Gritar

Aqui a ação simplifica-se
Derrubei a paisagem inexplicável da mentira
Derrubei os gestos sem luz e os dias impotentes
Lancei por terra os propósitos lidos e ouvidos
Ponho-me a gritar
Todos falavam demasiado baixo falavam e escreviam

Demasiado baixo
Fiz retroceder os limites do grito
A ação simplifica-se
Porque eu arrebato à morte essa visão da vida
Que lhes destinava um lugar perante mim
Com um grito

Descobrir mais
Tantas coisas desapareceram
Que nunca mais voltará a desaparecer
Nada do que merece viver

Estou perfeitamente seguro agora que o Verão
Canta debaixo das portas frias
Sob armaduras opostas
Ardem no meu coração as estações
As estações dos homens os seus astros
Trêmulos de tão semelhantes serem

E o meu grito nu sobe um degrau
Da escadaria imensa da alegria

E esse fogo nu que pesa
Torna a minha força suave e dura

Eis aqui a amadurecer um fruto
Ardendo de frio orvalhado de suor
Eis aqui o lugar generoso
Onde só dormem os que sonham
O tempo está bom gritemos com mais força
Para que os sonhadores durmam melhor
Envoltos em palavras
Que põem o bom tempo nos meus olhos

Estou seguro de que a todo o momento
Filha e avó dos meus amores
Da minha esperança
A felicidade jorra do meu grito
Para a mais alta busca
Um grito de que o meu seja o eco.

Paul Éluard, pseudônimo de Eugène Emile Paul Grindel (Saint-Denis, França, 14 de dezembro de 1895 – Charenton-le-Pont, França, 18 de novembro de 1952). In “Algumas das palavras: antologia. Paul Éluard”. Organização e prefácio António Ramos Rosa; tradução de António Ramos Rosa e Luísa Neto Jorge. Lisboa: Dom Quixote, 1977

Silvana dos Santos Pereira: Renascimento

Silvana Marques dos Santos Pereira

Artista brasileira, residente em São Paulo, nasceu na Bahia, em um ambiente artístico, de uma família de artistas reconhecidos. Pinta desde a infância e ao longo de muitas décadas, exerceu atividade profissional como professora da Fundação Getúlio Vargas e empresaria, mantendo sempre a pintura como uma profunda necessidade pessoal. Há 3 anos conseguiu viabilizar dedicação exclusiva à pintura.

Desde muito cedo na infância frequentou os Ateliês de Candoca e Mario Cravo, onde aprendeu e praticou seus primeiros passos. Estudou artes em San Jose – Califórnia, em 1970/1971, foi introduzida ao óleo, pastel e aquarela. Frequentou a Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – Curso livre – durante 1974-1976, onde foi orientada pelos professores Riolan Coutinho e Juarez Paraiso, aprofundando o estudo do retrato através da exploração de técnicas como a pintura a óleo, pastel seco e carvão vegetal. Na década de 80, com professor Carlos Fajardo aprofundou em arte moderna e abstrata. Atualmente desde 2019, estuda com professor Paulo Pasta, no Instituto Tomie Ohtake.

Ao longo de anos, desenvolveu principalmente retratos e recentemente tem explorado as dimensões abstratas através de pastel seco e paisagens com óleo sobre canvas.

Pinta de forma intuitiva, impulsionada por sua observação e sentimento empírico do mundo.

Contatos:
www.facebook.com/silvanapereiraartista
www.instagram.com/silvana_artist
silvana@silvanatpereira.com.br
WhatsApp: (11) 9 8121-0200
www.silvanatpereira.com.br

Batmacumba

Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê
Bat Macumba
Bat Macum
Batman
Bat
Ba
Bat
Bat Ma
Bat Macum
Bat Macumba
Bat Macumba ê
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá!

Gilberto Gil (Salvador, Bahia, 26 de junho de 1942) / Caetano Veloso (Santo Amaro, Bahia, 7 de agosto de 1942)

Comemoração: Dieese 70 anos

Em 22 de dezembro de 1955, um grupo de sindicalistas se reuniu em São Paulo para criar o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e de Estudos Sócio-Econômicos) e hoje ele completa 70 anos de existência.

Ele é dirigido pelos sindicatos de trabalhadores brasileiros e vem desenvolvendo, desde então, pesquisas e assessorias técnicas. Hoje ele é presidido por José Gonzaga da Cruz, vice-presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, e tem como diretora técnica a socióloga Adriana Marcia Marcolino, que coordena o trabalho de uma grande equipe técnica formada por economistas, sociólogos, estatísticos e engenheiros de produção. Destacamos que durante 23 anos de sua existência o Diesse teve importante suporte técnico do economista Walter Barelli. O Dieese possui 17 escritórios regionais no Brasil, além de um escritório nacional em São Paulo.

Graduado em economia pela USP em 1989, trabalhei um pouco mais de quatorze anos no Dieese, após uma rápida passagem por uma instituição financeira de renome. Hoje estou envolvido com o gerenciamento de uma galeria de arte.

De outubro de 1989 a julho de 2003 atuei nessa instituição como sociólogo e economista, onde o tema do emprego (e do desemprego) e das políticas públicas para estimulá-lo, no caso do emprego (e enfrentá-lo, no caso do desemprego) estiveram sempre presentes. Durante esse período, atuei também no gerenciamento do Banco de Dados Macroeconômicos, com mais de 300 séries sobre economia brasileira, e na elaboração de estudos e análises, abordando os grandes temas relacionados com o mundo do trabalho, com destaque para a reestruturação produtiva, emprego e renda e novas relações de trabalho.

No Seminário Internacional “Dieese 70 Anos: Disputar a Renda, Reduzir Desigualdades”, realizado no Sesc Bom Retiro – Alameda Nothmann, 185 – Campos Elíseos, São Paulo – SP, em dois dias de atividade, 11 e 12 de dezembro, participarei ao longo da manhã do primeiro dia, 11/12.

Não posso deixar de citar nessas comemorações as importantes contribuições de técnicos ímpares, e que já nos deixaram, como Walter Barelli, Jorge Uehara, Dirceu Huertas, José Maurício Soares, Álvaro Penachioni e Osvaldo Rodrigues Cavignato, por quais tenho especial apreço.

Escritório Nacional do Dieese
Rua Aurora, 957, 1º andar
Santa Efigênia – São Paulo/SP
(11) 3874-5366

www.dieese.org.br

Dos amores

Livro Primeiro: 5

Era intenso o calor, passava já do meio-dia;
Estendi-me na cama a repousar os membros.
Das janelas, em parte abertas, em parte cerradas,
Vinha luz semelhante à que há dentro das matas,
À luz mortiça do crepúsculo, após Febo sumir,
Ou de antes de a noite ir-se sem que seja dia.
A esta luz é que se hão de mostrar as jovens tímidas;
Nela, o pudor medroso espera achar refúgio.
Eis que chega Corina numa túnica ligeira,
Cobriam os cabelos seu alvo pescoço;
Assim entrava pela alcova a formosa Semíramis,
Diz-se, e Laís, a quem tantos homens amaram.
Desvesti-lhe a túnica; de tão tênue, mal contava:
Ela lutou, entanto, por cobrir-se com
A túnica, mas sem nenhum empenho de vencer:
Venceu-a, sem pesar, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa alguma, diante dos meus olhos.
Não havia, em seu corpo, um único defeito.
Que ombros e que braços a mim foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que deleite comprimi-los!
Que ventre mais polido logo debaixo do peito!
As ancas, que primor! Que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi de tão louvável!
E a nudez lhe estreitei contra o meu próprio corpo.
Quem não sabe o resto? Exaustos, repousamos depois.
Que mais outros meios-dias prósperos me sejam!

Amores

Liber Primus: V

Aestus erat, mediamque dies exegerat horam;
Adposui medio membra levanda toro.
Pars adaperta fuit, pars altera clausa fenestrae,
Quale fere silvae lumen habere solent,
Qualia sublucent fugiente crepuscula phoebo,
Aut ubi nox abiit, nec tamen orta dies.
Illa verecundis lux est praebenda puellis,
Qua timidus latebras speret habere pudor.
Ecce, corinna venit, tunica velata recincta,
Candida dividua colla tegente coma,
Qualiter in thalamos famosa semiramis isse
Dicitur, et multis lais amata viris.
Deripui tunicam; nec multum rara nocebat,
Pugnabat tunica sed tamen illa tegi;
Quae cum ita pugnaret, tamquam quae vincere nollet,
Victa est non aegre proditione sua.
Ut stetit ante oculos posito velamine nostros,
In toto nusquam corpore menda fuit:
Quos umeros, quales vidi tetigique lacertos!
Forma papillarum quam fuit apta premi!
Quam castigato planus sub pectore venter!
Quantum et quale latus! Quam iuvenale femur!
Singula quid referam? Nil non laudabile vidi,
Et nudam pressi corpus ad usque meum.
Cetera quis nescit? Lassi requievimus ambo.
Proveniant medii sic mihi saepe dies.

Ovídio (Sulmo, Itália, República Romana, 20 de março de 43 a.C. – Tomis, Cítia Menor, Império Romano, 17 ou 18 d.C.). In “Carne e do exílio”, seleção, tradução, introdução e notas José Paulo Paes – São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 28-29. Esse poeta latino foi um dos maiores poetas romanos da Antiguidade, mestre da poesia lírica e épica, famoso por obras como Metamorfoses, A arte de amar, e os poemas do exílio, como Tristes, sendo uma fonte crucial da mitologia clássica e influenciando a literatura ocidental. Sua obra influenciou profundamente artistas e escritores como Dante, Shakespeare, Milton e Bernini, sendo uma fonte perene de inspiração

Cabocla Jurema

Cabocla
Seu penacho é verde
Seu penacho é verde
É da cor do mar

É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
É cor… da Cabocla Jurema
Jurema

É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
Jurema

Quem rola pedra
Na pedreira
É Xangô

Quem rola pedra
Na pedreira
É Xangô

É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
Jurema

À tarde…
Quando de volta da serra…
Os pés sujinhos de terra
Vejo a cabocla passar

As flores vem pra
Beira do caminho
Para ver aquele jeitinho
Que ela tem de caminhar

E quando…
Ela na rede adormece
O seio moreno esquece
De na camisa…
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As rolas…
As rolas…
Também morenas
Cobrem o colo de penas
Para ele…
Se agasalhar

A Noite…
Dos seus cabelos
Os brancos
São feitos de pirilampos
Que as estrelas…
Querem cegar

E as águas do rio
Que vão passando
Fitam seus olhos
Castanhos
Que já chegaram ao mar

Com ela dorme
Toda a natureza
Emudece a correnteza
Fica o céu
Todo apagado

Somente
Com o nome dela
Na boca
Pensando nessa
Cabocla
Fica o caboclo
Acordado.

Maria Rosa Canellas, conhecida por Rosinha de Valença (Valença, Rio de Janeiro, 30 de julho de 1941 — Valença, Rio de Janeiro, 10 de junho de 2004). Interpretado por Maria Bethânia (Santo Amaro, Bahia, 18 de junho de 1946) em seu disco “Brasileirinho” lançado em 2006