Autor: ematosinho
Mãos setando
Ao longo da muralha
Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis à boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny de Vasconcelos (Lisboa, Portugal, 9 de agosto de 1923 — Lisboa, Portugal, 26 de novembro de 2006)
Praia de Santos
Foto de Flávio Eduardo Devienne Ferreira
Água-viva
A cidade desce para este lugar de água
O Mondego perdeu as águas frias,
o movimento convulso dos invernos.
Ao lado da cidade, recupera olhares,
entre os choupos trémulos.
Guarda as memórias mais leves
dos jovens que amavam na desmedida:
os primeiros rubores, as palavras na pele,
os campos abertos para a casa dos desejos.
E leva longe o perfume de Inês, a sombra
do vestido no recanto mais verde do rio:
ensinando às ervinhas o nome de Pedro,
cantando a última ária de um tema de paixão.
A cidade desce para este lugar de água:
traz algumas sombras do granito, festas,
segredos de ruas inclinadas, livros.
E o ar mais leve para o tempo demorado.
Sérgio Firmino Soares Mendes (Maia, Portugal, 29 de março de 1974)
Picasso, Karel Appel, Rogério Bessa Gonçalves, Tsuruko, Felipejor, Luis Castañón e Éder Jefferson: outros destaques do blog anterior
Picasso (Málaga, Espanha, 25 de outubro de 1881 – Mougins, França, 8 de abril de 1973)
Pablo Ruiz Picasso foi um pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol, considerado um dos mais importantes e populares pintores do século XX. E, como eu mesmo disse nesse blog um dia: “O pintor Picasso / Tem oito fases: Azul, Rosa, Cubismo analítico, Cubismo sintético, Clássica, Metamorfoses, Política, Maturidade / Teve oito mulheres: Fernande, Eva, Olga, Marie-Thérèse, Dora, Françoise, Geneviève, Jacqueline / Nasceu em Málaga / Morreu no sul da França / Deixou um enorme legado Como o maior artista do século XX”.
Karel Appel (Amsterdã, Países Baixos, 25 de abril de 1921 – Zurique, Suíça, 3 de maio de 2006)
Christiaan Karel Appel, conhecido como Karel Appel foi um pintor, designer, artista gráfico, escritor e escultor neerlandês e co-fundador do grupo CoBrA, em 1948. Estudou na Rijksakademie van Bee hldende Kunsten, onde se tornou amigo de Guillaume Corneille, seu futuro companheiro no CoBrA.
Rogério Bessa Gonçalves (São Paulo, 28 de janeiro de 1960)
Arquiteto por formação, carioca de nascimento e atualmente reside em São Paulo. É Mestre em Arquitetura, Fotógrafo, Artista Plástico e Ilustrador. Como Artista Plástico, possui cinco individuais sendo duas no Centro Cultural São Paulo, bem como fotografou e ilustrou para o pocket Dois por Um em 2014, 2016, 2017. Foi ilustrador dos livros “Estopa” (2015) do autor Renato Zapata, “In Fine” (2015) do autor Marcos Maia (selecionado entre os dez finalistas para o Premio Jabuti de ilustração Literária), “Penas, Fluidos e Bisturis” (2018) com a participação de vários paulistas, produzido pelo autor e recém-lançado na Casa das Rosas. Como fotógrafo participou em 2018 com quatro imagens no livro “São Paulo em Imagens” organizado pela Matilha Cultural e Aquarela Brasileira.
Site: https://rogbessa.blogspot.com/
Tsuruko
Tsuruko Uchigasaki é bacharel em pintura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Artes pela Universidade de Brasília. Atuou como professora em várias instituições de ensino como a UFRJ, UnB e Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Atualmente dedica-se à produção de pinturas e cultivo de amoras.
Felipejor
Perdi o contato.
Luis Castañón
Luis Castañón foi artista plástico e arte-educador com vários cursos de especialização, com participação em palestras e mesas redondas. Também ministrou cursos e workshops em instituições públicas e privadas, tais como: Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), Instituto de Artes da Universidade Paulista (UNESP), Centro Cultural São Paulo, Museu de Arte Moderna (MAC Americana), Oficinas do SESC e Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, onde atuou como professor de cursos livres. Suas obras fazem parte de acervos públicos e privados e estão incluídas em várias publicações nacionais e estrangeiras desde 1981.
Éder Jefferson
Perdi o contato.
Nota: Como disse em outra postagem recente parecida com esta, volto mostrar trabalhos desses artistas acima, divulgados no passado na versão antiga do blog e não mais acessíveis pela internet, em homenagem aos 20 anos em que o meu blog está no ar, já que “Redescobrindo” iniciou-se em 22 de agosto de 2005.
À China
Coqueiral
A saudade é um batimento que rebenta assim
vinte e oito vezes desde meu ombro tatuado
de desastre até à rosa pendurada em sua boca
E o amor, neste caso específico, é um mergulho
destemido que deriva quase sempre de uma nota
climática apenas para convergir no osso frontal
do crânio do rei da ilusão — terno é o seu rosto
Senhor, os ossinhos do mundo são de mel e ouro.
Matilde Campilho (Lisboa , Portugal, 20 de Dezembro de 1982). In “Jóquei”, Tinta da China, 2014
Fotos da antiga residência de Seu Edmundo
Esses são dois retratos tirados no dia 26/04/2009 de minha velha casa na Vila Odilon, em Ourinhos-SP, onde meu pai se estabeleceu há mais de 80 anos atrás abrindo a primeira farmácia de lá, de nome “Santo Antônio”. Nessa casa convivi com meu pai até os 20 anos de idade e ela me marcou muito, sendo enredo dos meus sonhos até os dias de hoje. Meu pai a frequentou até a sua morte, mesmo vivendo em São Paulo seus últimos anos.
Fotos: Maraci Peck Mattosinho Vieira (prima)