República Federativa do Brasil – Ordem e progresso

Neste sábado, 15/11, são comemorados 136 anos da Proclamação da República ocorrida em 15 de novembro de 1889, que instaurou o presidencialismo no Brasil, encerrando a monarquia parlamentarista vigente durante o Império, destituindo o imperador Pedro II.

Ela ocorreu no Campo de Santana, no Rio de Janeiro, então capital do Império, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país, instituindo um governo “provisório” republicano, que se tornaria a Primeira República Brasileira, também conhecida como República Velha.

Bem leve

Bem leve leve, releve
Quem pouse a pele em cima de madeira
Beira beira, quem dera, mera mera, cadeira
Mas breve breve, revele
Vele, vele quem pese, dos pés à caveira
Dali da beira uma palavra cai no chão
Caixão dessa maneira
Uma palavra de madeira em cada mão
Imbuia, Cerejeira

Bem leve leve, releve
Quem pouse a pele em cima de madeira
Beira beira, quem dera, mera mera, cadeira
Mas breve breve, revele
Vele vele quem pese dos pés à caveira

Jacarandá, Peroba, Pinho, Jatobá
Cabreúva, Garapera

Uma palavra de madeira cai no chão
Caixão dessa maneira

Bem leve leve, releve
Quem pouse a pele em cima de madeira
Beira beira, quem dera, mera mera, cadeira
Mas breve breve, revele
Vele, vele quem pese, dos pés à caveira
Dali da beira uma palavra cai no chão
Caixão dessa maneira
Uma palavra de madeira em cada mão
Imbuia, Cerejeira

Jacarandá, Peroba, Pinho, Jatobá
Cabreúva, Garapera

Uma palavra de madeira cai no chão
Caixão, dessa maneira

Arnaldo Antunes (São Paulo, 2 de setembro de 1960) / Marisa Monte (Rio de Janeiro, 1 de julho de 1967). Canção de 1994

Poema cauda

Disse o gato pro rato:
Façamos um trato.
Perante o tribunal eu te denunciarei.

Que a justiça se faça.
Vem deixa de negaça,
É preciso afinal que cumpramos a lei.

Disse o rato pro gato:
– Um julgamento tal,
sem juiz, nem jurado, seria um disparate.
O juiz e o jurado

Serei eu, disse o gato.
E tu, rato, réu nato, eu condeno a meu prato.

Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll (Daresbury, Inglaterra, 27 de janeiro de 1832 — Guildford, Inglaterra, 14 de Janeiro de 1898). Tradução de Augusto de Campos

Como morreu quem nunca bem

Como morreu quem nunca bem
houve da rem que mais amou,
e que[m] viu quanto receou
dela, e foi morto por em
          ai, mia senhor, assi moir’eu!

Como morreu quem foi amar
quem lhe nunca quis bem fazer,
e de que lhe fez Deus veer
de que foi morto com pesar:
          ai, mia senhor, assi moir’eu!

Com’home que ensandeceu,
senhor, com gram pesar que viu
e nom foi ledo nem dormiu
depois, mia senhor, e morreu:

         ai, mia senhor, assi moir’eu!

Como morreu quem amou tal
dona que lhe nunca fez bem,
e quen’a viu levar a quem
a nom valia, nen’a val:

         ai, mia senhor, assi moir’eu!

Paio Soares de Taveirós (Reino da Galiza, província portuguesa do Minho, Portugal, 1200 – Morte, Desconhecida). In “Poesia medieval – Literatura portuguesa”

Por que sou forte

A Ezequiel Freire

Dirás que é falso. Não. É certo. Desço
Ao fundo d’alma toda vez que hesito…
Cada vez que uma lágrima ou que um grito
Trai-me a angústia – ao sentir que desfaleço…

E toda assombro, toda amor, confesso,
O limiar desse país bendito
Cruzo: – aguardam-me as festas do infinito!
O horror da vida, deslumbrada, esqueço!

É que há dentro vales, céus, alturas,
Que o olhar do mundo não macula, a terna
Lua, flores, queridas criaturas,

E soa em cada moita, em cada gruta,
A sinfonia da paixão eterna!…
– E eis-me de novo forte para a luta.

Narcisa Amália (São João da Barra, Rio de Janeiro, 3 de abril de 1852 — Rio de Janeiro, 24 de julho de 1924). Poeta, escritora, tradutora e crítica literária, foi reconhecida como a primeira mulher a trabalhar como jornalista profissional no Brasil. Escreveu na revista “A Leitura” (1894 – 1896) muitos artigos sobre o feminismo e a república. Sua obra poética também é voltada ao combate à opressão da mulher na sociedade e o regime escravista

Cesar Lima, que encontrou no naïf o poder de expressar sua cultura local, história e costumes

Cesar Lima é um artista plástico autodidata, natural de Cariacica-ES.

“Cesar não pinta necessariamente o que vê. Afinal, não se trata de um impressionista. Ele pinta o que vive, o que sente, o que transpira. Reivindica culturas sabidamente esteriotipadas e historicamente diminuídas. E o faz com a alegria dos circos e das festas de terreiro que, pelas cores vivas de sua paleta, transmite a beleza singular dessas manifestações.”

Hugo Fonseca, in “A beleza e o misticismo do popular”, folheto de sua exposição de Ouro Preto-MG, 19 de janeiro de 2023

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