O Mondego perdeu as águas frias,
o movimento convulso dos invernos.
Ao lado da cidade, recupera olhares,
entre os choupos trémulos.
Guarda as memórias mais leves
dos jovens que amavam na desmedida:
os primeiros rubores, as palavras na pele,
os campos abertos para a casa dos desejos.
E leva longe o perfume de Inês, a sombra
do vestido no recanto mais verde do rio:
ensinando às ervinhas o nome de Pedro,
cantando a última ária de um tema de paixão.
A cidade desce para este lugar de água:
traz algumas sombras do granito, festas,
segredos de ruas inclinadas, livros.
E o ar mais leve para o tempo demorado.
Sérgio Firmino Soares Mendes (Maia, Portugal, 29 de março de 1974)
Autor: ematosinho
Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).
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