Autor: ematosinho
Experimentando a manhã nos galos
… poesias, a poesia é
— é como a boca
dos ventos
na harpa
nuvem
a comer na árvore
vazia que
desfolha noite
raiz entrando
em orvalhos…
os silêncios sem poro
floresta que oculta
quem aparece
como quem fala
desaparece na boca
cigarra que estoura o
crepúsculo
que a contém
o beijo dos rios
aberto nos campos
espalmando em álacres
os pássaros
— e é livre
como um rumo
nem desconfiado…
raiz entrando em orvalhos..
os silêncios sem poro
floresta que oculta quem aparece
como quem fala desaparece na boca
cigarra que estoura o crepúsculo
que a contém
o beijo dos rios aberto nos campos espalmando em álacres os pássaros
— e é livre
como um rumo
como um rumo nem desconfiado…
Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014). In “Compêndio para uso dos pássaros”, 3ª. edição, Rio de Janeiro: Record, 1999
Alexsandro Panetto Largura: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP)
Alexsandro Panetto Largura
Nascido em 09/10/1988 em Linhares, um município brasileiro no litoral norte do estado do Espírito Santo. Vítima de uma disfunção congênita cerebral pós-parto é chamado carinhosamente por Alex. Alex é um rapaz muito carismático, fascinado por videogame e pintura. Para ele a pintura ocupa um espaço muito importante em sua vida. Mora em Rio Bananal, município no Espírito Santo e é casado com Williariana Pamela de Jesus. Ele é bolsista da Associação. Em suas próprias palavras ele conta: “Essa paisagem foi eu que pintei com a boca, e tive essa surpresa por ter a minha arte no começo do calendário de 2026.!!… Gratidão!!”
👨🎨 Artista plástico da APBP
Estilo de pintura: Com a boca
Técnica: Acrílica
Título da obra: “Praia da Bahia”
APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés.
Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
(11) 5053-5100
apbp@apbp.com.br
https://apbp.com.br/home
Polígono estrelado
Tristia
1
Aprendi a ciência da despedida
No desabrigo, em noites de ansiedade.
O boi rumina, a espera é longa lida,
Está no fim a vigília da cidade,
E à noite do galo, rendo homenagem,
Quando, ao longe, olhos miraram em pranto,
E, suspenso o peso da dor da viagem,
Mulher e musa uniram choro e canto.
2
Quem pode, na palavra despedida,
Prever que separação nos espera,
Ou a que o canto do galo nos convida,
Quando a acrópole em chamas reverbera,
E na aurora de uma vida nova,
Quando o boi rumina à sombra indolente,
Por que o galo, arauto da vida nova,
Bate aos muros da cidade, impaciente?
3
Mas o ofício de fiar me fascina:
A lançadeira trama, o fuso ressoa.
Olha: como uma pena de cisne,
Descalça, ao teu encontro, Délia voa!
Oh, urdidura frouxa de nossa vida,
Como é pobre a língua da alegria!
Tudo está feito um repetir sem saída:
E só reconhecê-lo delicia.
4
Numa travessa de barro lavada,
Jaz a figura em cera transparente,
Como pele de esquilo esticada,
Que a moça mira com luz de vidente.
Do Érebos grego, não nos vêm profecias.
Às moças, serve a cera; a nós, o cobre duro.
Só nas guerras nossa sorte se anuncia,
Mas mulheres, até morrer, veem o futuro.
[1918]
Óssip Mandelshtám (Varsóvia, Polônia, 14 de janeiro de 1891 — Vladivostok, Sibéria, Rússia, 27 de dezembro de 1938) é um dos principais poetas e ensaístas do modernismo russo. Traduzido por Rubens Figueiredo, escritor e tradutor
QFCO e outras criações de João
Três olhando
Três tias
A primeira tia disse:
— Precisamos já pensar,
Pra Soninha, nos seus anos,
Que presente vamos dar.
Então disse a segunda:
— Minha ideia, irmãs, é esta:
Um vestido verde-ervilha.
Essa cor Sônia detesta!
A terceira diz: — Concordo!
Verde a irrita pra valer!
Ela vai ficar furiosa.
Mas terá de agradecer
Wilhelm Busch (Wiedensahl, Alemanha, 15 de abril de 1832 — Mechtshausen, Seesen, Alemanha, 9 de janeiro de 1908) foi um influente poeta, pintor e caricaturista alemão, famoso pelas suas histórias satíricas ilustradas com textos em verso. In “Di-versos e um Caldeirão de poemas: as antologias traduzidas de Tatiana Belinky” de Sandrelle Rodrigues de Azevedo
Para Duchamp no Paulo
Portuñol
línguas enroladas
dançam Tango
ao som
de buenos aires
voltas
curvas
bamboleios
eixo próprio
invertido
o Sul começa
onde surgimos
península asmática presa
no peito
o som chiante abafa
qualquer dúvida
de procedência
hecho en américa latina Portuñol
línguas enroladas
dançam Tango
ao som
de buenos aires
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eixo próprio
invertido
o Sul começa
onde surgimos
península asmática presa
no peito
o som chiante abafa
qualquer dúvida
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hecho en américa latina
Arthur Lungov (Pelotas, Rio Grande do Sul, 1973) é poeta e editor de poesia da “Lavoura”, revista de literatura contemporânea. É autor dos livros “Luzes fortes, delírios urbanos” (Patuá, 2016) e “Corpos” (inédito)