Tiradentes

Trabalho escolar feito por mim no EEPG Dalton Morato Villas Bôas, Ourinhos – SP, durante a minha 5ª. série, 1976

“Em toda a Europa, tal tipo de castigo seguido de morte reforçava a imagem de Portugal como país atrasado, na contramão das ideias iluministas que começavam a circular nas metrópoles e eventualmente chegavam às colônias. Foi um período de mudanças muito importantes: a Revolução Francesa, reis e nobres guilhotinados e abolição da monarquia francesa, independência dos EUA. Em Portugal, apesar da censura instituída, tais notícias acabavam chegando e foram sementes de ideias que mais tarde frutificaram, mas ainda é cedo para tratar disso.

Dona Maria, extremamente católica, assumiu a coroa determinada a reparar as ofensas a Deus ocorridas no reinado de seu pai com a eliminação dos padres jesuítas. Seu primeiro ato foi a demissão do marquês Pombal como ministro, por 22 anos o todo-poderoso no governo de seu pai.

O período de governo de Dona Maria de 1777 a 1799 passou à história com o nome de Viradeira por causa dos seus decretos, revogando medidas instituídas no período pombalino: as companhias de comercio criadas por ele no Brasil foram extintas e a Colônia foi proibida de manter manufaturas de tecidos (exceto as que faziam pano grosseiro para uso dos escravos). Reabilitou a nobreza destituída por ele, em especial os Távora.

Também foi ela quem ordenou a repressão dos inconfidentes mineiros e a execução de Tiradentes, que ousaram sonhar com a independência do Brasil.

Embora tenha havido atrasos para o Brasil com a revogação de algumas atividades econômicas no reinado de dona Maria I, em contrapartida houve uma reativação das atividades agrícolas da Colônia, pelo aumento da produção de açúcar e do algodão.

Apesar do nome Viradeira, dado pelo povo na época, ao final não foi uma mudança radical e em grande parte, o poder continuou nas mãos dos mesmos políticos da era pombalina, mantendo mesma política anterior.”

José Mattoso (Leiria, Portugal, 22 de janeiro de 1933 – Torres Vedras, Portugal, 8 de julho de 2023) foi um historiador medievalista e professor universitário português. In “Historia de Portugal”, coleção organizada por ele, capítulo 2, O reinado de Dona Maria I (1734 – 1816). Lisboa, Portugal: Printer Portuguesa, Ind. Gráfica , Lda., Circulo de leitores, julho de 1993

Nota: Dona Maria I (1734–1816) foi a primeira rainha reinante de Portugal e dos Algarves, apelidada de “A Piedosa” e, posteriormente, “A Louca”. Iniciou o reinado em 1777 (chamado de Viradeira) afastando o Marquês de Pombal. Seu governo foi marcado por profunda religiosidade, instabilidade mental, a transferência da Corte para o Brasil em 1808 e o falecimento no Rio de Janeiro.

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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