Eu na Praça Buenos Aires no início de janeiro de 1999…
Mingus no contrabaixo
Alguém me disse
Alguém me disse que tu andas novamente
De novo amor, nova paixão, toda contente
Conheço bem tuas promessas
Outras ouvi iguais a essas
Esse teu jeito de enganar conheço bem
Pouco me importa que te vejam tantas vezes
E que tu mudes de paixão todos os meses
Se vais beijar como eu bem sei
Fazer sonhar como eu sonhei
Mas sem ter nunca
Amor igual ao que eu te dei
Pouco me importa que te vejam tantas vezes
E que tu mudes de paixão todos os meses
Se vais beijar como eu bem sei
Fazer sonhar como eu sonhei
Mas sem ter nunca
Amor igual ao que te dei
Evaldo Gouveia (Iguatú, Ceará, 8 de agosto de 1930 — Fortaleza, Ceará, 29 de maio de 2020) / Jair Amorim (Santa Leopoldina, Espírito Santo, 18 de julho de 1915 — São José dos Campos, São Paulo, 15 de outubro de 1993). Interpretada com sucesso por Anísio Silva (Caetité, Bahia, 29 de julho de 1920 – Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 1989), famoso pelo seu estilo romântico, bolero
Espelho na mão
De Solstício de verão
VIII
Duro espelho o papel em branco
restitui apenas o que eras.
O papel em branco fala com a tua voz
a tua própria voz
não com a que te agrada;
tua música é a vida
que dissipaste.
Podes recuperá-la se quiseres
se te apegares ao que indiferente
te atira para trás
ao ponto de partida.
Viajaste, viste muitas luas muitos sóis
tocaste vivos e mortos
sentiste a dor do jovem
e o gemido da mulher
e o amargor do menino ainda imaturo —
o que sentiste rui sem fundamento
se não te confias ao vazio.
Talvez ali encontres o que julgavas já perdido:
o renovo da juventude, o justo sossobro da idade.
Tua vida é o que deste
esse vazio é o que deste
o papel em branco.
Giorgos Seféris (Esmirna, Turquia, 13 de março (29 de fevereiro, no calendário juliano) de 1900 — Atenas, Grécia, 20 de setembro de 1971). Poeta laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1963. In “Antologia Poemas”, São Paulo: Editora Nova Alexandria, 1995. Tradução de José Paulo Paes
Natureza pródiga
Foto tirada por Edson Antonio Ferreira Matosinho e publicada originalmente no seu blog “Águia, o blog do Matosinho” (http://blogdomatosinho.zip.net/)
João, o arteiro, pelas escolas em que passou…
Japonês de relance
Niponismo em fuga
Fugindo pela Rodovia Bunjiro Nakao de óculos Fujiro Nakombi e na companhia de Takakara Nomuro, um online gamer.
Suite dos pescadores

Meu irmão Caimmy eu gostaria,
De ouvir a sua poesia,
E nos contar sobre a canção do pescador…
Vamos navegar no mesmo mar de nostalgia…
E lembrar o dia…
De uma pescaria… em Salvador…
Minha jangada vai sair pro mar,
Vou trabalhar, meu bem querer,
Se Deus quiser quando eu voltar,
Do mar,
um peixe bom, eu vou trazer…
Meus companheiros também vão voltar,
E a Deus do céu vamos agradecer!
Adeus, Adeus…
Pescador não esqueças de mim!
Vou rezar pra ter bom tempo,
Meu nego,
Pra não ter tempo ruim…
Vou fazer sua caminha macia…
Perfumada de alecrim…
Pedro! Pedro! Pedro!
Chico! Chico! Chico!
Nino! Nino! Nino!
Zeca! Zeca! Zeca!
Cadê vocês, homens de Deus?
Eu bem que disse a José!
Não vá José ! não vá José!
Meu Deus!
Com tempo desses não se sai!
Quem vai pro mar, quem vai pro mar,
Não vêm!
Pedro! Pedro! Pedro…
Chico! Chico! Chico…
Nino! Nino! Nino…
Zeca! Zeca! Zeca…
É tão triste ver…
Partir alguém…
Que a gente quer…
Com tanto amor…
E suportar…
A agonia…
De esperar voltar…
Viver olhando o céu e o mar…
A incerteza a torturar… a gente fica só…
Tão só a gente fica só…
Tão só…
É triste esperar…
Uma incelênça…
Entrou no paraíso…
Adeus! irmão Adeus!
Até o dia de Juízo!
Adeus! irmão Adeus!
Até o dia de Juízo…
Minha jangada vai sair pro mar,
Vou trabalhar, meu bem querer,
Se Deus quiser quando eu voltar,
Do mar,
Um peixe bom, eu vou trazer…
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer!
Dorival Caymmi (Salvador, Bahia, 30 de abril de 1914 – Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2008). Foi um cantor, compositor, instrumentista, poeta, pintor e ator brasileiro. E ilustrando mostro o primeiro livro que li quando frequentava a pequena biblioteca do EEPG Dalton Morato Villas Bôas, Ourinhos – SP, cursando a 5ª série lá pelos idos de 1976
Quase sem rosto
Decifrando o escrito: “Privada”