Como o contador de histórias é importante

Num reino muito distante, a corte estava cheia. Então resolveram expulsar uma pessoa.

O Vizir e o Grão Vizir escolheram o contador de histórias porque ele só contava histórias e não ajudava. O contador pediu para contar a última história. Os Vizires não aceitaram. Então ele foi perguntar para o rei, o rei aceitou, e então ele começou:

– Num reino distante, um rei e uma rainha tinham 3 filhas muito lindas.

Certo dia elas foram passear e se perderam. Depois de um tempo das filhas não chegarem eles (o rei e a rainha) colocaram cartazes escritos:

Quem achar as minhas filhas

ganhará o meu reino e casará

com uma delas.

E assim foi dito.

– Todo mundo começou a procurar, mas como ninguém achou o rei fez uma reunião da corte. A reunião queria:

– Escolher duas ou mais pessoas para ir procurar as filhas do rei.

– Logo no começo da reunião os Vizires foram capturados por vendedores de escravos que fizeram eles trabalharem.

– Do outro lado da cidade um contador de histórias falava com o rei:

– Eu posso ir procurar as princesas – Disse o contador.

– Você! – Disse o rei assustado.

– Sim, você tem outra opção.

– Não. – Disse o rei.

– Eu quero a mesma recompensa do que os Vizeres. – Disse o contador muito animado.

Sim disse o rei com tristeza (por que tinha quase certeza que o contador iria morrer).

– Então o contador foi procurá-las.

– Por sorte o contador não foi capturado pelos vendedores de escravos. Até viu os vendedores com o Vizir. O contador como tinha um dinheiro acumulado comprou os dois.

– Os três viajaram 4 dias e 4 noites e estavam exaustos. Até que viram uma casa com uma velhinha que parecia bondosa e pediram para ela:

– Por favor, deixe-nos dormir aqui? – Falaram os três muito cansados.

– Sim eu deixo, mas me conte um pouco de vocês. – Disse ela. O contador começou:

– Você conhece o Vizir e o Grão Vizir?

– Sim.

– Então são eles dois, e se você não sabe eles estão desaparecidos e eles estão procurando 3 princesas…

– Tá bom vocês são boas pessoas, podem entrar.

– Entraram e logo dormiram.

– Quando acordaram tomaram uma sopa e depois o contador contou uma história e a velhinha teve certeza que eles eram boas pessoas, então falou onde estavam as princesas:

– Eu acho que posso te ajudar – Disse s velhinha.

– Como? Disseram os três espantados.

– Um pouco longe daqui, tem um pântano aterrorizante com árvores com musgos compridos, com cipós altos e fortes, e lá dentro tem um rio fundo com um som muito forte dentro dele, se você conseguir passar, ainda tem cinco portas, e que em três delas tem alguma coisa de mal, mas atrás tem as princesas. Nas outras duas tem várias cobras venenosas.

– Isto é muito perigoso. – Disse a velhinha.

– O Vizir disse:

– Mas se voltarmos sem elas iríamos morrer, então é melhor arriscar.

– Eles se despediram e foram.

– Logo que chegaram à margem do rio o Grão Vizir disse:

– Eu, como sou mais forte, irei primeiro.

– Olha uma corda, vamos pegá-la. Grão Vizir quando você der dois puxões a gente te puxa, está bem? – Disse o Vizir.

– Então ele pulou e logo puxou a cordinha.

– Puxaram rápido ele para a cima. O Grão Vizir disse:

– Aquele barulho é ensurdecedor.

– Então foi a vez do Vizir: ele mergulhou e também deu dois puxões rapidinho.

– O Vizir concordou com o Grão Vizir.

Então foi a vez do contador de histórias.

Então ele pulou como os outros dois sentiu o mesmo barulho mais ignorou e conseguiu furar a barreira do som.

Então chegou onde estava as cinco portas e logo abriu uma porta e tinha um monstro com dentes afiados e então o contador o matou com um pedaço de vidro que atacou no monstro, que morreu.

Foi para a segunda porta. Abriu e tinha um centauro e o contador o matou com uma lança que estava no chão.

Na última porta tinha um dragão com sete cabeças, que o contador matou com uma machadinha que estava presa na parede.

Estavam atrás dos monstros mortos as princesas.

Primeiro subiram as duas princesas e depois o contador brigou com a última princesa para ver quem subia primeiro. Decidiram que era o contador, mas já era tarde os Vizires já tinham soltado a corda.

– Os Vizires falavam para as princesas que não era para contar que eles soltaram a corda e deixaram a princesa e o contador.

– Quando os Vizires não estavam percebendo, as duas princesas começaram a conversar bem baixo:

– Os Vizires estão falando sério, é melhor a gente não contar se não eles podem nos matar.

– Então eles voltaram. E fizeram uma grande festa, mas o rei percebeu que estava faltando uma de suas filhas e perguntou:

– Cadê a minha outra filha?

– Ela e o contador morreram. – Disse o Vizir.

– Então eu declaro um ano de luto e depois o Vizir irá assumir.

– Depois de dois meses do outro lado do reino, o contador e a princesa acharam uma arca mágica, abriram e apareceu um gênio colorido que tinha sido capturado pelos monstros do lado e agora estava livre e então tinham direito de um pedido para os dois.

O contador pensou, pensou e pensou, e falou:

– Escolho um barco todo de ouro com diamantes e rubis. E uma roupa para mim e para a princesa.

E assim foi feito.

O gênio fez o favor de colocar o barco no rio na frente do castelo.

– Eles se salvaram.

O rei nem percebeu que era o contador e continuou conversando até que a princesa falou:

– Pai, os Vizires me deixaram no lago!

– O rei mandou matar os Vizires. E o contador virou rei.

E nunca mais ninguém quis expulsar o contador de história.

Ulisses Matosinho Peres de Pontes (São Paulo, 1982 – 1998). In “Histórias dos alunos da 4ªB – 27 ótimas histórias”. Colégio Vera Cruz, sob a orientação de Rubette Santos – Educadora e editora, 1993

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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