Borboleta

Mal saíra do casulo
para mostrar ao sol
o esplendor de suas asas
um pé distraído a pisou.

(A visão da beleza
dura um só instante
inesquecível.)

José Paulo Paes (Taquaritinga, São Paulo, 1926 — São Paulo, 9 de outubro de 1998). In “Socráticas: poemas”. São Paulo: Companhia das Letras, 2001

Uns & outros: 4 poemas escolhidos

alento

teu alento
lento e quente
eloquente

//

Vênus

suspensa no ar
Vênus parou para ver
meu filho mamar

//

muito prazer

árvore centenária
veja o que nos aconteceu
eu não sei seu nome
                              nem você o meu

//

vazio

no peito este vazio
oco como o estômago
de um cão vadio

Rodolfo Witzig Guttilla (São Paulo, 1962) é jornalista, cientista social e mestre em antropologia, pela PUCSP. In “Uns & outros: poemas 1985-2005” – São Paulo: Landy Editora, 2005

De uma carta de ‎novembro‎ de ‎2003 à amiga Tais…

“(…)
Tenho trabalhado atualmente mais com economia do que com arte, mas mesmo assim não deixei totalmente de pintar. Religiosamente pinto uma vez por semana em um espaço que consegui no lugar onde faço análise. Seria uma pintura bem mais terapêutica do que artística, mas está valendo a pena pela experiência. Tenho aprendido muito sobre mim e meu inconsciente.
(…)”

Eu tenho vontade de mudar meu caminho, mas para onde ir?

Decerto a que o meu destino impor.
Mas digo que o destino não esta ligado à vontade própria!
Pois então, minha vontade não mudaria minha vida?
Primeiramente devemos sabe qual o limite do homem em ir contra seu princípio, para depois podermos combater e escolhermos nosso próprio habitat atendendo às nossas necessidades de afeto, paisagem, clima e sociabilidade. Mas como não sabemos nem onde estamos propriamente dito, excluindo as determinações históricas ou convencionais, não podemos saber para onde ir e o que fazer, por isso é que deixamos a vida correr atribuindo situações boas a um santo e más a um opositor. Nosso princípio é esperar e mudar no que for possível, isso está muito ligado ao mero histórico em que nascemos. Nisso podemos chegar a conclusão que um homem não vale nada, mas um conjunto pode chegar a um modelo especial que terá significação capital para o destino de cada e do todo.
Glosando o mote: “A união faz a força”
Desde que seja bem organizada pelo tempo e pelo espaço e tenha algo que lidere e sirva como modelo de virtudes comprovadas e que possa animar a todos, e que ao mesmo tempo tenha o poder de eliminar a “exceção” dos todos. Não implica na posição que essa união possa tomar em uma sociedade, pois sempre terá grupos que irão combatê-las pelo fato de terem outro ponto de referência.