O título desta poesia, traduzido literalmente da língua tupi, vale tanto como se em português disséssemos “o que há de ser morto, o que é digno de ser morto”.
Gonçalves Dias
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Um velho Timbira, coberto de glória,
Guardou a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite, nas tabas, se alguém duvidava Do que ele contava,
Dizia prudente: – “Meninos, eu vi!”
“Eu vi o brioso no largo terreiro
Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente, como era, chorou sem ter pejo;
Parece que o vejo,
Que o tenho nest’hora diante de mi.
“Eu disse comigo: que infâmia d’ escravo!
Pois não, era um bravo;
Valente e brioso, como ele, não vi!
E à fé que vos digo: parece-me encanto
Que quem chorou tanto,
Tivesse a coragem que tinha o Tupi!”
Assim o Timbira, coberto de glória,
Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite nas tabas, se alguém duvidava Do que ele contava,
Tornava prudente: “Meninos, eu vi!”
Gonçalves Dias (Caxias, Maranhão, 10 de agosto de 1823 – Guimarães, Maranhão, 3 de novembro de 1864). In “I-Juca-Pirama e Os Timbiras”, Porto Alegre : L&PM, 1997. (Coleção L&PM Pocket)