Mulher, patrão e cachaça

Num barracão da Favela do Vergueiro
Onde se guarda instrumento
Ali, nós morava em três

Eu, Violão da Silveira, seu criado
Ela, Cuíca de Souza
E o Cavaquinho de Oliveira Penteado
Quando o cavaco centrava
E a cuíca soluçava
Eu entrava de baixaria
E a ximangada sambava
Bebia sacolejava
Dia e noite, noite e dia

No barracão quando a gente batucava
Essa cuíca malvada, chorava como ela só
Pois ela gostava demais do meu hit
E bem baixinho gemia
Gemia assim
Como quem tem algum dodói

Tudo aquilo era pra mim
Gemia e me olhava assim
Como quem diz:
Alô my boy
E eu como bom violão
Carregava no bordão
Caprichava o sol maior

Mas um dia patrão, que horror
Foi o rádio que anunciou com o fundo musical
Dona Cuíca de Souza
Com Cavaco de Oliveira Penteado se casou

E deu uma coisa na caquete
Eu ia pegar o cavaco
E o pandeiro me falou

Não seja bobo
Não se escracha
Mulher, patrão e cachaça
Em qualquer canto se acha
Não seja bobo
Não se escracha
Mulher, patrão e cachaça
Em qualquer canto se acha

Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato (Valinhos, São Paulo, 6 de agosto de 1910 – São Paulo, 23 de novembro de 1982) / Osvaldo Moles (Santos, São Paulo, 14 de março 1913 — São Paulo, 13 de maio 1967). Essa música faz referência à “Favela do Vergueiro”, sua letra descreve a vida em um barracão na favela, onde o personagem morava com seu violão, uma cuíca e um cavaquinho e é uma representação vívida do cotidiano nos morros paulistanos de sua época

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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