A árvore
Quando menino, tímido te plantei
Bela planta! quão diferentes nos vemos
Magnífica estás e
como um menino.
§
Metade da vida
Peras amarelas
E rosas silvestres
Da paisagem sobre a Lagoa.
Ó cisnes graciosos,
Bêbedos de beijos,
Enfiando a cabeça
Na água santa e sóbria!
Ai de mim, aonde, se
É inverno agora, achar as
Flores? E aonde
O calor do sol
E a sombra da terra?
Os muros avultam
Mudos e frios; à fria nortada
Rangem os cata-ventos.
Friedrich Hölderlin (Lauffen am Neckar, Alemanha, 20 de março de 1770 — Tübingen, Alemanha, 7 de junho de 1843). “A árvore”, organização e tradução Paulo Quintela. Coimbra: Atlântida, 1959 e “Metade da vida”, tradução Manuel Bandeira, in “Estrela da vida inteira”. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1966