Bicicleta

Que surpresa a manhã me reserva,
a alegre scienza de tuas pernas.

És uma imagem tão concreta:
mulher passando de bicicleta.

Circulas feito jornal silencioso,
vens de um mundo novo.

Nervo exposto do movimento,
tempestade amorosa do tempo.

Texturas de ritmo e luz,
sensualidade, trobar clus.

Passas por mim e penso:
É por mim que ela passa.

Augusto Massi (São Paulo, 1959)

O fio da viagem / “Não faça piadas…”

Conselho de Kalecki aos amigos:

“Não faça piadas sobre assuntos sérios, elas sempre acabam por se mostrar verdadeiras.”

Michal Kalecki (Lodz, Polônia, 22 de junho de 1899 — Varsóvia, Polônia, 18 de abril de 1970). Economista marxista, especializado em macroeconomia. Foi considerado “um dos economistas mais ilustres do século 20” e “provavelmente o mais original”. Afirma-se frequentemente que ele desenvolveu muitas das mesmas ideias que John Maynard Keynes antes de Keynes.

O engenheiro

A Antônio B. Baltar

A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
superfícies, tênis, um copo de água.

O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.

(Em certas tardes nós subíamos
ao edifício. A cidade diária,
como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro).

A água, o vento, a claridade
de um lado o rio, no alto as nuvens,
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.

João Cabral de Melo Neto (Recife, Pernambuco, 9 de janeiro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999). In “O engenheiro”, 1945

Nota: A expressão “machine à émouvoir”, que significa “máquina de comover”, foi usada por João Cabral de Melo Neto, especialmente na epígrafe de “O engenheiro” (1945), para descrever a sua visão da poesia como uma construção técnica e racional destinada a provocar emoção. A poesia cabralina, com o seu rigor formal e a sua linguagem concisa, funcionaria como uma máquina, onde cada elemento, tal como numa engrenagem, teria uma função específica na criação do impacto emocional desejado no leitor. Influência da arquitetura: Cabral, também conhecido como “poeta engenheiro”, via a criação poética como um ofício técnico e laborioso. A sua poesia não era um impulso inspiracional, mas um trabalho árduo sobre a estrutura da linguagem, tal como a construção de um edifício.

Recuerdo de la estación del sol – 2014

Vagão Fantasia – Ubatuba-SP

(O vagão de trem, eu e o bambuzal)

Contando um pouco…

A história de Ubatuba começa em 1563, quando o Padre Anchieta promove junto aos índios liderados por Cunhambebe, a chamada Paz de Iperoig, também conhecido como Armísticio de Iperoig que foi um tratado de paz efetuado entre os portugueses e os indígenas tamoios nesse remoto ano.

“Iperoig” é um termo derivado da língua tupi antiga: significa “rio dos tubarões”, através da junção de iperó (tubarão) e ‘y (rio). Era o nome da localidade onde Manuel da Nóbrega e José de Anchieta ficaram reféns dos tamoios em 1562-1563.

O nome Ubatuba tem origem no tupi-guarani e pode significar “lugar abundante em canoas” ou “lugar abundante em canas para fazer flechas”. A palavra é formada pela junção de “ubá” (canoa) ou “uíba” (cana) e o sufixo “tuba”, que indica abundância ou sítio onde há muito de algo.

Esse vagão de Edna é uma viagem em si e seu livro de bordo conta muitas lindas histórias como essa… Pergunte…

Gabriel Wilsen: Sete cerâmicas desse promissor artista da argila

Reflexão

O que é arte? Água, terra, fogo, oxigênio.

Todos nós nos perguntamos da onde viemos e para onde vamos. Dificilmente sabemos o que fazemos aqui. Eu “um” ser mais “um” nessa terra. Dificilmente ou talvez nunca encontrará essa resposta que todos querem saber. Até lá uso todo o poder da minha mente, dos meus cinco sentidos, do meu corpo e alma para criar pensar agir.

Pediram para fazer uma biografia sobre mim e no final acabei fazendo uma reflexão. Chamam o Gabriel Neto de sobrevivente do holocausto, nascido no Brasil. Meus avós foram muito bem recebidos no Brasil por esse povo maravilhoso. E aqui no Brasil observo o povo, as suas origens, suas alegrias e tristezas e vejo o que é errado e o que é certo. Observo  observo observo. Realmente lidar com a terra e as cores não é uma tarefa fácil mais um pouco de paciência, elegância e prática tudo pode acontecer. Arte pode ser vista hoje e destruída amanhã…”

Gabriel Wilsen – Ceramista autodidata

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