Num barracão da Favela do Vergueiro
Onde se guarda instrumento
Ali, nós morava em três
Eu, Violão da Silveira, seu criado
Ela, Cuíca de Souza
E o Cavaquinho de Oliveira Penteado
Quando o cavaco centrava
E a cuíca soluçava
Eu entrava de baixaria
E a ximangada sambava
Bebia sacolejava
Dia e noite, noite e dia
No barracão quando a gente batucava
Essa cuíca malvada, chorava como ela só
Pois ela gostava demais do meu hit
E bem baixinho gemia
Gemia assim
Como quem tem algum dodói
Tudo aquilo era pra mim
Gemia e me olhava assim
Como quem diz:
Alô my boy
E eu como bom violão
Carregava no bordão
Caprichava o sol maior
Mas um dia patrão, que horror
Foi o rádio que anunciou com o fundo musical
Dona Cuíca de Souza
Com Cavaco de Oliveira Penteado se casou
E deu uma coisa na caquete
Eu ia pegar o cavaco
E o pandeiro me falou
Não seja bobo
Não se escracha
Mulher, patrão e cachaça
Em qualquer canto se acha
Não seja bobo
Não se escracha
Mulher, patrão e cachaça
Em qualquer canto se acha
Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato (Valinhos, São Paulo, 6 de agosto de 1910 – São Paulo, 23 de novembro de 1982) / Osvaldo Moles (Santos, São Paulo, 14 de março 1913 — São Paulo, 13 de maio 1967). Essa música faz referência à “Favela do Vergueiro”, sua letra descreve a vida em um barracão na favela, onde o personagem morava com seu violão, uma cuíca e um cavaquinho e é uma representação vívida do cotidiano nos morros paulistanos de sua época