Índia 2

Legal corpo curto cabelo
Na dança da vida equilibra
E a roupa é colorida com
a cor do dia em que a flor
foi cheirada pelo beijo que
não dei. Ficou no ar a mú-
sica e o verso antigo: caminho
coquinho carinho cantinho
violão (e cabeça),
profundamente…
de coração.

(27/08/88)

Versa Kishi 2

quando caiu
olhou a sua volta
Não havia outros, então
continuou a andar
como se nada tivesse acontecido.

***

meus sapatos não estão aqui
          Será que eu sai?

***

se brilha teu corpo
num pouco de luz
já não sinto tão escura
a dor que se mistura.

N. T. Kishi. In “Amo teu oxigênio”

No Instagram de Oscar D’Ambrosio

Oscar D’Ambrosio (@oscardambrosioinsta) mostrando minhas contribuições (Quando sugere estar enviando uma frase, uma imagem, com a fichinha técnica e com o nome do pensador citado, para conversar com a frase original dele…):

Escritor, curador, crítico de arte, pós-doc em educação, arte e história da cultura, e jornalista (www.oscardambrosio.com.br)

Imagem 1

Mundo verde em papelão (Estudo), 2001
Eduardo Matosinho
Acrílica sobre papelão de caixa de supermercado
18 x 25 cm

“O mundo é mágico.
As pessoas não morrem, ficam encantadas.”
Frase dita por Guimarães Rosa (Cordisburgo, Minas Gerais, 27 de junho de 1908 – Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967) no seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, em 16 de novembro de 1967.
In: João Guimarães Rosa: Frases de seus escritos e discurso (https://ematosinho.com.br/?p=6219)

Gestos podem criar uma percepção de dança, seja qual for a técnica, o material e o suporte utilizados. A magia da criação visual não está na escolha de um assunto, mas na maneira como ele é representado pela percepção que cada um tem do espaço, valendo-se de cores e formas para atingir as mais diversas composições e os mais significativos resultados.
Oscar D’Ambrosio

https://www.instagram.com/p/DV8aMvPgNES/

Imagem 2

Pássaro da lâmpada ou Passarão, 1998
Eduardo Matosinho
Aquarela e colagem tirada de revista sobre papel
18 x 25 cm

“Para encontrar o azul eu uso pássaros
As letras fizeram-se para frases.”
Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 – Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908).

“Na língua dos pássaros uma expressão tinge
a seguinte.
Se é vermelha tinge a outra de vermelho.
Se é alva tinge a outra dos lírios da manhã.
É língua muito transitiva a dos pássaros.
Não carece de conjunções nem de abotoaduras.
Se comunica por encantamentos.
E por não ser contaminada de contradições
A linguagem dos pássaros
Só produz gorjeios.”

Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014).
In: Biografia do orvalho (https://ematosinho.com.br/?p=11601), citada nessa poesia de seu livro “Retrato do artista quando coisa”, Rio de Janeiro: Record, 1998

Uma imagem é um canto. Pode mais aparente para alguns; e menos para outros. Cada um percebe e interpreta dentro de sua vontade e capacidade. O essencial, porém, talvez esteja em mergulhar na ideia de que as sugestões que as formas fazem são o ponto de partida dos olhares, não o seu resultado final.
Oscar D’Ambrosio

https://www.instagram.com/p/DVWBwyXgAe_/

Imagem 3

Abstrato colorido, s/d
Eduardo Matosinho
Tinta nanquim colorida Rotring
27 x 37 cm

“Toda grande arte é abstrata.”
Jean Renoir
In “Federico Fellini: Nota sobre o seu filme “Amarcord” (https://ematosinho.com.br/?p=5968)

Obra de arte

O cineasta Jean Renoir dizia que
Toda grande arte é abstrata
No entanto a vida…
O que é que é?
Será que é abstrata
Será que imita a arte
Ou é concreta
Será que é imaginária
Será que é sonho
Ou real, ou nobre
Será que a vida é grande,
(Ou é feita de detalhes
De recortes, de dobras)
É toda, é completa
A arte pode ser grande
Quando vivida
A obra de arte pode ser de Picasso,
Matisse, Duchamp, Miró
A vida pode ser a de José,
De Pedro, Raimundo

Um pensador escreveu um dia
Um pedaço da arte ao dizer que
Os pensamentos nascentes florescem
nas estradas dos jardins cerebrais
Esse poema nasceu assim
No entanto ainda não floresceu
Poemei e pensei, mas não decifrei:
Toda grande vida é…

Eduardo Matosinho

Uma imagem é uma interpretação do mundo, seja ela figurativa ou abstrata. Existe em cada uma delas algo que está além de uma imitação, ou seja, de uma cópia; ou de uma representação alterada daquilo que se conhece. A criação mais potente é a que transforma internamente quem a faz e quem a vê.
Oscar D’Ambrosio

https://www.instagram.com/p/DU1Vy0mEhmf/

Explicação do poema

O poema é uma teia
de sombra e sol.
Uivo de alcateia

para a lua cheia.
O poema é o fluxo
e o cio da sereia.

O poema é o que pulsa
no vértice de fogo
dos olhos da Ursa.

Não é o cachimbo
de ópio. É o vão dos
pássaros do limbo.

A dança da chama
que devora o peito
de quem ama.

O lugar da ágora
onde os deuses amam
musas e medusas.

O poema é um meio
de beber ao seio
das guitarras lusas.

Francisco Carvalho (Russas, Ceará, 11 de junho de 1927 — Fortaleza, Ceará, 4 de março de 2013). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Gejo, O Maldito no CCSP

Monográfica Gejo, O Maldito – “Enxame”

Hoje, dia 22/07, pela manhã, Gejo, O Maldito escreveu dizendo que novamente a exposição foi prorrogada até dia 31 de agosto e de que, nesses 5 meses em cartaz e com sucesso, o livro de assinaturas já teve suas 100 páginas esgotadas. E ele está preparando outro…

O programa Monográfica, da Curadoria de Artes Visuais – ciclo de exposições individuais dedicado à reflexão sobre a produção contemporânea brasileira – apresenta, a cada edição, um recorte consistente da trajetória de artistas em
atuação desde a virada do século XXI. Nesta edição,destaca-se a obra de Gejo, O Maldito, artista cuja formação se dá na experiência direta da rua, herdeiro e agente da tradição da arte urbana no Brasil.
Artista visual, grafiteiro, arte-educador, designer e editor, Gejo, O Maldito (acrônimo de Geovaldo José), desenvolve uma produção marcada pelo movimento Hip Hop e pela cultura do estêncil no graffiti brasileiro, introduzido pelo precursor Alex Vallauri. Além do traço livre nas suas figuras estilizadas, silhuetas em cores sólidas e contornos acentuados, que tem uma aproximação com Keith Haring, sua obra tem principalmente no estêncil sua matriz técnica e conceitual. A partir dessa matriz, Gejo, O Maldito expande seu repertório visual para múltiplos, serigrafias, gravuras e estampas, povoando assim seus “seres das ruas” em diferentes suportes. Elementos industrializados, como rendas e padrões decorativos, são apropriados e convertidos em estênceis, recobrindo pictoricamente sua iconografia dita marginal, combinada de figuras-texturas, como na série de pinturas sobre madeira ou tela em que suas figuras e fundos adquirem diferentes padronagens.
O popular, o coletivo, o massivo, a crítica e o humor constituem eixos centrais de sua poética. Em sua obra, a crítica social e ecológica emerge por meio da escolha deliberada do que é considerado menos nobre. Suas figuras humanas — os “peoples”, como o artista denomina — formam multidões anônimas, silhuetas de corpos sem rosto, aglomerados que evocam ao mesmo tempo vulnerabilidade e resistência. Da classe dos animais, não aparecem espécies domesticadas ou idealizadas, mas urubus, gambás, tatus, lacraias, cobras, lagartas e outros invertebrados — presenças marginalizadas que tensionam hierarquias simbólicas.

Nesta edição do programa “Monográfica”, da Curadoria de Artes Visuais, o destaque recai sobre a obra de Gejo, O Maldito, artista cuja formação se dá na experiência direta da rua, herdeiro e agente da tradição da arte urbana no Brasil.

Sua produção é marcada pela cultura Hip Hop e pela cultura do estêncil no graffiti brasileiro. A exposição organiza-se em cinco segmentos principais — “Pixador”, “Peaples”, “Animais Marginais”, “Motivos Votivos” e “Motivos de Encanto” — que evidenciam recorrências e desdobramentos de sua pesquisa.

“Quer ver um pouco do Suco do final dos anos 80 e começo dos anos 90?
Venha e traga a família! Vai ser lindo conhecer a nova geração 2020’s.
Enxame. Dia 27.03.2026, às 18 h.
Vai acompanhando a saga nas redes.”

Gejo, O Maldito

Serviço:

27/3 a 21/6
Monográfica Gejo, O Maldito – “Enxame”
Abertura: 27/3 (sexta-feira) às 18h
Terça a domingo, 10h às 20h
Piso Flávio de Carvalho
Classificação indicativa: Livre
Grátis, sem necessidade de retirada de ingressos

Centro Cultural São Paulo | Rua Vergueiro, 1000 – CEP: 01504-000 – Paraíso, São Paulo – SP

Gejo, O Maldito – Artista, empresário, mediador de conflitos, empreendedor em economia solidária e hip hoper.

Nasceu em Seabra, na Bahia, em 1976, mas aos três anos mudou-se para São Paulo. Ingressou no graffite, hip hop e stencil no meio dos anos 90 e popularizou o graffiti e o hip hop nas escolas públicas. Massificou o termo arte/ educação, participou das ONG’s mais relevantes de São Paulo; expôs em escolas, bibliotecas, museus, galerias e exposições nos Estados Unidos, Alemanha, Israel, Canadá, Bélgica, Cingapura e Itália.

É criador da marca de “Hip Hop 9370”, editor da revista Arte na Ruas e criador do evento “Free Art Fest”. Atualmente é proprietário do ponto cultural Elo Perdido e da Free Art Agency, que é uma empresa de artistas brasileiros que realiza oficinas, palestras, presta assessoria para assuntos de Street Art, produz ações artístico-culturais para galerias, espaços culturais, ONGs, Estados e empresas. Suas obras refletem as relações humanas nas áreas das questões ambientais, sociais, educacionais, políticas com tons de humor e muitas vezes de críticas com denúncias sociais.

Foi o idealizador do projeto do Centro Cultural Sítio do Tatu Amarelo, em Seabra (BA), que terá cursos de alfabetização de adultos, informática, biblioteca, cinemateca, oficinas de arte, além do amparo aos animais machucados e um jardim com diversos exemplares de plantas.

Contatos:
www.facebook.com/gejone
www.instagram.com/gejothecreator
9370hq@gmail.com
WhatsApp: (11) 9 9388-4069

A encenação do poema

1

Botei um vestido de álacres
no poema
com adjetivos vermelhos
para ficar venenoso
(mas o poema estava nervoso).
uma piteira dourada
de nébulas enigmáticas:
esqueci que minhas tranças
quando balançam fazem ruído
e minha suposta cara é redonda,
açucarada,
com um laço de chuvas.
Se eu pingo,
o mau jeito é um resfriado
e esse poema
não serve para fotografia:
tartamudeia tanto
que a pose não fixa.

2

Fechou o cenário:
essa alma não me obedece:
chove
(o poema está mal-assombrado).
O verso escorre
no meu portrait a Lautrec,
a obra-prima negra da ventura
moderna.
Botei um coador de forma
e as sobras das lantejoulas
me espiam
pintalgadas e chuvosas:
entre amarrotado e verdadeiro
o poema rosnou, deu de ombros, fugiu.

Elisabeth Veiga (Rio de Janeiro, 30 de julho de 1941 – Rio de Janeiro, 2 de agosto de 2018). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999