Alexsandro Panetto Largura: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP)

Alexsandro Panetto Largura

Nascido em 09/10/1988 em Linhares, um município brasileiro no litoral norte do estado do Espírito Santo. Vítima de uma disfunção congênita cerebral pós-parto é chamado carinhosamente por Alex. Alex é um rapaz muito carismático, fascinado por videogame e pintura. Para ele a pintura ocupa um espaço muito importante em sua vida. Mora em Rio Bananal, município no Espírito Santo e é casado com Williariana Pamela de Jesus. Ele é bolsista da Associação. Em suas próprias palavras ele conta: “Essa paisagem foi eu que pintei com a boca, e tive essa surpresa por ter a minha arte no começo do calendário de 2026.!!… Gratidão!!”

👨🎨 Artista plástico da APBP
Estilo de pintura: Com a boca
Técnica: Acrílica
Título da obra: “Praia da Bahia”

APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés.

Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
(11) 5053-5100
apbp@apbp.com.br
https://apbp.com.br/home

Tristia

1

Aprendi a ciência da despedida
No desabrigo, em noites de ansiedade.
O boi rumina, a espera é longa lida,
Está no fim a vigília da cidade,
E à noite do galo, rendo homenagem,
Quando, ao longe, olhos miraram em pranto,
E, suspenso o peso da dor da viagem,
Mulher e musa uniram choro e canto.

2

Quem pode, na palavra despedida,
Prever que separação nos espera,
Ou a que o canto do galo nos convida,
Quando a acrópole em chamas reverbera,
E na aurora de uma vida nova,
Quando o boi rumina à sombra indolente,
Por que o galo, arauto da vida nova,
Bate aos muros da cidade, impaciente?

3

Mas o ofício de fiar me fascina:
A lançadeira trama, o fuso ressoa.
Olha: como uma pena de cisne,
Descalça, ao teu encontro, Délia voa!
Oh, urdidura frouxa de nossa vida,
Como é pobre a língua da alegria!
Tudo está feito um repetir sem saída:
E só reconhecê-lo delicia.

4

Numa travessa de barro lavada,
Jaz a figura em cera transparente,
Como pele de esquilo esticada,
Que a moça mira com luz de vidente.
Do Érebos grego, não nos vêm profecias.
Às moças, serve a cera; a nós, o cobre duro.
Só nas guerras nossa sorte se anuncia,
Mas mulheres, até morrer, veem o futuro.

[1918]

Óssip Mandelshtám (Varsóvia, Polônia, 14 de janeiro de 1891 — Vladivostok, Sibéria, Rússia, 27 de dezembro de 1938) é um dos principais poetas e ensaístas do modernismo russo. Traduzido por Rubens Figueiredo, escritor e tradutor

Três tias

A primeira tia disse:
— Precisamos já pensar,
Pra Soninha, nos seus anos,
Que presente vamos dar.

Então disse a segunda:
— Minha ideia, irmãs, é esta:
Um vestido verde-ervilha.
Essa cor Sônia detesta!

A terceira diz: — Concordo!
Verde a irrita pra valer!
Ela vai ficar furiosa.
Mas terá de agradecer

Wilhelm Busch (Wiedensahl, Alemanha, 15 de abril de 1832 — Mechtshausen, Seesen, Alemanha, 9 de janeiro de 1908) foi um influente poeta, pintor e caricaturista alemão, famoso pelas suas histórias satíricas ilustradas com textos em verso. In “Di-versos e um Caldeirão de poemas: as antologias traduzidas de Tatiana Belinky” de Sandrelle Rodrigues de Azevedo

Portuñol

línguas enroladas
dançam Tango
ao som
de buenos aires

voltas
              curvas
bamboleios

eixo próprio
invertido

o Sul começa
onde surgimos

península asmática presa
no peito

o som chiante abafa
qualquer dúvida
de procedência

hecho en américa latina Portuñol
línguas enroladas
dançam Tango
ao som
de buenos aires

voltas
curvas
bamboleios

eixo próprio
invertido

o Sul começa
onde surgimos

península asmática presa
no peito

o som chiante abafa
qualquer dúvida
de procedência

hecho en américa latina

Arthur Lungov (Pelotas, Rio Grande do Sul, 1973) é poeta e editor de poesia da “Lavoura”, revista de literatura contemporânea. É autor dos livros “Luzes fortes, delírios urbanos” (Patuá, 2016) e “Corpos” (inédito)

Quatro momentos poéticos de Stein

Maçã

Maçã ameixa, bife tapete, molusco caroço, vinho colorido, calmo visto, creme de beleza, tremor melhor, batata, batata e nenhuma nenhuma obra de ouro com carícia, uma vista verde é chamada assar e mudar docemente é de pão, um pedacinho um pedacinho por favor.

Um pedacinho por favor. Bastão de novo ao pressuposto e pé de eucalipto pronto, redistribuir xerez e pratos maduros e cantinhos de um tipo de pernil. Isto é uso.

*

Espargo

Espargo numa inclinação numa inclinação para aquecer. Isto faz disto arte e é tempo húmido húmido tempo húmido húmido.

*

Manteiga

Explodir em explodir em, manteiga. Deixe um grão e mostre-o, mostre-o. Eu espio.

É uma necessidade é uma necessidade que uma flor uma flor formal. É uma necessidade que uma borracha formal. É uma necessidade que uma borracha formal seja doce e vista e um trecho inchado. É uma necessidade. É uma necessidade essa borracha formal.

Madeira uma oferta. Limpar pouco manter e um estranho, torne isto estranho.

Faça um branquinho, nenhum e não com fenda, fenda sobre em dentro.

*

Cozinhar

Ai de mim, ai o puxão ai o sino ai o coche na louça, ai de mim o pequeno arremesso na lâmina ai a carne de manteiga da boda, ai de mim o recipiente, ai a forma posterior de marisco, marisco e soda.

Gertrude Stein (Allegheny, Pensilvânia, Estados Unidos, 3 de fevereiro de 1874 — Neuilly-sur-Seine, França, 27 de julho de 1946). Viveu a maior parte de sua vida na França, foi uma das maiores colecionadoras de arte do século XX, e foi figura central no desenvolvimento e na recepção do Cubismo, além de ter influenciado Dada e o Surrealismo. In “Tender buttons” (Tenros/ Suaves botões). Datado de 1914 esse livro é composto por poemas em prosa que funcionam como pequenos quadros cubistas, nos quais o olhar percorre cada elemento de maneira a formar uma (ou mais do que uma) narrativa. Compõe-se de três partes: Objetos, Alimentos e Quartos – e está escrito de uma forma muito particular: a poeta usa uma linguagem experimental, recorrendo a repetições, abstrações, onomatopeias e ao que se designou de “cubismo verbal”, ao ponto de esta ter sido classificada como uma obra-prima da literatura cubista. Poemas postados por Maria Campos