Três poemas

Num bairro moderno
O poodle fez pu-pu (delicadeza)
Fertilizando a erva (outrora relva)
No logradouro ensolarado (logrando
O quê? Poema de merda).

*

Num bairro moderno
Passinhos de passarinho pardacento
Viúva d’alma com gabardine
Passando estreita
No passeio do bairro.

*

Nesse bairro moderno
Havia desejos de vê-la
Jovem e já viúva
Passando
De flores queimadas e silêncios
E de lábios dizendo alarmes
Nos dedos, cuidados.

Jorge Fazenda Lourenço (Covilhã, Portugal, 1955). In “Fim de boca e mais poemas 1981-2023”, Companhia das Ilhas, 2023

Raízes

Como gatos ao sol

Sombrio abismo ondulante
labirinto invertido

Dão para o desconhecido
dialogam subterraneamente de planta a planta
(também eu tenho duas plantas de bípede
mas que nem sempre se compreendem
sou membro de uma espécie alucinada e predadora)

Raízes que por vezes afloram a superfície da pedra
serpenteando

Da terra retiram o mar desaguado

Podem matar ou libertar
matar ou curar

A tua infância são as tuas raízes
elas alimentam os sonhos
quando dormes elas falam

A meio da minha vida descalcei-me e sentei
debaixo de uma árvore em cima de suas raízes
e me alimentei da sua seiva
Budha quase me despertava.

(Coimbra, jardim Botânico).

*

Escadas que dão para o céu
(ou seja para nenhures)
Ao lado na igreja da Misericórdia
latejam os sinos sinalando um funeral
E eu só queria um sinal do teu coração
(que o telefone tocasse agora
então acreditaria em auroras).
(Idanha-a-Nova, final de tarde)

*

Em lince me transformo e corro
para te anunciar que
Hoje o Sol abriu a pálpebra
rente ao chão
nas folhas do choupo
e só depois se ergueu até aos ramos
mais altos onde vai fazer ninho.

*

Manuel Silva-Terra (Orvalho, Freguesia Oleiros, Portugal, 18 de maio de 1955)

Passamos hoje a marca de um milhão e meio de páginas visitadas: 1.500.193

O blog “Redescobrindo” iniciou suas atividades em 22 de agosto de 2005, foi remodelado e modernizado em 24 de maio de 2019, estando no ar portanto há quase 20 anos. Ele já tem um total de 158.064 visitantes e 131.860 visitantes únicos, 1.977 posts publicados e 355 comentários aprovados.

“Redescobrindo” foi o título que dei para meu livro de poesia concluído em agosto de 2003 e que aqui já foi publicado na íntegra. Além dele tenho postado ao longo de sua trajetória algumas poesias e escritos novos meus, pinturas minhas e outras matérias variadas, poesias e escritos de outros artistas e escritores que julguei interessantes ao internauta. Esse painel acima mostra minha foto exibindo obras do acervo da Galeria Pontes, onde trabalho, e alguns trabalhos artísticos meus que já estamparam o blog.

Muito obrigado pelas visitas e por prestigiarem este blog que é feito com dedicação e carinho.

Um abraço e voltem sempre,

Eduardo Matosinho

Poema

difícil o parto
das palavras
neste momento em que falo
à ilha
(a minha mãe?
a minha filha?)
dizer-lhe o mar
o mato
o cinto que sinto
do aperto da espuma
a dor
o pudor da gente
que mente a distância
confunde a bruma
– quixote sem lança

Vasco Pereira da Costa (Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 1948). In “Poetas dos Açores de Ruy Galvão de Carvalho”

Ana: Passeio na praia, Mulher artista e Ana coração

Ana
Artista
Comecei na teoria e me encontrei na prática ✨”
📍 Rio de Janeiro

“Me chamo Ana, sou historiadora da arte pela EBA/ UFRJ. Tenho 27 anos, nasci e cresci no Rio. Comecei a produzir em 2018 pinturas, xilogravuras, cerâmicas e bordados. Gosto de deixar fluir e produzir sobre minhas experiências. Mas não me limito a isso, sempre busco me aventurar em novos temas, suportes e formas de arte. Durante a quarentena, por exemplo, comecei a lidar com arte digital. Bom, Ana é arte. E minha arte é para o mundo. Meu objetivo é fazer minha arte voar e que ela saia dessa caixa imaculada e elitizada. Pra mim, arte deve ser acessível e compreensível. No momento estou cursando Design Gráfico na UVA e tenho feito também muitas artes digitais voltadas para produtos de papelaria como adesivos, bloquinhos e ímãs, tem sido uma grata aventura!“

Contatos:
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