Soneto 8

Ó música, por que te escutas com tristura?
O doce ama a doçura, o alegre ama a alegria:
E por que amas tu só o que te traz amargura,
E acolhes com prazer o que só te entedia?
Se a concórdia dos sons justamente afinados,
Casados, num enlace, ofende os teus ouvidos,
Censuram-te com trino, e deixam misturados
O que, solteiro, tu devias ter unido.
Vê: uma corda, doce, a outra corda esposa,
Tocam-se, cada qual, de maneira alternante,
Assim como o senhor, o filho e a mãe ditosa,
Que entoam uma nota amável, acordante:
Múltipla, una, sem palavras, a balada
Canta-te: “Murcharás solteiro, serás nada.”

William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Reino Unido, 1564 (batizado a 26 de abril) — Stratford-upon-Avon, Reino Unido, 23 de abril de 1616). In “Sonetos ao jovem desconhecido”, São Paulo: Landy Livraria Editora e Distribuidora, concepção e tradução de Renata Maria Parreira Cordeiro, 2003

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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