Canto primo

Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura,
ché la diritta via era smarrita.

Canto primeiro (trecho inicial)

Em meio do caminho desta vida
Achei-me um dia numa selva escura,
Muito longe da senda já perdida.

Dante Alighieri (Florença, Itália, entre 21 de maio e 20 de junho de 1265 – Ravena, Itália, 13 ou 14 de setembro de 1321). In “A divina comédia, o inferno”. São Paulo: Cia Brasil Editora, 1947. (Tradução de Domingos Ennes)

Canto de regresso à pátria (Quebrado em dois por mim)

Uma metade

Minha terra…
Onde gorjeia…
Os passarinhos…
Não cantam…

Minha terra…
E quase que…
Minha terra…
Minha terra…

Ouro terra…
Eu quero…
Não permita…
Sem que…

Não permita…
Sem que volte…
Sem que veja…
E o progresso…

Outra metade

… tem palmares
… o mar
… daqui
… como os de lá

… tem mais rosas
… mais amores
… tem mais ouro
… tem mais terra

… amor e rosas
… tudo de lá
… Deus que eu morra
… volte para lá

… Deus que eu morra
… pra São Paulo
… a Rua 15
… de São Paulo

Oswald de Andrade (São Paulo, 11 de janeiro de 1890 — 22 de outubro de 1954). Publicado em 1924 na revista “Pau Brasil” e depois, no livro homônimo (“Poesia Pau Brasil”), em 1925. O texto é intertextual ao poema “Canção do exílio”, escrito em 1843 por Gonçalves Dias. Além de Oswald de Andrade, Casimiro de Abreu também fez uma paródia do poema “Canção do exílio” de Gonçalves Dias, que começa com os versos “Minha terra tem palmeiras, onde canta o Sabiá”

Do que falar?

Não é daquele soneto apaixonado!
Este é mais difícil de se fazer…
A inspiração está no ar
Falar do ar. Ou não…
Falar de que?
De nada
Não falar
Eu também sem saber estou
Ete cetera e tar

Falei, falei. Não disse nada
Agora digo: _ Nada!
E para complementar calo a boca
Fico a matar mosquito
Esqueço de tudo e me lembro
Assustado acerto um bicho