I Melancolia

A noite

Eu vou esplendida e calma
Da luz no immenso diluvio!
Meu seio tornou-se effluvio,
O effluvio tornou-se em alma…

Dos astros o sorvedoiro,
Profundamente arqueado,
É como um cedro vergado
Ao peso dos fructos de oiro.

Dormem os monstros e as feras
Ao pé dos lyrios suaves;
Descanta a luz das esferas,
Rebrilha o canto das aves.

A lua, pastor bemdito,
Com seu rebanho de estrellas,
Vae vendo se alguma d’ellas
Se perde pelo infinito.

Sonha a flôr, lampeja a vaga…
Alma, astro, pensamento,
Tudo se abysma e se alaga
No grande deslumbramento!

De Deus ao cantico eterno,
Abrem-se as portas do inferno,
Abre-se o mar da harmonia!

Abílio Manuel Guerra Junqueiro, conhecido por Guerra Junqueiro (Freixo de Espada à Cinta, Portugal, 15 de setembro de 1850 – Santa Isabel, Lisboa, Portugal, 7 de julho de 1923) foi alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta português. In “A morte de D. João”, Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira Livraria Editora, 9ª edição, 1914

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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