Autor: ematosinho
Nesta brisa quase suave
Nesta brisa quase suave
de plantas já anoitecidas
quase te toco entre as regas,
e entristeço.
A tua ausência é tão real
como os vastos campos de girassóis
secos, envelhecidos, quase mortos.
Alugo a voz e a expressão
a par de todos os espaços
deste lugar que se inicia.
Tudo isto é simples:
tenho o coração desarrumado.
Vem.
Filipa Leal (Porto, Portugal, 14 de março de 1979)
Ricardo Alves, Lemerci, Alice Almeida e Albert: artistas destacados na versão anterior do blog “Redescobrindo”
Ricardo Alves – Rio Claro, SP, 1988
Vive e trabalha em São Paulo, SP
Indicado ao Prêmio PIPA 2021
Seus trabalhos mais recentes têm sido marcados por um sentimentalismo que se manifesta ao trazer para a pintura os momentos decantados pela memória pessoal, reforçando um tom de cerimônia e afeto. Isso é construído com uma superfície pictórica de aspecto denso e tátil, de fortes contrastes e com a participação de faíscas, luzes e cores reluzentes. Destaca-se ainda a importância da repetição de uma variedade de figuras emblemáticas, que se incorporam paulatinamente ao universo do artista. Graduado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) participou de mostras coletivas em cidades como São Paulo/SP, Ribeirão Preto/SP, Rio de Janeiro/RJ, Belém/PA, Nova York/USA, Londrina/PR, Tsukuba/Japão, entre outras. Foi premiado nos salões de arte de Ribeirão Preto, Santo André e Guarulhos através dos quais teve obras incorporadas aos acervos públicos desses locais. Realizou as primeiras mostras individuais em 2016, na Galeria Sancovsky em São Paulo capital e no Museu de Arte de Ribeirão Preto/SP. Em 2023, participou da exposição coletiva “Bufê Dinamite”, no Caroço Projetos; e em 2024, realizou em dupla com André Bontorim a exposição “Problemas com nomes”, no Massapê Projetos, ambas em São Paulo/SP.
Site: www.alvesricardo.com
Lemerci – Nasceu em Pernambuco e cresceu em Fortaleza
É uma artista autodidata
“Le merci” é uma referência ao nome da artista plástica brasileira Miriam Merci e também a uma exposição do artista brasileiro Gustavo Rezende, intitulada “Merci Merce”. Miriam Merci é conhecida por suas obras que retratam a cultura popular do Nordeste do Brasil, enquanto a exposição de Gustavo Rezende explora seu processo criativo através de vídeo, desenho, relevos e esculturas. A artista plástica Miriam Merci recria imagens do universo tradicional do Nordeste brasileiro, utilizando cores vibrantes para retratar temas como forró, ciranda, bumba-meu-boi e a cultura negra.
Alice Almeida – Nasceu em 2000, em Almada, Portugal
Alice Almeida descobriu desde pequena que tinha como grande paixão as artes, principalmente o desenho. Tinha como grande sonho ser pintora, e com a idade, o sonho maturou para tornar-se artista plástica. Nestes últimos anos, participou em diversas exposições coletivas, tendo como maior destaque a exposição do Prémio Árvore das Virtudes de 2023, na Cooperativa Árvore, e a participação na XI Bienal de Pintura de Pequeno Formato de Alhos Vedros de 2024, em Alhos Vedros. Teve a sua primeira exposição individual em Abril de 2024, com o nome de Corpus Verum, no Tejo Bar. Teve a sua segunda exposição individual no Edifício Central do Município, Campo Grande, Ode ao Efémero. O seu trabalho gira em torno do tema da fragilidade do corpo e a procura de o proteger dessa finitude. Tende a trabalhar mais com a gravura, combinando com diferentes materiais e técnicas. Procura criar corpos a partir do original, e talvez assim, preserva-los no tempo e no espaço. Em 2022 realizou a residência artística, Quarry Sonnets, na Serra de Aire e Candeeiros, e em 2024 participou na residência artística em Lom, Water Tower Art Residency, na Bulgária.
Albert – Artista plástico
Conhecido simplesmente por Albert, Marcelo Albert é professor, desenhista, arte-finalista, artista plástico, fotógrafo, compositor, tatuador e pai. Formado na Escola Guignard- UEMG e com mestrado na ULisboa.
www.instagram.com/marceloalbert_
Nota: O blog “Redescobrindo”, editado por mim, iniciou-se em 22 de agosto de 2005 e completou 20 anos no ar nessa última sexta-feira. A sua primeira versão ficou no ar até 23 de maio de 2019 e beirou os 30 mil acessos. Em homenagem à essa data resgatei em meu computador imagens “perdidas” desses artistas acima, talentos que descobri pesquisando e navegando na época.
Fazendo uma trova
Um dizer ainda puro
imagino que sobre nós virá um céu
de espuma e que, de sol em sol,
uma nova língua nos fará dizer
o que a poeira da nossa boca adiada
soterrou já para lá da mão possível
onde cinzentos abandonamos a flor.
dizes: põe nos meus os teus dedos
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.
sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em nós acende
o lume das árvores de fruto.
diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo um dizer ainda puro.
Vasco Gato (Lisboa, Portugal, 30 de Março de 1978). in “Um mover de mão”, Assírio e Alvim, 2000
Pastéis criados por Maria do Carmo
Quatro pinturas em pastel feitas pela minha sobrinha e afilhada Maria do Carmo Matosinho Peres de Pontes quando jovem
Meu coração como vermelho balão – Assemblage
As mães dormem de olhos abertos
As mães dormem
de olhos abertos,
caçam à dentada
os medos dos filhos
e iluminam a noite
com fogo do coração.
Cláudia Lucas Chéus (Lisboa, Portugal, 1978)
Blog, 20 anos…
O blog “Redescobrindo” de minha autoria completa 20 anos no ar nessa sexta-feira, 22/08/25. Para lembrar essa “redonda” data criei a imagem acima inspirada em um antigo banner dele. A primeira versão do blog, que ficou no ar até 23 de maio de 2019, beirou os 30 mil acessos e essa nova e modernizada versão já passou dos um milhão e meio, com mais de 158 mil visitantes. Ele possui 200 páginas, já foram publicados 1.994 posts e aprovados 359 comentários. No dia 19/08/25, ele obteve a excelente marca de 7.761 páginas visitadas em um único dia…
Valeu pessoal pelas visitas e pelo prestígio.
Abraços e retornem mais vezes,
Eduardo Matosinho