1650 – 1720, Confederação dos Kariri

Entendi nada, respondi, girando os olhos
pra catraia da outra aldeia
nos chamando pra guerrear juntas
usando aquela língua véa feia.

A essa altura já fazia bem três anos
que botamos as diferenças de lado
tentando botar pra correr
o inimigo comum, insuportável.

Olhe que mesmo sem gostar
daquele bando de biraia
pouco tempo antes quase tomamos Natal
de tão valentes e organizadas!

Bora noiada ti vai ficar batendo boca ou vem pra
emboscada? gesticulou a tribufu sem me dar
escolha. Não gosto de tu mas vou pela peitica,
respondi levantando, uma mão no bacamarte

e a outra na azagaia, sem fazer ideia da chacina
que viria na sela dos paulistas, mas não importa:
só quem não pode com o pote
é que não pega na rodilha.

Adelaide Ivánova (Recife, 1982). In “Asma”, Editora Nós, 2024. Com esse livro de poesia ela, que é de ascendência russa, foi semifinalista ao Prêmio Jabuti 2025

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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