Via

qual é este caminho que nos separa
através do qual eu retenho a mão do pensamento
uma flor está escrita ao final de cada dedo
e o final do caminho é uma flor que caminha contigo

* * * * *

na escapada
o mundo
um chapéu com flores
o mundo
um anel feito por uma flor
uma flor flor para o buquê de flores flores
uma cigarreira repleta de flores
uma pequena locomotiva com olhos de flores
um par de luvas para as flores
na pele de flores como nossas flores flores de flores
e um ovo

Tristan Tzara, nascido Samuel ou Samy Rosenstock (Moinesti, Romênia, 16 de abril de 1896 – Paris, França, 25 de dezembro de 1963) foi um poeta romeno, um dos precursores do Dadaísmo. Tradução de Virna Teixeira

A discussão começou…

A discussão começou por que uma queria pensar na família e a outra na possibilidade de pagar. Antes disso foram passear e resolveram ir a uma imobiliária para ver terrenos. A necessidade era vaga, mas havia a possibilidade de comprar algo para ter uma renda líquida. Não precisava ser grande, nem plano, nem caro e nem bom demais. Esperar dez anos faz um terreno endireitar e a tendência é aumentar o tamanho e o dinheiro não sumir, a menos que a terra afunde. Como já sabemos ele é assegurado por imobiliária do mais alto gabarito e tem a infraestrutura completa: Para grilos e morcegos, que em dez anos passarão por lá. O dinheiro aumentará com o crescimento de um vilarejo nas proximidades de um terreno qualquer a cinco quilômetros de um cruzamento que fica a alguns meio quilos de quilômetros de alguma cidade em pleno desenvolvimento.
O terreno já era observado com bons olhos naquele momento, onde o sol o cobria totalmente e a pouca vegetação que ele possuía soltava-se com os galhos que iam secando, resultado do desmatamento. Em um bom tempo o mato crescerá. Tinha todas as características de um terreno bom em um morro à lá baixada litorânea e, inclusive, era plano. Acho que era o melhor por aquelas bandas.
Enfiaram os olhos grande sobre ele…

Desenhos e odes de Hilda Hilst

Fui pássaro e onça
Criança e mulher.
Numa tarde de sombras
Fui teu passo.

//

Montado sobre as vacas
Meu duplo e eu.
E guarda-sóis de fogo
E um sol de fráguas

Mas cérebro e cascos
No breu.

//

Sonhei que te cavalgava, leão-rei
Em ouro e escarlate
Te conduzia pela eternidade
A minha casa.

Hilda Hilst (Jaú, São Paulo, 21 de abril de 1930 — Campinas, São Paulo, 4 de fevereiro de 2004). In “da morte. odes mínimas”. São Paulo: Massao Ohno / Roswitha Kempf / Editores, 15 de julho de 1980

Ave Maria no morro

Barracão
De zinco
Sem telhado
Sem pintura
Lá no morro
Barracão
É bangalô

Lá não existe
Felicidade
De arranha-céu
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu

Tem alvorada, tem passarada
Alvorecer
Sinfonia de pardais
Anunciando o anoitecer

E o morro inteiro
No fim do dia
Reza uma prece
Ave Maria

E o morro inteiro
No fim do dia
Reza uma prece
Ave Maria

Ave Maria

E quando o morro escurece
Eleva a Deus uma prece
Ave Maria

Ave Maria

E o morro inteiro
No fim do dia
Reza uma prece
Ave Maria
Ave Maria
E quando o morro escurece
Eleva a Deus uma prece
Ave Maria

Ave Maria

Herivelto Martins (Vila de Rodeio, atual município de Engenheiro Paulo de Frontin, Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 1912 — Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1992). Música ouvida ontem no espetáculo “Minha estrela Dalva”, dedicado à memória de Dalva de Oliveira, de Renato Borghi no SESI-SP (Centro Cultural FIESP). Idealização de Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas e com direção artística de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas. No elenco: Renato Borghi, Soraya Ravenle, Elcio Nogueira Seixas e Ivan Vellame

Canto chão

Tenho pés bem no chão
E tento até sorrir
Do ruído sem par
De riacho e mar
Porém só em vão.
Sem murmúrios ouvir:
Surdo nasci

Tenho olhos só no chão
E sofro, não nego
Não sei como são
E quão belas
No céu as estrelas.
Sem poder vê-las:
Nasci cego

Há quem perdeu o chão
Pois desconheceu
Estrelas, riacho, mar
Ouvindo e vendo viveu
Desdenhando então
O que amar:
Tolo nasceu

Eder C. R. Quintão (São Paulo, 11 de outubro de 1933) é um médico, pesquisador, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências da Saúde desde 4 de junho de 2003. In “Segredos e sussurros: Contos, crônicas e poesias”. Capa e projeto gráfico de Sylvain Barré. 1ª edição impressa em 2018

Nota: Sylvain Barré é diretor de arte, animador 2D/ 3D e ilustrador, que atua há 29 anos no mercado de produção visual. Francês, nascido na Normandia e, desde 2004, possuí a produtora de animação Citronvache.

Chia-Syun Chang: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP)

Chia-Syun Chang

Chia-Syun Chang, nascido em 1981 em Taichung, Taiwan, é um artista que pinta com a boca após um acidente de trabalho em 2004 que causou paralisia em seus braços e pernas. Ele começou a pintar com a boca em 2006, após se inspirar ao ver um artista que utilizava a mesma técnica. O trabalho de Chang destaca a capacidade de superação e a persistência, transformando desafios físicos em arte. Chang é membro da APBP (Associação dos Pintores com a Boca e os Pés).

👨🎨 Artista plástico da APBP
Estilo de pintura: Com a boca
Técnica: Acrílica
Título da obra: “Folhas de outono”

APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés. Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
(11) 5053-5100
apbp@apbp.com.br
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