Mês: setembro 2025
Passeio – 20
De um exílio passado entre a montanha e a ilha
Vendo o não ser da rocha e a extensão da praia.
De um esperar contínuo de navios e quilhas
Revendo a morte e o nascimento de umas vagas.
De assim tocar as coisas minuciosa e lenta
E nem mesmo na dor chegar a compreendê-las.
De saber o cavalo na montanha. E reclusa
Traduzir a dimensão aérea do seu flanco.
De amar como quem morre o que se fez poeta
E entender tão pouco seu corpo sob a pedra.
E de ter visto um dia uma criança velha
Cantando uma canção, desesperando,
É que não sei de mim. Corpo de terra.
Hilda Hilst (Jaú, São Paulo, 21 de abril de 1930 — Campinas, São Paulo, 4 de fevereiro de 2004). In “Exercícios”. São Paulo: Editora Globo, 2001
Beno Ink: Queen’s gambit, The path e Liquid machine
“Apresento novidades! Estou cada dia aprendendo mais sobre esse mundo artístico e como criar uma carreira nele. Não sou muito fã de redes sociais, então eu estou agora mantendo o YouTube e o site apenas. Tenho recebido críticas, mas é o que eu acredito e fico mais à vontade em cuidar. Vamos ver como as coisas se desenrolam.”
E acrescenta:
“Se você for daqui a região de Botucatu-SP você poderá encontrar artes minhas exclusivas, originais e cópias assinadas, nessas lojas:
– Vilarejo
– Feira Cultural Demétria (no 2º sábado de cada mês no bairro Demétria)
Obrigado por acompanhar todo esse movimento! Agradeço a todos pelo apoio! ❤️
Meu canal no YouTube:
https://youtube.com/@beno.inkart?si=HJKGc7udCP5qAp3
E meu site com artes à venda“:
Beno Ink
Contatos:
beno.inkart@gmail.com
WhatsApp: (11) 9 6068-5300
Passei de ano
A alma dos vinte anos
A alma dos meus vinte anos noutro dia
Senti volver-me ao peito, e pondo fora
A outra, a enferma, que lá dentro mora,
Ria em meus lábios, em meus olhos ria.
Achava-me ao teu lado então, Luzia,
E da idade que tens na mesma aurora;
A tudo o que já fui, tornava agora,
Tudo o que ora não sou, me renascia.
Ressenti da paixão primeira e ardente
A febre, ressurgiu-me o amor antigo
Com os seus desvairos e com os seus enganos…
Mas ah! quando te foste, novamente
A alma de hoje tornou a ser comigo,
E foi contigo a alma dos meus vinte anos.
Alberto de Oliveira (Saquarema, Rio de Janeiro, 28 de abril de 1857 — Niterói, Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 1937). In “Poesias, 4ª série”, 1928
Parísina SempreViva: Técnica mista, desenho, bordado, pintura e aplicação
“Este ano fui selecionada para FIAN (Festival Internacional de Arte Naif) da Paraíba com 2 obras. A abertura foi no Museu Municipal de Guarabira, depois foi para a Caixa Cultural de Fortaleza e em breve (semana que vem) estará em Brasília também na Caixa Cultural. Também está circulando a exposição MamAfrica que semana que vem abrirá no Museu do Porto em Santos, depois irá para Brasília e finalizará em Cuba. Já esteve em Salvador. Na exposição MamÁfrica sou a artista representante do estado de Minas Gerais e do Vale do Jequitinhonha. No primeiro semestre também participei da exposição Estado da Arte, do Estado de Minas Gerais , em Belo Horizonte, Expominas com algumas obras representando o Vale do Jequitinhonha, nossas apanhadoras de flores sempre-vivas. Mês passado participei da 50 Semana de Portinari, no Museu casa de Portinari com vários artistas, mais de 300 obras e as minhas foram umas das premiadas pelo júri técnico. Para dezembro participarei de uma exposição sobre Presépios na Paraíba a convite do curador Geo Oliveira do Museu do Artesanato Paraibano . Tenho feito muitas fotografias bordadas de Diamantina e região. Também estou participando como uma das artistas da Galeria da Chica aberta recentemente em aqui em Diamantina.”
Parísina SempreViva
Professora de Artes / Artista Visual / Pesquisadora / Curadora / Poetisa Brincante/ Ilustradora/ Mestra Bordadeira
Parísina Éris Ilíade Tameirão Ribeiro mora em Diamantina – MG é professora de Artes da rede estadual de Minas Gerais. Já atuou na cadeia têxtil em Brusque – SC com as empresas Colcci, Buetner, entre outras. É licenciada e pós-graduada em Artes Visuais, bacharel e pós-graduada em Administração de Empresas-Gestão Humana.
No ateliê Parísina SempreViva desenvolve obras de arte, acessórios de moda e joalheria artesanal, produtos artesanais de identidade cultural em bordados, pinturas, fotografias e técnicas mistas.
Participa do cenário nacional e internacional com exposições coletivas e individuais em Arte Naïf e Têxtil além de ser conselheira de cultura.
Sua grande paixão são os temas Patrimônio Material e Imaterial, Arte Popular em especial as mineiras e as catarinenses.
Contatos:
www.facebook.com/parisina.ribeiro
www.instagram.com/ribeiroparisina
parisinaribeiro@hotmail.com
Máscaras africanas
O africano e o poeta
Ao Dr. Celso de Magalhães
Les esclaves… Est-ce qu’ils ont des dieux?
Est-ce qu’ils ont des fils, eux qui n’ont point d’aieux?
Lamartine
No canto tristonho
Do pobre cativo
Que elevo furtivo,
Da lua ao clarão;
Na lágrima ardente
Que escalda-me o rosto,
De imenso desgosto
Silente expressão;
Quem pensa? – O poeta
Que os carmes sentidos
Concerta aos gemidos
De seu coração.
– Deixei bem criança
Meu pátrio valado,
Meu ninho embalado
Da Líbia no ardor;
Mas esta saudade
Que em túmido anseio
Lacera-me o seio
Sulcado de dor,
Quem sente? – O poeta
Que o elísio descerra;
Que vive na terra
De místico amor!
– Roubaram-me feros
A férvidos braços;
Em rígidos laços
Sulquei vasto mar;
Mas este queixume
Do triste mendigo,
Sem pai, sem abrigo,
Quem quer escutar?…
– Quem quer? O poeta
Que os térreos mistérios
Aos paços sidéreos
Deseja elevar.
– Mais tarde entre as brenhas
Reguei mil searas
Co’as bagas amaras
Do pranto revel;
Das matas caíram
Cem troncos, mil galhos;
Mas esses trabalhos
Do braço novel,
Quem vê? – O poeta
Que expira em arpejos
Aos lúgubres beijos
Da fome cruel!
– Depois, o castigo
Cruento, maldito,
Caiu no proscrito
Que o simun crestou;
Coberto de chagas,
Sem lar, sem amigos,
Só tendo inimigos…
Quem há como eu sou?!…
– Quem há?… O poeta
Que a chama divina
Que o orbe ilumina
Na fronte encerrou!…
– Meu Deus! ao precito
Sem crenças na vida,
Sem pátria querida,
Só resta tombar!
Mas… quem uma prece
Na campa do escravo
Que outrora foi bravo
Triste há de rezar?!…
– Quem há-de?… O poeta
Que a lousa obscura,
Com lágrima pura
Vai sempre orvalhar?!
Narcisa Amália (São João da Barra, Rio de Janeiro, 3 de abril de 1852 — Rio de Janeiro, 24 de julho de 1924). Poeta, escritora, tradutora e crítica literária, foi reconhecida como a primeira mulher a trabalhar como jornalista profissional no Brasil. Escreveu na revista “A Leitura” (1894 – 1896) muitos artigos sobre o feminismo e a república. Sua obra poética também é voltada ao combate à opressão da mulher na sociedade e o regime escravista
Ateliê Sarubbi
Catar feijão
1.
Catar feijão se limita com escrever:
Jogam-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo;
pois catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
2.
Ora, nesse catar feijão entra um risco,
o de que, entre os grãos pesados, entre
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com risco.
João Cabral de Melo Neto (Recife, Pernambuco, 9 de janeiro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999)
Poema enviado por e-mail pela amiga Sonia Zveibil nos tempos em que frequentávamos o Ateliê Livre Sarubbi em 1999.