Mês: outubro 2025
November without water
Olha-me p’ra estas crianças de vidro
cheias de água até às lágrimas
enchendo a cidade de estilhaços
procurando a vida
nos caixotes do lixo.
Olha-me estas crianças
transporte
animais de carga sobre os dias
percorrendo a cidade até os bordos
carregam a morte sobre os ombros
despejam-se sobre o espaço
enchendo a cidade de estilhaços.
*
Chegas
eu digo sede as mãos
fico
bebendo do ar que respirar
a brevidade
assim as águas
a espera
o cansaço.
Ana Paula Tavares (Lubango, Angola, 30 de outubro de 1952). Essa poeta e historiadora angolana, de 72 anos, foi a vencedora do Prêmio Camões 2025, principal reconhecimento literário da língua portuguesa. In “Poesia africana de língua portuguesa – Antologia”, Editora Nova Aguilar, 2003
Bahia – A cidade do folclore
Das terras de Benvirá
O anel que tu me deste
Eu guardei pra me ajudar
Construí numa viola
De madeira o teu altar
O amor que tu me tinhas
Eu roubei pra me salvar
Toda hora em que a danada da saudade
Me pega
Joema dos olhos claros
Bem verdes da cor do mar
Me dava tanta alegria
Que eu não preciso sonhar
Basta me lembrar agora
Das coisas que deixei lá
Joema sempre esperando
Na praia do Grande Mar
Waldomiro das estrelas
Não podia se encontrar
Tinha tudo que queria
Dizia tudo a pintar
Olhando pro céu de frente
Perdido sempre em chegar
Waldomiro das estrelas
Pedia para voltar
Que faço agora Maria
Que faço agora diz já
De longe que eu ouço hoje
As coisas que vão voltar
Em ti, em ti, e comigo
Agora no Deus dará
Das coisas de todo mundo
Na vida do Benvirá
“A foto é mil. Arte para aplaudir.” (@danilofarias7978)
Geraldo Vandré (João Pessoa, Paraíba, 12 de setembro de 1935). Música composta por ele para o pintor naïf baiano Waldomiro de Deus (Itagibá, Bahia, 1944) que nesse ano de 2025 completa 60 anos de sua carreira artística premiada e elogiada. Fotos: Evento ocorrido ontem na Pinacoteca de São Paulo para o lançamento do livro “Waldomiro de Deus” que contou com uma conversa entre o artista e o crítico e autor do livro Enock Sacramento (Francisco Sá, Minas Gerais, 1937) no Auditório da Pinacoteca Luz. Foi organizado pelos Amigos da Pina e contou com a venda dos livros no local e o quadro da foto faz parte do acervo permanente do museu e encontra-se exposta no 2º andar do prédio.
Retrato de André Breton
Fotografia
Não amava o amor. Nem as suas provas.
Amava a sua engrenagem. A urdidura
do palco, o holofote cego
com a possibilidade de luz.
A cortina caindo em pano rápido
na boca de cena, sob o coração imaginário
artificial e monitorado, diverso
daquele que batia dentro de si:
sem controle — na bela e na fera.
Armando Freitas Filho (Rio de Janeiro, 1940 – 2024). Finalista ao Prêmio Jabuti 2025 com seu livro de poesia “Respiro”, Editora Companhia das Letras e a cerimônia de premiação está marcada para acontecer em 27 de outubro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Mãe, pai e filhote
Pelo Dia das crianças, amanhã!… Ainda, de algum modo, somos todos crianças…
Tempestade no Paulo 1
Postais
Ideia de filme
para lembrar
figuras
caligrafia remota
desvão de viagem
entrelaço
agudo
ou o
dizer
mesmo
saudade
Manoel Ricardo de Lima (Parnaíba, Piauí, 1970). Finalista ao Prêmio Jabuti 2025 com seu livro de poesia “O lado esquerdo”, Editoras Mórula Editorial, Cultura e Barbárie e a cerimônia de premiação está marcada para acontecer em 27 de outubro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
10/10: Centenário de Poteiro
“Neste ano comemora-se o centenário de nascimento de Antônio Poteiro, artista nascido em Portugal em 1925, que chegou ainda bebê no Brasil e tornou-se um dos mais importantes artistas brasileiros. Radicou-se em Goiânia em 1955. Foi lá que montou a sua oficina onde fazia potes de cerâmica, profissão aprendida com seu pai. Seus potes, à princípio objetos utilitários, assumiriam a condição de autênticas esculturas em cerâmica, produtos da sua fértil imaginação e de um saber fazer primoroso e único. Mais tarde, por influência de artistas goianos, tornou-se pintor. Produziu quadros lindos, lúdicos. Eles têm uma euforia de cores e traço marcante, inconfundível.
Viva Antônio Poteiro que tornou nossas vidas mais alegres e mais leves!”
Edna Matosinho de Pontes
Poteiro (Santa Cristina de Pousa – Portugal, 1925 – Goiânia – GO, 2010) – Antônio Batista de Sousa faleceu aos 84 anos e na data de hoje comemora-se o seu centenário. Chegou ao Brasil ainda bebê. Morou em São Paulo, em Minas Gerais e numa aldeia carajá na ilha do Bananal – TO. Desde 1955 radicou-se em Goiânia, onde montou seu ateliê. Foi padeiro, cozinheiro e faxineiro antes de ser poteiro, ofício que aprendeu com o pai e que iniciou sua relação com a escultura. Ganhando a vida como fabricante de cerâmica utilitária (de onde lhe adveio o epíteto de Poteiro), aos poucos foi imprimindo qualidade artística a seus potes. Com o passar dos anos muitos de seus potes assumiriam a condição de autênticas esculturas em cerâmica, superando pela carga estética sua condição primeira de simples recipientes caseiros para revelar, na forma cada vez mais complexa e na elaborada ornamentação, uma imaginação dominada pelo insólito e o fantástico, antes de que apreendida diretamente da realidade concreta. A pintura viria mais tarde e levou para ela os mesmos elementos utilizados em suas cerâmicas, priorizando uma temática nascida do sonho e do pesadelo.
“Galeria Pontes apresenta seu acervo de Antônio Poteiro” em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=0mq4PbDML8g&t=56s
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