Experimentando a manhã nos galos

… poesias, a poesia é

— é como a boca
dos ventos
na harpa

nuvem
a comer na árvore

vazia que
desfolha noite

raiz entrando
em orvalhos…

os silêncios sem poro

floresta que oculta
quem aparece

como quem fala
desaparece na boca

cigarra que estoura o
crepúsculo
que a contém

o beijo dos rios
aberto nos campos
espalmando em álacres
os pássaros

— e é livre
como um rumo
nem desconfiado…
raiz entrando em orvalhos..
os silêncios sem poro
floresta que oculta quem aparece
como quem fala desaparece na boca
cigarra que estoura o crepúsculo
que a contém
o beijo dos rios aberto nos campos espalmando em álacres os pássaros
— e é livre
como um rumo
como um rumo nem desconfiado…

Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014). In “Compêndio para uso dos pássaros”, 3ª. edição, Rio de Janeiro: Record, 1999

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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