Cultural Setembro Freire, Pavilhão das Artes, Cuiabá, MT, 2010; Mostra de Arte Contemporânea no Engenho Central, Piracicaba, SP, 2004; Fragmentos e Segmentos da Arte Contemporânea, Galeria do Teatro Losso Neto, Piracicaba, SP, 2000.
Entre as cenografias estão a do curta-metragem Bolhas de Sabão desmancham no ar e Licor de Pequi de Marithe Azevedo. Trabalha com esculturas aéreas em movimento, esculturas estáveis, tempera sobre papel, acrílico sobre tela, murais, esculturas em argila, máscaras, empapelamentos, pinturas em seda, objetos. De 2009 a 2015 participou de intervenções/poéticas urbanas na cidade de Cuiabá com o coletivo à deriva, prêmio Salão Jovem Arte de 2012 com a instalação Cidade Reinventada.

Contatos:
www.facebook.com/here.fonseca
www.instagram.com/herefonseca
www.instagram.com/vivadiamantina
herefonseca@gmail.com
WhatsApp: (15) 9 8146-1552
http://arteherefonseca.blogspot.com

A al-mutamid

fitei intensamente a lua:
era o teu rosto
na noite do desespero.
de ti tive abundância
em tempo de penúria.
pude viver em graça
no abrigo que me davas.

ai, a saudade dessa estima antiga!
doce era ser sob a tua sombra:
errava no verde prado
perto da fonte de água fresca!

Ibn ʿAmmār, pseudônimo de Abubecre Ibne Amar ou Abenamar (Aldeia de Xanabus, Alandalus, Península Ibérica na época do domínio islâmico, 1031 — 1086)

Começo

Vejo-te um pouco como se já não houvesse
uma casa para nós. As grandes perguntas estão aí
por todo o lado, onde quer que se respire, dentro
dos próprios frutos. É o começo da noite
e os cinzeiros já estão cheios de meias palavras:
porque escolhemos tão pouco
aquilo que nos pertence?
Vejo-te de olhos fechados enquanto me confiavas
a tua história – à mesa da cozinha, quase um espelho,
quase uma razão. As minhas canções preferidas
pareciam convergir para ti a certa altura, dir-se-ia
que te vestias com elas. E no entanto
como se apressaram as grandes florestas a invadir
as gavetas, como misturaram as raízes
no eco que fazia o teu desejo contra mim.

Rui Pires Cabral (Chacim, aldeia do concelho transmontano de Macedo de Cavaleiros, Portugal, 1 de outubro de 1967). In “A super-realidade”, 2011

Se

Bateu saudade
Escrevo o certo por
linhas t     r            s
                 o       t
                              a

Não sei o que pensei
se pensei foi pra valer
Ou melhor
Pensei no que pensei
parei não sei dizer
Quero te encontrar dançar
e rebolar pra danar
e estar com você

N(e)sse te(u) an(m)o