Só aos sábios o reveles,
Pois o vulgo zomba logo:
Quero o louvar o vivente
Que aspira à morte no fogo.
Na noite — em que te geraram,
Em que geraste —sentiste.
Se calma a luz que alumiava,
Um desconforto bem triste.
Não sofres ficar nas trevas
Onde a sombra se condensa.
E te fascina o desejo
De comunhão mais intensa.
Não te detém as distâncias,
Ó mariposa! e nas tardes,
Ávida de luz e chama,
Voas para a luz em que ardes.
“Morre e transmuda-te”: enquanto
Não cumpres esse destino,
És sobre a terra sombria
Qual sombrio peregrino.
Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, Hesse, Alemanha, 28 de agosto de 1749 – Weimar, Turíngia, Alemanha, 22 de março de 1832). In “Poesia sempre”, número 31, Ano 15. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Ministério da Cultura. 2009. 217 p. ilus. col. Editor Marco Lucchesi. Ex. bibl. Antonio Miranda. O poema original intitulado “Selige Sehnsucht” (Nostalgia abençoada/ de bem-aventurança) foi traduzido por Manuel Bandeira, este que é um clássico da lírica alemã, adaptando-o para o seu próprio estilo e sensibilidade modernista