Faz escuro mas eu canto

Faz escuro mas eu canto,
porque a manhã vai chegar.
Vem ver comigo, companheiro,
a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar
a cor do mundo mudar.
Já é madrugada,
vem o sol, quero alegria,
que é para esquecer o que eu sofria.
Quem sofre fica acordado
defendendo o coração.
Vamos juntos, multidão,
trabalhar pela alegria,
amanhã é um novo dia.

Thiago de Mello, in “Faz escuro mas eu canto”, 1966. Esse poema foi extraído deste livro e me foi recordado pela amiga Maria Isabel Pellegrini Vergueiro por ocasião de meu aniversário deste ano.

Thiago de Mello (Barreirinha, Amazonas, 30 de março de 1926 – Manaus, Amazonas, 14 de janeiro de 2022) foi um poeta brasileiro

Helena Carvalhosa: Óleos sobre tela

A artista Helena Carvalhosa estreou como artista em 1972 com uma exposição no Museu de Artes de São Paulo, o MASP. Formou-se em artes plásticas pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) em 1977. Trabalha com diversas linguagens, abordando desenhos, pinturas, cerâmicas, objetos e instalações. Em mais de quatro décadas de carreira, participou de inúmeras mostras individuais e coletivas, como no Sesc Pompeia, Pinacoteca do Estado de São Paulo e galeria Aliança Francesa, em São Paulo, e na galeria Arauco, em Nuremberg, Alemanha. Também foi curadora de diversas exposições e é autora de livros como “Ócio” (Terceiro Nome, 2010).

Frase destacada em seu Instagram: “A Arte é o exercício experimental da liberdade.” – Mário Pedrosa

Contatos:
www.instagram.com/helena_carvalhosa
helenacarvalhosa@uol.com.br

Sentimentos, aprender a com eles conviver

Trilhos de mel são pensamentos bons,
Pesadelos passados, caminhos do mal.
Vida, solo, fragmentos: maniqueísmo.
Uma pedra se firmou no centro nórdico
Daquele que só concebe o bem e o mal.
E a sobra disso tudo, dispersa por aí, vai
Seguindo sua rota, cambaleando serena,
Marcando, revertendo, virando – no seco,
Ao largo, ou meramente distante da base.
Centrada em ser o que é, um sentimento,
Sem a qual a vida que levamos é vazia,
Cai no nada, não move nem agita nunca.
Vira uma madeira dura que não se curva
E que o vento forte arrebenta numa leva.
Por isso se espelhe no passado e aprenda
Que ser solto é bom, ser leve impulsiona
E ser vivo é aprender com a vida a seguir
Entre as lacunas do bem, do mal e do certo,
No rumo dos sentimentos sempre presentes
E os quais temos que conhecer sem temer
A dor e a luta de sempre conviver com eles.

Quanto mais te encontro mais percebo-te

Quanto mais te encontro mais percebo-te
(Aquele cabelo molhado – o ato de penteá-los)
No carro, em casa, no trabalho, na livraria
(As poses nas fotos revelam-te um ser cubista)

Você me procura ao longe e sou eu que te acho
No detalhe do brinco, do óculos, da unha curta
E esse ato me desperta para um outro ângulo
Escavado da vida, libertador de desejos ocultos

Percebo-te também na festa e na taça que borbulha
No veio de madrepérola dos teus dentes que sorriem
Para a alegria de poder viver na diversidade do ser
Uma mulher que ama com fé e por igual o seu anima

O abstrato de Costa Paula: O beijo de Eva, Labirintus e Símbolos

Luiz Carlos da Costa Paula, ou Costa Paula, nome escolhido pelo próprio artista para assinar suas telas. É poeta, ativista sociocultural e pintor autodidata. Teve orientação por pequeno período no inicio de sua carreira nos anos 80 na sua cidade natal, Petrópolis no estado do Rio de Janeiro, do engenheiro , poeta e aquarelista Walter Farrah. Percebendo que o estilo acadêmico não era seu caminho, abandonou as aulas, mas não a arte. Apaixonado pelas artes e seu mundo, participou de curso sobre história e mercado da arte no ateliê do artista plástico Januário e recebeu também orientações do escritor, ensaista e crítico de arte Walmir Ayala e continuou no meio artístico, não como pintor, mas como agenciador de obras de arte.
Mas continuava ardendo em sua alma a paixão pelas cores, e nos anos noventa, apresenta ao público seu trabalho em telas multicoloridas em cores vibrantes, que formam frente a nossos olhos, verdadeiros labirintos, numa agradável associação de cores e formas geométricas.
Traçado firme e entrelaçamento de linhas que são estrategicamente colocadas, de forma a nos levar a espaços de dimensões futuristas.
Despido de suas verdades interiores, nos mostra de maneira elegante, um estilo característico de uma arte abstrata, dentro do concretismo moderno, revelando-nos um belo conjunto de mosaicos de cores vindas de sua paleta alegre, que nos causam grande e profunda emoção.

Sebastião Januário – Artista Plástico (Escrito para o livro “Cristal de talentos de Adaljiza Cuan”).

Contatos:
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Pontas

De fininha que se percebe
A que cutuca
Quando encosta em nossa pele

Ponta pode ser de agulha
De estrepe ou de caco de vidro
Fagulha que entra e que sangra

No pé nos faz mancar
Andar meio de lado
Ficar de uma perna só

Na mão, nos faz chupar os dedos
No corpo, arrepiar,
Coçar e rir, ou chorar, se doer

A vida é assim:
Feita não só de mares de rosas
Mas de pontas de espinhos

No sentido de nossos caminhos
Se alternam não só as pedras,
Mas as farpas e as lascas:

Agudas de vida