Atenta bem, ó tu que amando estás
E a quem turva tão doce empreendimento,
Neste que leva a cabo tal intento
Ledamente fodendo onde lhe apraz.
Sem de qualquer escola andar atrás
Por trepar verbi gratia a todo tento,
Fará feito sem par e a seu contento
O que possa foder sem ser loquaz.
Vede como nos braços a levanta
Ele, que as pernas dela tem dos lados
E como de prazer já se quebranta.
Não se perturbam por estar cansados.
Mas o jogo lhe dá ardência tanta
Que fodendo queriam-se finados.
E retos, sem cuidados,
Ofegam juntos, de prazer frementes,
E enquanto ele durar, estão contentes.
Pietro Aretino (Arezzo, Itália, 20 de abril de 1492 – Veneza, Itália, 21 de outubro de 1556). Poeta renascentista italiano e um de seus famosos e picantes “Sonetos Luxuriosos” (Sonetti lussuriosi), sendo que a primeira tradução para a língua portuguesa foi publicada pela Companhia das Letras e valorizada pela fidelidade ao espírito e à forma do original, capturando o vigor e a graça erótica de Aretino. In “Poesia erótica em tradução”. Seleção e tradução José Paulo Paes. São Paulo: Círculo do Livro: S/d. 170 p., capa dura