Cajás

Cajás! Não é que lembra à Laura um dia
(Que dia claro! esplende o mato e cheira!)
Chamar-me para em sua companhia
Saboreá-los sob a cajazeira!

“Vamos sós?” – perguntei-lhe. E a feiticeira:
– “Então! tens medo de ir comigo?” E ria.
Compõe as tranças, salta-me ligeira
Ao braço, o braço no meu braço enfia.

– “Uma carreira!” – “Uma carreira!” — “Aposto!”
A um sinal breve dado de partida,
Corremos. Zune o vento em nosso rosto.

Mas eu me deixo atrás ficar, correndo.
Pois mais vale que a aposta da corrida
Ver-lhe as saias voar, como vou vendo.

Alberto de Oliveira (Saquarema, Rio de Janeiro, 28 de abril de 1857 — Niterói, Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 1937). In “Grandes sonetos de nossa língua”. Organização e seleção de José Lino Grünewald. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1987

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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