Quatro momentos poéticos de Stein

Maçã

Maçã ameixa, bife tapete, molusco caroço, vinho colorido, calmo visto, creme de beleza, tremor melhor, batata, batata e nenhuma nenhuma obra de ouro com carícia, uma vista verde é chamada assar e mudar docemente é de pão, um pedacinho um pedacinho por favor.

Um pedacinho por favor. Bastão de novo ao pressuposto e pé de eucalipto pronto, redistribuir xerez e pratos maduros e cantinhos de um tipo de pernil. Isto é uso.

*

Espargo

Espargo numa inclinação numa inclinação para aquecer. Isto faz disto arte e é tempo húmido húmido tempo húmido húmido.

*

Manteiga

Explodir em explodir em, manteiga. Deixe um grão e mostre-o, mostre-o. Eu espio.

É uma necessidade é uma necessidade que uma flor uma flor formal. É uma necessidade que uma borracha formal. É uma necessidade que uma borracha formal seja doce e vista e um trecho inchado. É uma necessidade. É uma necessidade essa borracha formal.

Madeira uma oferta. Limpar pouco manter e um estranho, torne isto estranho.

Faça um branquinho, nenhum e não com fenda, fenda sobre em dentro.

*

Cozinhar

Ai de mim, ai o puxão ai o sino ai o coche na louça, ai de mim o pequeno arremesso na lâmina ai a carne de manteiga da boda, ai de mim o recipiente, ai a forma posterior de marisco, marisco e soda.

Gertrude Stein (Allegheny, Pensilvânia, Estados Unidos, 3 de fevereiro de 1874 — Neuilly-sur-Seine, França, 27 de julho de 1946). Viveu a maior parte de sua vida na França, foi uma das maiores colecionadoras de arte do século XX, e foi figura central no desenvolvimento e na recepção do Cubismo, além de ter influenciado Dada e o Surrealismo. In “Tender buttons” (Tenros/ Suaves botões). Datado de 1914 esse livro é composto por poemas em prosa que funcionam como pequenos quadros cubistas, nos quais o olhar percorre cada elemento de maneira a formar uma (ou mais do que uma) narrativa. Compõe-se de três partes: Objetos, Alimentos e Quartos – e está escrito de uma forma muito particular: a poeta usa uma linguagem experimental, recorrendo a repetições, abstrações, onomatopeias e ao que se designou de “cubismo verbal”, ao ponto de esta ter sido classificada como uma obra-prima da literatura cubista. Poemas postados por Maria Campos

Singular de paisagem

Escrever-se do interior a palavra
satisfação.
Processos que decantam no corpo. Estamos
na primeira manhã do mundo. O frio é tétrico
e os dedos, que são de água,
produzem vales profundos
na pele cheia de fogo da terra. Os elementos
ainda não estão separados, nem as cores.

Nesse quadro primacial de inocência
o sol desperta a criação. Os olhos berram.
Os erros tornam-se evidentes, os choques
inevitáveis porque existem contornos.

Só agora se definem figuras
na trama lenta da qual resultam zonas
de luz e sombra. O espaço
antes nubloso e equalizado se comporta em fatias
feitas.

Leonardo Fróes (Itaperuna, Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1941 – Petrópolis, Rio de Janeiro, 21 de novembro de 2025). Poeta, tradutor, jornalista, naturalista e crítico literário brasileiro, recebeu, em 1995, o Prêmio Jabuti de Poesia com o livro “Argumentos invisíveis”. Traduziu para o português obras de William Faulkner, Malcolm Lowry, D. H. Lawrence, Tagore, George Eliot, Lawrence Ferlinghetti, etc. Desde a década de 1970 recolheu-se em Petrópolis, região serrana do Rio, onde morou em um sítio com a esposa e filhos e dedicando-se ao cultivo da terra, à poesia e à tradução

Resumo do livro: “O Cabeleira”

Livro “O Cabeleira” de Franklin Távora, que foi um advogado, jornalista, político, romancista e teatrólogo brasileiro, identificado com o romantismo. Este seu romance é considerado o marco inicial da literatura regionalista nordestina, e foi lido em conjunto com minha esposa Luiza enquanto ela cursava em 2000 o 2º. ano O no colegial da Escola Estadual “Fidelino Figueiredo”, matéria “Literatura”, professora Cibele

Este livro narra as peripécias do temível bandido Cabeleira, famoso pelas atrocidades cometidas em Pernambuco no século XVIII. Publicado em 1876, este é o romance que deu inicio à prosa de caráter regionalista em nossa literatura.

Ele narra as desventuras de um jovem e de uma moça que o destino separou e, ao longo da vida, uniu, depois de muito sofrimento. A personagem central, José Gomes, tinha o apelido de Cabeleira, em função de seus longos cabelos. A moça chamava-se Luísa, e José Gomes carinhosamente a chamava de Luisinha.

O Cabeleira tinha seu destino dividido entre a maldade do pai, Joaquim, e a bondade da mãe, Joana. Desde pequeno, o pai ensinava-lhe o mal e a mãe, o bem, criando confusão na cabeça da criança, que queria deixar felizes os dois. Ainda criança, o pai separou-o da mãe, levando-o para longe, e transmitiu para o menino sua maldade.

Ainda criança, conheceu Luísa, órfã, criada por Dona Florinda, que soube dar-lhe todo o amor e o fez conhecer o caminho do bem. Luísa e José Gomes (o Cabeleira) fizeram um trato: quando ele voltasse, levá-la-ia consigo para ser sua esposa. Anos se passaram e aquilo que seu pai queria acabou acontecendo: ele virou um monstro no crime.

Anos mais tarde, o destino colocou Luísa a sua frente. Ela, que o temia, mas o amava, defrontou-se com sua fúria. José Gomes reconheceu-a e lembrou-se de sua promessa. Após uma série de incidentes, entre os quais um envolvendo o pai que quis possuir Luísa e acabou brigando com o filho, o casal fugiu da Justiça, que procurava os criminosos para prendê-los.

Luísa morreu antes de o Cabeleira ser preso. Ele foi capturado e levado à forca. No momento de ser enforcado, José Gomes teve a última oportunidade de rever a boa mãe. Para ela, ele disse as últimas palavras: “Adeus, mamãezinha do meu coração!”. E foi enforcado…

Franklin Távora (Baturité, Ceará, 13 de janeiro de 1842 — Rio de Janeiro, 18 de agosto de 1888)

Dados biográficos de Franklin Távora

1842
João Franklin da Silveira Távora nasce em Baturité, Ceará, a 13 de janeiro.
Filho de Camilo Henrique da Silveira Távora e Maria de Santana da Silveira.

1859
Matricula-se na Faculdade de Direito do Recife.

1861
Publica os contos de A Trindade Maldita, seu primeiro livro.

1863
Bacharela-se em Direito pela Faculdade de Recife.

1868
Elege-se deputado provincial em Pernambuco.

1870
Criticando severamente José de Alencar (principalmente os romances Iracema e O Gaúcho) com as Cartas de Semprônio a Cincinato, passa a promover uma campanha em prol do regionalismo, identificado com a “literatura do Norte”.

1872
Funda e dirige a Verdade, um semanário de Recife.

1873
Ocupa o cargo de secretário da província do Pará.

1874
Transfere-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como funcionário da secretaria do Império.

1876
Publica O Cabeleira, romance inspirado numa passagem das Memórias da Província de Pernambuco.

1878
Publica O Matuto, com a rubrica de crônica pernambucana, romanceando episódios da Guerra dos Mascates.

1879
Dirige com Nicolau Midosi, até 1881, a Revista Brasileira, onde são publicados alguns de seus romances.

1881
Publica Lourenço, romance também inspirado na Guerra dos Mascates.

1888
Falece no Rio de Janeiro, a 18 de agosto.

É o patrono da cadeira número 14 da Academia Brasileira de Letras.

Obra

Romance

Os Índios de Jaguaribe (1852), A Casa de Palha (1866), Um Casamento no Arrabalde (1869), O Cabeleira (1876), O Matuto (1878), Sacrifício (1879) e Lourenço (1881).

Conto

A Trindade Maldita (1871) e Lendas e Tradições Populares do Norte (1878).

Teatro

Um Mistério de Família (Drama) (1861) e Três Lágrimas (Drama) (1870).

Crítica

Carta de Semprônio a Cincinato (1870).

Comenta a professora de pós-graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da USP Aurora F. Bernardini em seu texto “Franklin Távora, na planície das mediocridades”: “Nada mais oportuno que o livro “Franklin Távora e o seu Tempo”, do cearense e bacharel em Direito pela Universidade do Recife Cláudio Aguiar [Ateliê Editorial, 380 págs.], para lembrar condignamente a vida e a obra do cearense e bacharel em Direito pela Universidade do Recife João Franklin da Silveira Távora, agora que se completam 110 anos de sua morte [em 1998]. Ensaísta, jornalista e romancista como Franklin Távora, o autor soube escrever uma biografia densa e cativante, que é, ao mesmo mesmo tempo, um painel de Recife e do Rio de Janeiro da segunda metade do século 19, época em que viveram figuras das mais conhecidas de nossas letras: José de Alencar, Machado de Assis, Castro Alves, Joaquim Manuel de Macedo, Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Tobias Barreto, Sílvio Romero, José Veríssimo, etc., e que foi marcada por mudanças de mentalidade e de estrutura: do romantismo ao realismo, do espiritualismo ao positivismo, da escravatura à abolição, da monarquia à república.”

Escrito em 5 de junho de 2000 em parceria com Luiza Maria da Silva Matosinho.

Heine em tradução Mário de Andrade

Peixeira linda,
do barco vem;
Senta a meu lado,
Chega-te bem.

Ouves meus peito?
Porque assustar!
Pois não te fias
Ao diário mar?

Como ele, eu tenho
Maré e tufão,
Mas fundas pérolas
No coração.

Heinrich Heine (Düsseldorf, Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha, 13 de dezembro de 1797 – Paris, França, 17 de fevereiro de 1856) foi um poeta romântico alemão, conhecido como “o último dos românticos”. Mário de Andrade traduziu poemas dele, sendo um dos mais notáveis a adaptação do Lied “Du schönes Fischermädchen” (“Bella pescadora”), que ele usou em seu romance “Amar, verbo intransitivo”, apresentando-o com o título “A pescadora” ou similar, em uma versão que dialoga com as traduções anteriores de Gonçalves Dias e Manuel Bandeira, explorando o tema do amor e da condição feminina com o modernismo brasileiro