“desta vez acabo a obra”
gregório de matos
drummond perdeu a pedra: é drummundano
joão cabral entrou pra academia
custou mas descobriram que caetano
era o poeta (como eu já dizia)
o concretismo é frio e desumano
dizem todos (tirando uma fatia)
e enquanto nós entramos pelo cano
os humanos entregam a poesia
na geleia geral da nossa história
sousândrade kilkerry oswald vaiados
estão comendo as pedras da vitória
quem não se comunica dá a dica:
tó pra vocês chupins desmemoriados
só o incomunicável comunica
Augusto de Campos (São Paulo, 14 de fevereiro de 1931). Notas: Referências ao primeiro verso da “Dedicatória extravagante que o poeta faz destas obras ao mesmo governador satirizado”, do baiano Gregório de Matos Guerra (1636/ 1696); à outros poetas modernistas mais conhecidos como Carlos Drummond de Andrade (1902/ 1987) e João Cabral de Melo Neto (1920/ 1999) e ao compositor Caetano Veloso (1942); à Joaquim de Sousândrade (1833/ 1902), poeta romântico, autor de “O Guesa”, à Pedro Kilkerry (1885/ 1917), poeta simbolista baiano e à Oswald de Andrade (1890/ 1954), que são autores divulgados e revistos criticamente pelos concretistas, após longo silêncio e esquecimento sobre suas obras