Mês: fevereiro 2026
Cajás
Cajás! Não é que lembra à Laura um dia
(Que dia claro! esplende o mato e cheira!)
Chamar-me para em sua companhia
Saboreá-los sob a cajazeira!
“Vamos sós?” – perguntei-lhe. E a feiticeira:
– “Então! tens medo de ir comigo?” E ria.
Compõe as tranças, salta-me ligeira
Ao braço, o braço no meu braço enfia.
– “Uma carreira!” – “Uma carreira!” — “Aposto!”
A um sinal breve dado de partida,
Corremos. Zune o vento em nosso rosto.
Mas eu me deixo atrás ficar, correndo.
Pois mais vale que a aposta da corrida
Ver-lhe as saias voar, como vou vendo.
Alberto de Oliveira (Saquarema, Rio de Janeiro, 28 de abril de 1857 — Niterói, Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 1937). In “Grandes sonetos de nossa língua”. Organização e seleção de José Lino Grünewald. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1987